Arrascaeta voltou ao Rio de Janeiro nesta quarta-feira com o braço esquerdo imobilizado e será submetido nesta quinta, 1º de outubro, a uma cirurgia para corrigir a fratura sofrida no punho durante o amistoso entre Uruguai e Coreia do Sul.
A lesão aconteceu num momento particularmente ruim para o Flamengo.
O clube entra agora na fase mais importante da temporada, com compromissos decisivos pelo Campeonato Brasileiro e, principalmente, com a semifinal da Libertadores contra o Estudiantes marcada para os dias 15 e 22 de outubro.
Ou seja: mesmo no cenário mais otimista apresentado pelo departamento médico, Arrascaeta não estará disponível para esses confrontos.
O Flamengo ainda não estabeleceu uma data exata para o retorno do uruguaio, mas Fernando Sassaki, chefe do departamento médico rubro-negro, explicou que lesões desse tipo costumam exigir entre seis e oito semanas de recuperação.
A estimativa coloca o retorno do camisa 10 apenas para a segunda metade de novembro, caso a evolução ocorra dentro do esperado.
E isso significa que, além da semifinal da Libertadores, Arrascaeta corre risco de perder praticamente toda a reta decisiva do Brasileirão.
Flamengo perde rendimento sem Arrascaeta
A preocupação não é apenas pelo peso técnico do jogador.
Os números mostram que o desempenho do Flamengo cai de forma considerável quando Arrascaeta não está em campo.
Em 53 partidas disputadas pelo clube em 2026, o uruguaio participou de 35.
Com Arrascaeta, o Flamengo venceu 22 partidas, empatou oito e perdeu cinco, alcançando aproveitamento de 70,48%.
Sem o camisa 10, foram 18 jogos, com nove vitórias, três empates e seis derrotas.
O aproveitamento cai para 55,56%.
A diferença chama ainda mais atenção quando se observa o número de derrotas.
Mesmo tendo disputado 17 partidas a menos sem Arrascaeta, o Flamengo perdeu seis vezes sem o uruguaio e cinco com ele em campo.
É um retrato claro da importância do meia para o funcionamento da equipe.
Arrascaeta não participa apenas da criação.
Ele também aparece na área, finaliza, dá o último passe e, em jogos travados, muitas vezes encontra a solução que muda completamente uma partida.
Foi exatamente isso que aconteceu nas quartas de final da Libertadores.
Na volta contra o Independiente del Valle, no Maracanã, Arrascaeta saiu do banco e marcou o gol de empate que fechou a classificação rubro-negra para a semifinal.
Agora, poucas semanas depois daquele momento decisivo, Leonardo Jardim terá de enfrentar o Estudiantes sem um dos jogadores mais importantes do elenco.
O que acontece numa fratura desse tipo
A fratura no punho esquerdo exige cuidados específicos porque o atleta precisa recuperar não apenas a consolidação óssea, mas também mobilidade, força e segurança para suportar impactos.
Em jogadores de futebol, o desafio é diferente daquele enfrentado por um atleta que utiliza diretamente as mãos durante a partida.
Isso pode permitir uma evolução relativamente rápida em algumas etapas da recuperação, mas não elimina os riscos.
Movimentos como corrida, quedas, disputas de bola e choques com adversários podem colocar pressão sobre o braço lesionado.
Por isso, o retorno depende não apenas da cicatrização da fratura, mas também da capacidade de Arrascaeta voltar a realizar movimentos normalmente sem dor e sem risco elevado de nova lesão.
Fernando Sassaki explicou que existe a possibilidade do uso de órtese de proteção durante parte do tratamento.
Mas o próprio médico destacou que uma imobilização excessiva compromete movimentos naturais do corpo durante a corrida e a execução de fundamentos do futebol.
Por isso, a cirurgia foi considerada a melhor alternativa para acelerar uma recuperação segura.
Cirurgia tenta evitar recuperação mais longa
A opção pelo procedimento cirúrgico também busca dar maior estabilidade à região lesionada.
