Existe uma pressão quase automática no Flamengo sempre que abre uma janela de transferências.
Surge um jogador importante disponível no mercado, aparece uma estrela sendo negociada na Europa ou o time perde uma partida e imediatamente começa a mesma discussão: o Flamengo precisa contratar.
Na minha visão, desta vez o clube está correto ao não entrar nessa corrida.
O Flamengo não precisa contratar por contratar.
Precisa contratar bem.
Existe uma diferença enorme entre essas duas coisas.
Hoje, o Flamengo possui, na minha opinião, o melhor elenco das Américas. É um grupo capaz de disputar os grandes títulos da temporada, com jogadores de alto nível, experiência internacional e alternativas praticamente em todos os setores.
O clube está vivo nas grandes competições que disputa e tem condições reais de terminar a temporada levantando mais de uma taça.
Então por que agir como se fosse necessário reconstruir o elenco?
Reforços, sim. Loucura financeira, não
Isso não significa que o Flamengo não tenha necessidades.
Tem.
Existem posições que podem receber jogadores com características diferentes. Um atacante de lado pode ser necessário dependendo das saídas. Um centroavante capaz de dividir minutos com Pedro também seria uma peça interessante.
São ajustes.
E é justamente assim que o Flamengo precisa olhar para o mercado neste momento.
A diretoria chegou a avaliar operações de maior impacto durante a janela, mas passou a trabalhar com a ideia de buscar jogadores mais pontuais e menos midiáticos.
Para mim, é a decisão correta.
Não existe necessidade de pagar dezenas de milhões de euros simplesmente para apresentar um grande nome.
Se aparecer um jogador que realmente aumente a qualidade do elenco, que tenha condições técnicas e emocionais de vestir a camisa do Flamengo e que ocupe uma posição necessária, a contratação deve ser analisada.
Mas precisa fazer sentido.
Dentro e fora do campo.
Flamengo também precisa cuidar do dinheiro
Existe uma ideia perigosa no futebol de que, porque um clube arrecada muito, ele deve gastar muito.
Não funciona assim.
O Flamengo construiu sua força esportiva justamente depois de passar por um longo processo de organização financeira. Hoje pode fazer investimentos que seriam impensáveis alguns anos atrás.
Esse patrimônio precisa ser protegido.
O clube não pode transformar toda janela em uma demonstração de poder financeiro.
Dinheiro em caixa também é patrimônio do Flamengo.
E administrar bem significa saber quando investir e também saber quando não investir.
O caso de Everton Cebolinha ajuda a colocar essa discussão em perspectiva.
O Flamengo autorizou o atacante a procurar uma transferência para o exterior e admite uma saída sem custos caso uma negociação seja encontrada.
Cebolinha ainda possui contrato, mas não há neste momento perspectiva de renovação.
Independentemente da decisão esportiva sobre sua permanência, situações desse tipo mostram como gestão de elenco também envolve controlar contratos, salários, vendas e ciclos de jogadores.
Não adianta somente comprar.
É preciso administrar aquilo que já foi comprado.
O melhor elenco das Américas não precisa ser reconstruído
O Flamengo gastou muito para chegar ao elenco atual.
E conseguiu montar um grupo extremamente competitivo.
Talvez por isso seja justamente a hora de a diretoria resistir à tentação de achar que toda solução precisa vir do mercado.
Existem jogos decisivos pela frente.
A Libertadores entra nas quartas de final. O Campeonato Brasileiro continua aberto. A pressão aumentará naturalmente conforme a temporada se aproximar das decisões.
Mas possuir jogos importantes pela frente não significa que seja preciso contratar cinco ou seis jogadores.
Significa que os jogadores que já estão no Flamengo precisam entregar aquilo que podem entregar.
Leonardo Jardim tem material humano.
Tem alternativas.
Tem experiência.
E tem um elenco capaz de competir contra qualquer equipe do continente.
Se faltarem uma ou duas peças específicas, que sejam buscadas.
O que não pode acontecer é gastar por ansiedade.
Contratação cara não significa contratação certa
O torcedor naturalmente se empolga com grandes nomes.
Faz parte.
Uma contratação milionária movimenta redes sociais, vende camisa, cria expectativa e gera manchetes.
Mas campeonato não é decidido pela quantidade de anúncios feitos durante uma janela.
É decidido pela qualidade do elenco, pelo trabalho do treinador, pelo rendimento coletivo e pela capacidade de responder nos grandes jogos.
Às vezes, o melhor reforço não é o jogador mais caro.
É aquele que resolve exatamente o problema que existe.
O Flamengo deveria procurar esse perfil.
Um atleta que possa entrar no elenco e ajudar imediatamente, sem obrigar o clube a entrar em leilões ou comprometer valores gigantescos somente pelo peso do nome.
Isso é contratar com inteligência.




