Nicolás De La Cruz alcançou a marca de 100 partidas pelo Flamengo neste domingo (11), durante a vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense, no Maracanã. O centésimo jogo chegou em um momento particular da trajetória do uruguaio: depois de enfrentar dificuldades físicas nas temporadas anteriores, o meio-campista vive seu ano de maior disponibilidade desde a chegada ao clube, mas encontra menos oportunidades para começar as partidas como titular.
O contraste ajuda a contar uma história que vai além da marca centenária. Contratado no fim de 2023, depois de se destacar pelo River Plate, De La Cruz chegou ao Rio de Janeiro como um reforço de peso para o meio-campo. Quase três anos depois, sua importância precisa ser analisada à luz das lesões, das mudanças táticas e da concorrência que encontrou no elenco rubro-negro.
O centésimo jogo aconteceu no clássico
De La Cruz começou o Fla-Flu no banco de reservas e foi acionado por Leonardo Jardim na segunda etapa, substituindo Samuel Lino.
Naquele momento, o Flamengo já havia construído a vantagem com gol de Carrascal, após assistência de Lucas Paquetá.
O uruguaio entrou para ajudar a equipe a administrar os minutos finais, em uma partida importante para a manutenção da liderança do Campeonato Brasileiro.
O Flamengo confirmou oficialmente que aquela foi a centésima apresentação do jogador com o Manto Sagrado.
O resultado também tornou a marca especial: o Rubro-Negro chegou aos 64 pontos e permaneceu na primeira colocação do Brasileirão, um ponto à frente do Palmeiras.
De protagonista em 2024 a opção no banco em 2026
Os números das três temporadas mostram uma mudança expressiva na utilização do meio-campista.
Segundo levantamento publicado pelo ge em 6 de outubro, De La Cruz disputou 41 partidas em 2024, sendo titular em 37. Foram 3.134 minutos em campo, dois gols e seis assistências.
Na primeira temporada, portanto, o uruguaio era utilizado regularmente desde o início dos jogos e tinha participação ofensiva relevante.
Em 2025, a presença caiu para 34 partidas, com 23 titularidades e 2.066 minutos. O rendimento ofensivo também diminuiu: um gol e nenhuma assistência.
Já em 2026, os dados consolidados pelo levantamento até 20 de setembro apontavam apenas seis partidas como titular, embora o jogador já tivesse entrado em campo 21 vezes.
A transformação é evidente. O atleta que iniciou 37 jogos em 2024 passou a conviver com uma utilização predominantemente como reserva em 2026.
Isso não significa necessariamente perda de qualidade técnica. A mudança envolve questões físicas, administração de carga e um elenco com concorrência mais forte no setor.
O paradoxo: mais saudável, mas menos utilizado
Um dos aspectos mais interessantes da temporada de De La Cruz está na relação entre disponibilidade física e minutos disputados.
Até 20 de setembro de 2026, o jogador havia ficado à disposição da comissão técnica em 31 partidas, contra 29 no mesmo período de 2025.
Entretanto, no recorte daquele período, havia começado somente seis jogos como titular em 2026, diante de 19 em 2025 e 32 em 2024.
Os números revelam que estar disponível não significa necessariamente conquistar espaço na formação inicial.
A situação ficou ainda mais clara quando o uruguaio falou ao site oficial do Flamengo, em 6 de outubro, sobre sua condição física e a concorrência no meio-campo.
De La Cruz afirmou estar atravessando um momento físico positivo, destacando a possibilidade de manter uma sequência de treinamentos e a redução dos problemas musculares.
O jogador também reconheceu a qualidade dos companheiros e ressaltou que a escolha dos titulares pertence ao treinador.
A declaração ajuda a explicar por que a marca de 100 partidas chega acompanhada de uma questão esportiva importante: qual será seu papel no Flamengo durante os jogos decisivos de outubro e novembro?
O trabalho médico por trás da recuperação
A trajetória recente de De La Cruz inclui um acompanhamento individualizado do departamento médico.
Nos últimos anos, o uruguaio enfrentou dores nos joelhos que afetaram sua sequência de partidas. Durante o período de férias, passou por um procedimento regenerativo na região, seguido de controle específico de carga nos treinamentos e jogos.
