O Flamengo ainda terá mais de duas semanas de preparação antes de voltar a campo pela Libertadores, mas em La Plata a semifinal já começou a provocar preocupação. O Estudiantes, adversário rubro-negro na luta por uma vaga na decisão continental, saiu da final da Supercopa Internacional contra o Rosario Central não apenas com uma derrota por 3 a 1, mas também com três jogadores importantes entregues ao departamento médico.
Gabriel Neves, Jalil Elías e Guido Carrillo apresentaram problemas físicos durante a partida. O caso de Neves é o mais preocupante: o meio-campista uruguaio sofreu uma fratura no pulso esquerdo após uma queda ainda no primeiro tempo e precisou deixar o estádio para atendimento médico.
A sequência foi ainda mais incomum porque Jalil Elías entrou justamente no lugar de Neves e também não conseguiu permanecer em campo. Poucos minutos depois de ser acionado por Alexander Medina, sentiu a região posterior da coxa esquerda e precisou ser substituído.
Em menos de 20 minutos de partida, o Estudiantes já havia utilizado duas janelas de substituição por problemas físicos.
Como se não bastasse, Guido Carrillo também pediu para sair no segundo tempo. O capitão sofreu uma contratura na parte posterior da perna esquerda e será preservado pelo clube argentino na Copa Argentina. A avaliação inicial, porém, é mais otimista: o Estudiantes acredita que o atacante terá tempo suficiente para se recuperar até o primeiro encontro com o Flamengo, marcado para 15 de outubro.
O cenário não significa que o Flamengo encontrará um adversário desmontado na semifinal. Ainda existem mais de duas semanas até a partida em La Plata e, principalmente no caso de Carrillo, o planejamento do Estudiantes é justamente evitar riscos agora para ter o atacante disponível na Libertadores.
Mas a sucessão de problemas chegou em um momento delicado para o único representante argentino ainda vivo no torneio.
Carrillo é muito mais do que apenas um atacante do Estudiantes
Entre os jogadores que deixaram a decisão com problemas físicos, Carrillo merece atenção especial do Flamengo.
O centroavante é capitão, referência ofensiva e um dos jogadores mais utilizados pelo Estudiantes na temporada. Até o momento, soma 34 partidas em 2026, com nove gols e duas assistências.
É também um nome que o Flamengo conhece bem.
Quando Estudiantes e Flamengo se enfrentaram pela fase de grupos desta mesma Libertadores, em La Plata, Carrillo foi justamente o responsável pelo gol argentino no empate por 1 a 1. Luiz Araújo havia colocado o Rubro-Negro em vantagem ainda no primeiro tempo, mas o atacante empatou depois do intervalo.
Na volta, no Maracanã, o Flamengo venceu por 1 a 0, com gol de Pedro.
Esse retrospecto ajuda a dimensionar a importância de Carrillo para a semifinal. O Estudiantes enfrentará um adversário que já conhece e diante do qual não conseguiu vencer nas duas partidas anteriores, mas encontrou justamente no seu camisa 9 uma das principais armas para incomodar a defesa rubro-negra.
Por isso, a decisão de preservá-lo agora é compreensível.
O duelo contra o Flamengo vale muito mais.
Estudiantes já perdeu dois defensores para o jogo de ida
Os problemas físicos se somam a outras duas ausências que já estavam confirmadas antes mesmo da derrota para o Rosario Central.
Leandro González Pirez e Tomás Palacios receberam o terceiro cartão amarelo na vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians, nas quartas de final da Libertadores, e terão de cumprir suspensão automática justamente na primeira semifinal contra o Flamengo.
São duas perdas importantes para o sistema defensivo de Alexander Medina.
González Pirez vinha atuando como zagueiro, enquanto Palacios também havia sido utilizado na estrutura defensiva e participou diretamente da jogada que levou ao gol da classificação diante do Corinthians.
Diferentemente das situações de Carrillo e Jalil Elías, portanto, não existe expectativa de recuperação: os dois estão fora da partida em La Plata independentemente da evolução física do restante do elenco.
Isso obrigará Medina a reorganizar um setor fundamental justamente contra um Flamengo que chega à semifinal ainda invicto na competição e com um dos ataques mais fortes da atual Libertadores.
A derrota por 3 a 1 expôs uma noite complicada
O resultado da Supercopa Internacional também aumentou o peso dos problemas.
O Estudiantes começou a partida contra o Rosario Central da melhor maneira possível. Alexis Castro abriu o placar ainda no primeiro minuto, após uma jogada construída pelo lado esquerdo e participação de Carrillo.
