O Flamengo encontrará na semifinal da Libertadores um adversário que vive duas realidades distintas em 2026. Enquanto o Estudiantes enfrenta dificuldades para conquistar resultados no Campeonato Argentino, sua campanha continental revela uma equipe competitiva, capaz de decidir confrontos eliminatórios mesmo fora de casa.

O empate por 2 a 2 contra o Central Córdoba, no sábado (10), ampliou os questionamentos sobre a irregularidade do time comandado por Alexander Medina. A partida, entretanto, também revelou informações importantes sobre a preparação argentina para receber o Flamengo na próxima quinta-feira (15), às 21h30, no Estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata.

A comissão técnica preservou jogadores fundamentais, promoveu o retorno de Tiago Palacios e utilizou o compromisso nacional para ajustar alternativas antes da semifinal.

O resultado ruim, portanto, não conta toda a história.

Dois gols sofridos em dois minutos expõem fragilidade defensiva

O Estudiantes abriu o placar diante do Central Córdoba com Miguel Monsalve, que marcou seu primeiro gol pelo clube após uma jogada individual dentro da área.

A vantagem, porém, desapareceu rapidamente.

O adversário aproveitou dois momentos consecutivos de desorganização defensiva e virou o confronto com gols de Sequeira e Santos, marcados em um intervalo de aproximadamente dois minutos.

O próprio Estudiantes reconheceu, no relato oficial da partida, que a defesa passou por um momento de desconcentração que permitiu a reação adversária.

O empate chegou ainda no primeiro tempo, quando Edwuin Cetré converteu um pênalti assinalado depois de intervenção do VAR.

Na etapa final, os argentinos criaram oportunidades para vencer, mas desperdiçaram finalizações de Adolfo Gaich, Eros Mancuso e Bautista Kociubinski.

O placar terminou em 2 a 2, resultado que evidenciou tanto a vulnerabilidade defensiva quanto a capacidade do Estudiantes de produzir situações ofensivas.

Para o Flamengo, a principal informação não está apenas nos dois gols sofridos. Está na maneira como o adversário encontrou dificuldades ao defender transições rápidas e reorganizar seus jogadores depois da perda da bola.

É uma característica que merece atenção na preparação de Leonardo Jardim, especialmente quando o Rubro-Negro consegue acelerar a circulação e atacar espaços antes que o adversário recomponha suas linhas.

Os números preocupantes no Campeonato Argentino

Depois de 12 rodadas do Torneio Clausura, o Estudiantes acumula apenas 14 pontos.

São quatro vitórias, dois empates e seis derrotas, com 15 gols marcados e 13 sofridos.

O aproveitamento é de 38,9% dos pontos disputados, desempenho que mantém a equipe fora da zona de classificação para os playoffs.

Os números também mostram uma dificuldade significativa de transformar produção ofensiva em vitórias.

Embora tenha marcado mais gols do que sofreu, o Estudiantes perdeu metade das partidas disputadas no Clausura.

O contraste entre saldo de gols positivo e quantidade elevada de derrotas indica uma equipe que consegue competir em determinados momentos, mas nem sempre mantém o desempenho durante os 90 minutos.

Esse cenário já vinha sendo observado antes do empate contra o Central Córdoba. No início de outubro, o time argentino acumulou derrotas consecutivas, incluindo a eliminação na Copa Argentina, e chegou à semana da semifinal pressionado por resultados.

Entretanto, utilizar exclusivamente esses números para antecipar o comportamento do Estudiantes na Libertadores seria uma leitura incompleta.

Medina poupou quatro jogadores fundamentais

A escalação utilizada contra o Central Córdoba não representou a formação mais forte disponível para a semifinal.

O Estudiantes confirmou oficialmente que Guido Carrillo, Fernando Muslera, Santiago Núñez e Joaquín Correa foram preservados da viagem a Santiago del Estero.

A decisão foi tomada por Alexander Medina para reduzir o desgaste de atletas considerados integrantes da estrutura principal da equipe.

Carrillo é uma das referências ofensivas do Estudiantes e já marcou contra o Flamengo nesta Libertadores.

Muslera, goleiro uruguaio de 40 anos, é um dos líderes do elenco e foi decisivo em partidas continentais.

Joaquín Correa representa outra alternativa importante na criação e na definição das jogadas ofensivas.

Santiago Núñez, por sua vez, amplia as possibilidades do treinador na organização defensiva.

Isso significa que a fragilidade apresentada no Campeonato Argentino precisa ser avaliada levando em consideração as mudanças de escalação.

O Flamengo não encontrará necessariamente a mesma estrutura que sofreu dois gols consecutivos contra o Central Córdoba.

Tiago Palacios volta e amplia as opções ofensivas

Entre as novidades mais relevantes da preparação argentina está o retorno de Tiago Palacios.

O meia-atacante estava afastado desde agosto, quando sofreu uma lesão muscular durante o confronto contra a Universidad Católica, pelas oitavas de final da Libertadores.

Depois de retomar os treinamentos e participar de atividades com bola, Palacios voltou a ser relacionado e entrou em campo diante do Central Córdoba.

Segundo o relato oficial do Estudiantes, o jogador mostrou mobilidade, participou das combinações ofensivas com Miguel Monsalve e conseguiu criar situações próximas da área adversária.

A atuação não foi suficiente para garantir a vitória, mas representou uma etapa importante de sua recuperação competitiva.

