O SONHO FOI EMBORA, A DECEPÇÃO CHEGOU
A Copa Libertadores da América não é uma competição qualquer. Não é o Campeonato Brasileiro, não é a Champions League. É uma competição que tem sua própria história, sua identidade e, principalmente, uma exigência que vai muito além da qualidade técnica. Para conquistar a América, é preciso ter espírito de luta, personalidade, inteligência e capacidade de superar adversidades.
E foi justamente isso que o Estudiantes mostrou dentro do Maracanã.
O time argentino chegou ao Rio de Janeiro sabendo de suas limitações. Encontrou um Flamengo com um elenco muito mais valorizado, diante de mais de 70 mil torcedores e com a obrigação de vencer. Ainda assim, não se intimidou.
Quando perdeu um jogador logo no início do segundo tempo, o Estudiantes teve que se reinventar. Seu treinador, Alexander Medina, compreendeu a realidade da partida. Organizou a equipe, protegeu os espaços e fez o possível para levar a decisão aos pênaltis.
E conseguiu.
Não foi uma classificação construída com espetáculo, mas com disciplina, sacrifício e inteligência. O Estudiantes soube jogar com as armas que tinha. Mereceu avançar porque compreendeu algo que o Flamengo parece ter esquecido: na Libertadores, nem sempre vence quem tem mais dinheiro, mas quem sabe competir melhor.
E O FLAMENGO, O QUE FEZ?
É difícil explicar como um clube que investiu tanto dinheiro em contratações, que possui jogadores experientes e uma estrutura de primeiro nível, não conseguiu vencer um adversário que atuou durante quase todo o segundo tempo com dez jogadores.
Não estamos falando de um jogo qualquer. Estamos falando de uma semifinal de Libertadores, dentro do Maracanã, com a possibilidade de alcançar mais uma decisão continental.
O Flamengo teve a bola, teve tempo, teve vantagem numérica. Mas não teve aquilo que realmente importava: capacidade de decidir.
Leonardo Jardim também precisa ser questionado. O treinador tinha praticamente todo o segundo tempo para encontrar soluções, mudar a dinâmica ofensiva e fazer o Flamengo transformar sua superioridade em gols.
Não conseguiu.
A eliminação nos pênaltis foi apenas o capítulo final de uma classificação que já estava escapando durante a partida.
JOGADORES MILIONÁRIOS, RESPOSTAS PEQUENAS
O futebol tem dessas coisas. Um jogador pode decidir uma partida ou desperdiçar uma oportunidade. Pode converter um pênalti ou perder. Faz parte do esporte.
Mas quando um clube realiza investimentos milionários, a cobrança naturalmente aumenta.
Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique desperdiçaram suas cobranças. Muslera teve seus méritos, fez três defesas e levou o Estudiantes à final.
Não podemos transformar um erro individual em sentença definitiva sobre a carreira de um jogador. Entretanto, também não podemos ignorar o contexto.
Afinal, o Flamengo está fazendo as contratações certas?
Está contratando apenas nomes de peso ou jogadores que realmente atendem às necessidades da equipe?
Está construindo um elenco equilibrado ou acumulando atletas caros, experientes e, em alguns casos, com dificuldades físicas para manter uma sequência de alto rendimento?
São perguntas que precisam ser feitas, porque o tamanho do investimento não pode servir como desculpa para a ausência de resultados.
O ANO ESTÁ ESCAPANDO DAS MÃOS
Chegamos ao final de outubro e o Flamengo já está fora da Copa do Brasil e, agora, também da Libertadores da América.
Restou o Campeonato Brasileiro.
O Rubro-Negro lidera com 67 pontos, mas tem apenas um de vantagem sobre o Palmeiras. Uma diferença pequena demais para imaginar que o título já esteja encaminhado.
O Flamengo ainda pode terminar a temporada campeão brasileiro, mas precisa entender que não existe margem para continuar cometendo os mesmos erros.
E aqui está uma das maiores preocupações: a equipe que sonhava com uma temporada histórica agora corre o risco de terminar o ano com um sentimento de frustração muito maior do que se imaginava.
O sonho continental foi embora. A decepção chegou.
A REFORMULAÇÃO NÃO PODE ESPERAR
O Flamengo precisa começar a pensar em 2027 agora.
Não basta contratar jogadores conhecidos, pagar cifras elevadas e imaginar que a qualidade individual resolverá todos os problemas.
É necessário avaliar o elenco com critérios técnicos, físicos e financeiros. Entender quais jogadores ainda conseguem competir em alto nível, quais enfrentam dificuldades recorrentes e quais posições realmente precisam de reforços.
A idade, isoladamente, não determina a capacidade de um atleta. Mas o histórico físico, a disponibilidade para jogar, a intensidade e o rendimento precisam fazer parte de qualquer planejamento sério.
O Flamengo necessita de equilíbrio entre experiência e juventude, qualidade técnica e capacidade física.
E a direção precisa assumir a responsabilidade pelas decisões tomadas. O problema não pode ser