Fernando Sassaki, chefe do departamento médico rubro-negro, explicou ao ge que o jogador apresentou evolução e maior disponibilidade física ao longo de 2026.
A estratégia passou a envolver a administração dos minutos em campo, buscando manter o atleta em condições de participar de compromissos considerados importantes.
Mesmo assim, houve uma interrupção entre agosto e setembro, quando uma lesão muscular na coxa esquerda o afastou por 22 dias.
O episódio foi apontado como o único problema físico que interrompeu sua sequência de participação na temporada até a entrevista de outubro.
A combinação entre planejamento médico, evolução clínica e utilização controlada representa uma mudança em relação aos períodos anteriores, quando os problemas físicos tinham maior impacto sobre sua continuidade.
Concorrência no meio-campo aumentou
Se a condição física melhorou, a disputa por posições ficou mais difícil.
O Flamengo conta com jogadores de características distintas no setor, incluindo Erick Pulgar, Jorginho, Saúl, Everton Araújo e Lucas Paquetá.
A chegada e a consolidação de outros nomes reduziram o espaço disponível para De La Cruz, que também passou a cumprir funções diferentes daquelas que o tornaram conhecido no River Plate.
Em determinados momentos, o uruguaio foi utilizado em uma posição mais recuada, aproximando-se da função de volante.
Essa adaptação modificou sua participação ofensiva e o colocou em concorrência com atletas especializados na proteção da defesa e na organização da saída de bola.
A situação tornou-se ainda mais interessante após a lesão de Arrascaeta, que precisou passar por cirurgia no início de outubro.
Com a ausência do camisa 10, Leonardo Jardim perdeu uma opção importante de criação, abrindo espaço para discutir novas combinações no meio-campo.
De La Cruz possui características que podem contribuir para a circulação da bola, a aproximação entre os setores e a construção de jogadas pelo centro.
Entretanto, não existe confirmação de que o treinador pretenda utilizá-lo diretamente na função de Arrascaeta. A disputa por espaço permanece aberta.
O que os números dos 100 jogos realmente mostram?
Uma marca centenária pode parecer modesta para um jogador contratado no final de 2023, mas precisa ser considerada no contexto de sua utilização.
Em 2024, De La Cruz registrou sua maior sequência com participação predominante entre os titulares. Já em 2025, o volume de minutos diminuiu significativamente.
A temporada de 2026 apresenta uma mudança de perfil: o uruguaio se tornou uma alternativa mais frequentemente acionada durante as partidas, em vez de um nome constante na escalação inicial.
No levantamento divulgado pelo ge, o jogador havia sido reserva utilizado 15 vezes até 20 de setembro de 2026, além das seis titularidades.
No mesmo período de 2024, havia entrado como reserva apenas uma vez.
A comparação demonstra uma transformação clara de status dentro do elenco.
O número de 100 jogos, portanto, representa permanência e superação de dificuldades físicas, mas também evidencia que o Flamengo ainda procura a melhor maneira de aproveitar um jogador contratado com grandes expectativas técnicas.
Libertadores pode representar uma nova oportunidade
O próximo compromisso do Flamengo será diante do Estudiantes, da Argentina, na quinta-feira (15), pelo jogo de ida das semifinais da Copa Libertadores.
A equipe de Leonardo Jardim também disputa a liderança do Campeonato Brasileiro, com uma sequência de partidas decisivas nas próximas semanas.
Nesse contexto, a disponibilidade de De La Cruz pode ganhar importância.
O uruguaio conhece o futebol argentino, acumulou experiência internacional pelo River Plate e tem familiaridade com competições sul-americanas.
Além disso, a ausência de Arrascaeta reduz as opções de criação no meio-campo, enquanto o calendário exige alternativas para administrar o desgaste dos titulares.
Isso não significa que De La Cruz esteja próximo de conquistar uma vaga na equipe inicial. Significa que suas características e sua condição física podem voltar a ser consideradas com mais frequência nas escolhas da comissão técnica.
A centésima partida chegou em uma vitória importante, diante de um rival histórico, mas o desafio do jogador não termina na comemoração.
Depois de três temporadas marcadas por diferentes momentos físicos e esportivos, De La Cruz chega à reta final de 2026 com a oportunidade de demonstrar que ainda pode ter participação relevante nas decisões do Flamengo.




