O Palmeiras está novamente na final da Copa Libertadores. A equipe comandada por Abel Ferreira garantiu a classificação diante do Fluminense, mas a maneira como avançou reacendeu uma discussão sobre o futebol apresentado pelo clube paulista em confrontos decisivos.
Na quarta-feira (21), o Palmeiras perdeu por 1 a 0 no Nubank Parque, em São Paulo, e precisou dos pênaltis para eliminar o adversário por 5 a 3. A vitória por 2 a 1 no Maracanã havia garantido a vantagem construída no primeiro confronto.
A classificação confirmou a capacidade competitiva do Palmeiras. Entretanto, os números da partida de volta levantam questionamentos sobre o desempenho ofensivo de uma equipe que reúne jogadores de elevado nível técnico.
A CLASSIFICAÇÃO QUE ESCONDE UM PROBLEMA
Mesmo atuando em casa, o Palmeiras terminou os 90 minutos sem marcar. Foram 12 finalizações, apenas uma na direção do gol e nenhuma grande oportunidade contabilizada pela base estatística consultada.
O time teve aproximadamente metade da posse de bola, mas encontrou dificuldades para transformar sua circulação em oportunidades de qualidade. O Fluminense, por sua vez, conseguiu marcar com Hércules e levou a disputa para as penalidades.
O goleiro Carlos Miguel foi decisivo ao defender a cobrança de Nonato, permitindo que o Palmeiras confirmasse a classificação.
O resultado foi positivo. A produção ofensiva, porém, deixou perguntas.
UM CENÁRIO QUE O FLAMENGO CONHECE
A atuação diante do Fluminense permite uma comparação com a final da Libertadores de 2025, disputada contra o Flamengo.
Naquela decisão, vencida pelo Rubro-Negro por 1 a 0, com gol de Danilo, o Palmeiras terminou a partida com nove finalizações e nenhuma no alvo. Teve apenas 39,7% da posse de bola e acertou 66,9% dos passes, enquanto o Flamengo controlou 60,3% da posse e apresentou 81,3% de precisão.
A equipe paulista também realizou 20 cruzamentos, contra 16 do Flamengo, mas não conseguiu transformar esse recurso em uma finalização que exigisse defesa do goleiro adversário.
Somadas as duas partidas decisivas, o Palmeiras acumulou 21 finalizações e apenas uma na direção do gol.
A comparação não significa que a equipe tenha apresentado o mesmo futebol durante toda a temporada. No jogo de ida contra o Fluminense, por exemplo, foi eficiente ao acertar cinco de sete finalizações no alvo e vencer por 2 a 1.
Essa diferença revela justamente o ponto central do debate: o Palmeiras pode ser eficiente, mas ainda apresenta oscilações importantes na capacidade de criar oportunidades em confrontos de grande pressão.
UM ELENCO QUE PODE JOGAR MAIS?
Abel Ferreira construiu um trabalho vencedor e transformou o Palmeiras em uma equipe habituada a disputar títulos. A organização defensiva, a competitividade e a capacidade de superar adversários fazem parte dos méritos do treinador português.
Mas o sucesso não elimina o debate sobre a qualidade do futebol apresentado.
Com jogadores como Andreas Pereira, Jhon Arias, Flaco López, Mauricio e outras opções de qualidade, existe espaço para questionar se o Palmeiras poderia desenvolver um repertório ofensivo mais diversificado.
A utilização de bolas longas, disputas físicas, cruzamentos e jogadas individuais é uma característica que merece análise. Esses recursos são legítimos e podem ser eficientes, mas o questionamento surge quando parecem substituir uma construção ofensiva mais elaborada.
Ter jogadores qualificados não garante, por si só, criatividade coletiva. Essa depende de movimentos coordenados, ocupação de espaços e mecanismos de criação desenvolvidos pela comissão técnica.
RESULTADO NÃO ENCERRA A DISCUSSÃO
O Palmeiras chega a outra final da Libertadores e mantém vivo o objetivo de conquistar novamente a América. Sua classificação merece reconhecimento.
Mas a partida contra o Fluminense, observada ao lado da decisão perdida para o Flamengo, mostra que alcançar uma final e apresentar um futebol ofensivamente convincente não são necessariamente a mesma coisa.
Abel Ferreira já demonstrou que sabe construir equipes vencedoras. A questão que permanece é se um elenco com tantos recursos técnicos não deveria oferecer mais alternativas quando precisa assumir o protagonismo de uma partida decisiva.
O Palmeiras está na final. O debate sobre a qualidade do seu futebol continua aberto.
Fontes: CONMEBOL, Fluminense FC e dados estatísticos da partida de 21 de outubro de 2026.