Em fraturas que precisam de correção, a cirurgia permite alinhar adequadamente o osso e estabilizar a área para que a cicatrização aconteça de forma controlada.
O Flamengo pretende acompanhar a recuperação diariamente por meio de exames, avaliação da dor, mobilidade e evolução da consolidação óssea.
Não existe, portanto, uma data previamente fechada para a volta.
O prazo de seis a oito semanas é uma estimativa médica.
Se Arrascaeta responder bem ao tratamento, poderá voltar dentro dessa janela.
Se houver necessidade de mais tempo, o clube não pretende acelerar o processo apenas por causa do calendário.
Ausência pesa justamente na Libertadores
O calendário torna tudo mais delicado.
O Flamengo enfrenta o Estudiantes no dia 15 de outubro, em La Plata, no primeiro jogo da semifinal da Libertadores.
A volta acontece uma semana depois, no dia 22, no Maracanã.
Arrascaeta estará nas primeiras semanas de recuperação nesse período.
A final da Libertadores está marcada para 28 de novembro, em Montevidéu.
Caso o Flamengo consiga eliminar o Estudiantes, o uruguaio poderá entrar numa corrida contra o tempo para tentar estar disponível para uma eventual decisão.
Se a recuperação levar seis semanas, Arrascaeta chegaria à segunda metade de novembro já próximo da liberação.
Se chegar a oito semanas, a situação ficaria muito mais apertada.
Ainda assim, qualquer projeção sobre a final neste momento seria precipitada.
O Flamengo primeiro terá de chegar até ela.
E para isso precisará superar o Estudiantes sem seu principal articulador.
Leonardo Jardim terá de mudar a estrutura
A ausência também representa um desafio para Leonardo Jardim.
O Flamengo tem alternativas no elenco, mas nenhuma reproduz exatamente as características de Arrascaeta.
Carrascal pode assumir funções de criação mais centralizadas.
Lucas Paquetá também pode atuar mais próximo do ataque e participar da construção entre as linhas.
Samuel Lino oferece mobilidade e capacidade de aceleração, embora atue normalmente em funções diferentes.
O problema é que substituir Arrascaeta não é apenas substituir uma posição.
O uruguaio influencia a maneira como o Flamengo ocupa o campo.
Ele atrai marcação, encontra espaços entre os volantes e os zagueiros adversários e possui capacidade de decisão em poucos toques.
Quando não está em campo, o Flamengo precisa encontrar outras formas de produzir essas mesmas vantagens.
Os números de 2026 mostram que isso nem sempre acontece.
Mais uma interrupção em 2026
A nova lesão também aumenta o peso de uma temporada fisicamente complicada para Arrascaeta.
Em abril, o meia sofreu uma fratura na clavícula durante a Libertadores e precisou ficar afastado por aproximadamente três meses.
Durante o período de recuperação, ainda apresentou problema na panturrilha direita.
Agora, poucos meses depois de voltar e recuperar espaço no time, sofre uma nova fratura, desta vez no punho.
São lesões diferentes e sem relação direta entre si, mas que acabam interrompendo novamente a sequência do jogador.
E Arrascaeta vinha justamente recuperando protagonismo.
Nos últimos 15 jogos antes da lesão, teve participação direta em cinco gols e voltou a aparecer de forma decisiva em partidas importantes.
A lesão pela seleção uruguaia encerra novamente essa sequência.
Flamengo terá de sobreviver sem seu camisa 10
O cenário agora é simples.
Arrascaeta será operado.
O Flamengo acompanhará sua evolução.
E Leonardo Jardim terá de encontrar uma solução para algumas das partidas mais importantes do ano sem um dos jogadores que mais influenciam o rendimento da equipe.
O prazo de seis a oito semanas oferece uma perspectiva de retorno ainda em 2026.
Mas também deixa claro que boa parte da reta decisiva acontecerá sem ele.
O desafio do Flamengo será mostrar que o elenco construído para disputar títulos consegue manter o nível justamente quando perde uma de suas principais referências.
E talvez os próximos jogos mostrem, melhor do que qualquer estatística, o tamanho real da ausência de Arrascaeta.




