Os clubes brasileiros se uniram e foram até Brasília nesta terça-feira, 3 de novembro, para buscar uma solução para a questão das bets no Brasil. O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu representantes de Flamengo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo, Corinthians e outras entidades do futebol.

A audiência também contou com representantes dos atletas, do governo e de organizações esportivas.

Fux abriu os trabalhos deixando clara a sua posição contrária às apostas esportivas, especialmente pelos problemas sociais e de saúde provocados pelo vício. Entretanto, reconheceu que existe uma questão importante a ser analisada: a segurança jurídica dos contratos firmados durante o período em que as bets estavam regulamentadas.

Flamengo alerta para demissões e prejuízos

O Flamengo foi representado pelo vice-presidente-geral Flávio Willeman, que apresentou as preocupações financeiras do clube diante da Medida Provisória 1.394/2026, editada pelo governo Lula.

O dirigente afirmou que o Flamengo poderá perder aproximadamente R$ 430 milhões em receitas anuais, comprometendo o planejamento financeiro dos próximos anos.

O clube possui mais de 1.200 funcionários e alertou que a redução das receitas poderá afetar empregos e compromissos assumidos com atletas.

Outra preocupação apresentada pelo Flamengo foi a manutenção dos esportes olímpicos.

Willeman destacou que o Flamengo é, segundo os dados apresentados pelo clube, o segundo maior fornecedor de atletas olímpicos entre os clubes multiesportivos do mundo, atrás apenas de uma instituição russa. Uma perda financeira dessa dimensão poderá comprometer investimentos e a preparação de atletas.

Clubes defendem segurança jurídica

São Paulo, Corinthians, Fluminense e os demais clubes presentes também apresentaram preocupações com os efeitos da proibição.

Um dos principais pontos levantados foi a necessidade de preservar os contratos assinados quando a atividade era legalizada.

O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, destacou que países que restringiram a publicidade das apostas concederam períodos de transição de pelo menos dez meses, enquanto o Brasil estabeleceu um prazo de apenas dez dias.

A preocupação não envolve apenas os grandes clubes. O fim abrupto dessa receita poderá atingir instituições menores, funcionários e diferentes modalidades esportivas.

Decisão permanece indefinida

A audiência foi realizada no âmbito da ação que questiona a constitucionalidade da medida provisória.

Fux ouviu os argumentos apresentados, mas nenhuma decisão definitiva sobre a proibição foi anunciada durante o encontro.

Agora, a expectativa é saber como o Supremo tratará os contratos existentes e se haverá espaço para uma transição que reduza os impactos financeiros sobre o esporte brasileiro.