Palacios marcou três gols na fase de grupos da Libertadores e divide com Guido Carrillo a condição de principal artilheiro da equipe argentina na competição continental.

Sua recuperação amplia as possibilidades de Medina para montar um ataque com maior capacidade de movimentação, aproximação entre os setores e finalizações.

Ainda não existe confirmação oficial de que Palacios será titular contra o Flamengo, mas seu retorno aumenta as alternativas ofensivas do adversário.

Libertadores apresenta um Estudiantes diferente

A campanha continental demonstra por que o Flamengo precisa ter cautela diante dos resultados negativos dos argentinos.

O Estudiantes terminou a fase de grupos com nove pontos, atrás do próprio Flamengo, que conquistou 16.

Naquela etapa, o confronto entre as duas equipes em La Plata terminou empatado por 1 a 1, com gols de Luiz Araújo e Guido Carrillo.

No Maracanã, o Flamengo venceu por 1 a 0, com gol de Pedro.

Apesar da campanha menos expressiva na primeira fase, o Estudiantes cresceu nos confrontos eliminatórios.

Nas oitavas de final, empatou por 1 a 1 com a Universidad Católica em casa e venceu por 3 a 0 no Chile.

Nas quartas, enfrentou o Corinthians e novamente empatou o primeiro jogo em La Plata, desta vez por 1 a 1.

A classificação foi conquistada em São Paulo, com vitória por 1 a 0 e gol de Alexis Castro aos 42 minutos do segundo tempo.

A sequência revela uma característica importante: o Estudiantes não depende exclusivamente do mando de campo para sobreviver em confrontos eliminatórios.

Conseguiu suas duas classificações no segundo jogo, atuando fora de casa, e demonstrou capacidade para suportar momentos de pressão.

Onde estão os principais perigos para o Flamengo?

O primeiro ponto de atenção é Guido Carrillo.

O atacante argentino funciona como referência na área e oferece presença física para disputar cruzamentos, proteger a bola e finalizar.

Também já demonstrou capacidade para enfrentar a defesa rubro-negra, ao marcar o gol do empate no encontro da fase de grupos.

Outro nome relevante é Alexis Castro, protagonista da classificação contra o Corinthians.

O meio-campista marcou nos dois confrontos das quartas de final e mostrou capacidade de chegar à área adversária em momentos decisivos.

Tiago Palacios oferece uma característica diferente, com mobilidade e participação nas combinações ofensivas.

Joaquín Correa acrescenta experiência, enquanto Muslera representa segurança e liderança na defesa.

O Flamengo também precisa observar a capacidade do Estudiantes de competir até os instantes finais.

Contra o Corinthians, a equipe decidiu a classificação nos minutos derradeiros, mostrando que um jogo equilibrado pode mudar em uma única jogada.

O que o Flamengo pode explorar?

O encontro contra o Central Córdoba apresentou aspectos que podem orientar o estudo do adversário.

A primeira possibilidade envolve acelerar as transições ofensivas e procurar espaços antes da recomposição defensiva.

Outra alternativa é trabalhar a movimentação entre as linhas, utilizando jogadores capazes de receber a bola e atrair marcadores.

As atuações de Lucas Paquetá e Carrascal ganham relevância nesse contexto.

A capacidade de Paquetá para participar da construção e encontrar passes entre setores, combinada com a mobilidade de Carrascal, pode oferecer caminhos para superar a organização argentina.

Entretanto, o Flamengo também terá de lidar com ausências importantes.

Arrascaeta se recupera de uma fratura no punho esquerdo, enquanto Jorginho está suspenso para o confronto de ida. Danilo também será desfalque depois de sofrer duas fraturas na mandíbula e passar por cirurgia.

Leonardo Jardim precisará encontrar equilíbrio entre criatividade ofensiva e proteção defensiva, especialmente diante de um adversário que costuma explorar disputas físicas e bolas próximas da área.

As fragilidades vistas contra o Central Córdoba servem como indícios para a preparação, mas não constituem garantia de que serão repetidas com os titulares preservados de volta.

Um adversário pressionado, mas concentrado na Libertadores

O Estudiantes chega à semifinal sem a tranquilidade de uma boa campanha doméstica.

A sequência de resultados irregulares colocou a equipe fora da zona de classificação do Clausura, enquanto a eliminação da Copa Argentina reduziu suas possibilidades de conquistar títulos nacionais.

Por outro lado, a Libertadores ganhou ainda mais importância dentro do planejamento esportivo.

A decisão de preservar jogadores fundamentais contra o Central Córdoba demonstra que a comissão técnica argentina trata o confronto com o Flamengo como prioridade.

A classificação também tem dimensão histórica: o Estudiantes é tetracampeão da América e tenta voltar à decisão continental depois de 17 anos.

Para o Flamengo, a leitura precisa combinar os dois cenários.

Existe um adversário vulnerável em determinados momentos, mas também uma equipe que eliminou Universidad Católica e Corinthians, recuperou uma de suas principais peças ofensivas e preservou titulares para a semifinal.

A partida de quinta-feira poderá revelar qual dessas duas versões terá maior influência no confronto.

O Flamengo já venceu o Estudiantes nesta Libertadores, mas ainda não conseguiu derrotá-lo em La Plata na edição de 2026.

Em uma semifinal disputada em 180 minutos, aproveitar os momentos de instabilidade do adversário sem subestimar sua capacidade de reação será um dos principais desafios da equipe de Leonardo Jardim.