A Confederação Brasileira de Futebol iniciou um projeto para definir o perfil de jogador ideal para a Seleção Brasileira em cada posição e aproximar esse conceito das categorias de base dos clubes. A iniciativa faz parte do novo ciclo da equipe nacional após a eliminação na Copa do Mundo e tem participação de Rodrigo Caetano e Carlo Ancelotti.
A proposta não é obrigar os clubes a adotarem um sistema tático ou uma metodologia única. Segundo Rodrigo Caetano, a ideia é estabelecer características técnicas, competitivas e comportamentais importantes para defensores, meio-campistas e atacantes. Depois desse trabalho interno, representantes da CBF pretendem visitar federações e clubes para discutir o conceito.
CBF prepara caderno metodológico
O projeto nasceu de reuniões entre a comissão da Seleção principal e os treinadores das equipes Sub-20, Sub-17 e Sub-15. Participam desse processo Paulo Victor, Dudu Patetuci e Guilherme Dalla Déa, além de outros integrantes da estrutura de seleções.
Rodrigo Caetano explicou que a CBF vem registrando as discussões em uma espécie de caderno metodológico. O documento reúne ideias sobre perfil de atleta, modelos de jogo, observação, formação e treinamento. A intenção é criar uma referência para o trabalho das seleções, sem transformar o material em uma ordem para os clubes.
Um dos pontos centrais é preservar a identidade brasileira. Ancelotti apresenta características que considera necessárias para cada setor, mas, de acordo com Caetano, o processo não funciona de forma vertical. Os treinadores das categorias inferiores continuam com liberdade para definir seus modelos de jogo.
Técnica e competitividade entram no perfil
A Seleção procura atletas com qualidade técnica, mas a avaliação não ficará restrita ao desempenho com a bola. Competitividade, capacidade de suportar pressão, comprometimento e preparação mental também entram na discussão.
A parte psicológica ganhou peso no planejamento. Para a CBF, jogadores jovens precisam estar preparados para níveis maiores de cobrança antes mesmo de chegarem à equipe principal. O entendimento é que essa característica pode ser trabalhada durante a formação e nas passagens pelas seleções de base.
A iniciativa também tenta reduzir a distância entre o trabalho realizado nos clubes e aquilo que o atleta encontra quando é convocado. Ao conhecer previamente as características esperadas pela Seleção, comissões técnicas e jogadores poderão compreender os critérios das escolhas.
Técnicos da CBF vão visitar clubes
Depois de definir os perfis por posição, a entidade pretende ampliar a presença nos centros de formação. Rodrigo Caetano afirmou que a CBF já trabalha em um processo de imersão em federações e clubes, com participação de observadores e dos técnicos das seleções de base.
Branco, Cícero Souza e Juan estão entre os profissionais envolvidos. As federações estaduais deverão funcionar como ponte para aproximar a CBF das comissões responsáveis pela formação dos jovens atletas.
A entidade reforça que não pretende determinar como cada clube deve formar seus jogadores. O objetivo é mostrar quais características a Seleção procura e diminuir a distância entre o futebol de base e a equipe nacional.
Radar acompanha brasileiros no exterior
Outro braço importante está fora do país. A CBF calcula que aproximadamente 50 jovens brasileiros que atuam em outras ligas já estejam sendo acompanhados pelo radar internacional de atletas.
Dois profissionais devem viajar para observar jogadores em outras ligas após um torneio Sub-17 da Uefa. Quatro jovens de clubes europeus já foram chamados para períodos de treinamento com as seleções brasileiras de base.
A preocupação existe porque muitos talentos deixam o Brasil cada vez mais cedo. Em alguns casos, a formação começa nos clubes brasileiros e termina na Europa, onde o jogador recebe influências de outra cultura de futebol. Para a CBF, acompanhar essa transição é essencial para não perder atletas que possam servir à Seleção no futuro.
O novo ciclo tem como horizonte principal a Copa do Mundo de 2030. A integração entre a equipe principal e as categorias menores deverá ser uma das bases desse processo de renovação.