A partir daí, no entanto, a decisão começou a escapar.
As lesões de Neves e Elías obrigaram Alexander Medina a mexer duas vezes no time muito cedo e alteraram a estrutura planejada para a partida. Rosario Central cresceu e chegou ao empate com Ángel Di María em cobrança de falta.
Ainda no primeiro tempo, Di María voltou a marcar, dessa vez em cobrança de pênalti, colocando o Rosario Central em vantagem. Já no último lance da partida, quando até o goleiro Fernando Muslera havia ido para a área adversária em busca do empate, Julián Fernández aproveitou o contra-ataque e marcou o terceiro.
Placar final: 3 a 1.
Uma derrota em final sempre pesa. Mas, para o Estudiantes, talvez o maior prejuízo não esteja sequer no resultado.
A equipe saiu da decisão tendo de reorganizar imediatamente seu planejamento físico para uma sequência que inclui Copa Argentina e, principalmente, a semifinal da Libertadores.
Libertadores mostra um Estudiantes diferente
Seria um erro, porém, utilizar a derrota para o Rosario Central como retrato definitivo do adversário que o Flamengo encontrará em outubro.
Na Libertadores, o Estudiantes tem mostrado outra capacidade de sobrevivência.
Depois de terminar a fase de grupos atrás do Flamengo, a equipe argentina passou pela Universidad Católica nas oitavas e eliminou o Corinthians nas quartas.
Contra o clube paulista, empatou por 1 a 1 em La Plata e venceu por 1 a 0 na Neo Química Arena, com gol de Alexis Castro aos 42 minutos do segundo tempo.
A classificação colocou o Estudiantes novamente entre os quatro melhores clubes da América depois de 17 anos.
É justamente esse comportamento em mata-mata que impede qualquer leitura de que os problemas recentes transformem a semifinal em um confronto simples.
O Flamengo possui um elenco mais profundo e chega com números superiores na competição, mas enfrentará uma equipe que já demonstrou capacidade para permanecer viva até os minutos finais e decidir partidas fora de casa.
Flamengo chega invicto à semifinal
Se o Estudiantes atravessa dias de preocupação, o Flamengo chega ao confronto carregando uma campanha de enorme consistência continental.
O Rubro-Negro terminou a fase de grupos com 16 pontos em 18 possíveis, a melhor campanha daquela etapa, e permanece sem derrotas na Libertadores de 2026.
Depois de avançar diante do Cruzeiro nas oitavas, o time de Leonardo Jardim eliminou o Independiente del Valle nas quartas. A classificação começou a ser construída no Equador, com vitória por 2 a 0, com gols de Bruno Henrique e Léo Pereira.
No Maracanã, mesmo atuando com dez jogadores e ficando atrás no placar, o Flamengo buscou o empate por 1 a 1 com Arrascaeta e fechou o confronto em 3 a 1 no agregado.
Existe ainda outro componente importante: Flamengo e Estudiantes não precisarão gastar os primeiros minutos da semifinal estudando completamente um ao outro.
Já foram dois confrontos nesta edição da Libertadores.
Em La Plata, empate por 1 a 1.
No Rio de Janeiro, vitória rubro-negra por 1 a 0.
Nenhum dos dois jogos teve grande diferença no placar.
Isso ajuda a explicar por que o momento atual do Estudiantes merece atenção, mas não autoriza qualquer clima de classificação antecipada.
Primeiro capítulo será em La Plata
A semifinal começa no dia 15 de outubro, às 21h30, no Estádio UNO Jorge Luis Hirschi, em La Plata.
A volta será exatamente uma semana depois: 22 de outubro, às 21h30, no Maracanã.
A confirmação da Conmebol dá ao Flamengo o direito de decidir diante de sua torcida uma vaga na final marcada para 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu.
Até lá, os dois clubes terão desafios diferentes.
O Flamengo utilizará a Data Fifa para recuperar jogadores, observar alternativas no elenco e preparar a reta decisiva da temporada.
O Estudiantes terá de fazer algo além: recuperar fisicamente peças importantes e reconstruir parte da defesa que entrará em campo no primeiro jogo sem González Pirez e Tomás Palacios.
A menos de três semanas da semifinal, portanto, ainda é cedo para saber qual será exatamente o Estudiantes que receberá o Flamengo.
Mas uma coisa já mudou desde a definição do confronto: Alexander Medina ganhou problemas que não estavam no planejamento.
E, em uma semifinal de Libertadores, cada peça perdida pode modificar muito mais do que apenas uma escalação.




