O placar de 3 a 0 sobre o Botafogo naturalmente coloca os gols de Samuel Lino e Carrascal entre os principais assuntos do clássico. Mas existe outra resposta importante deixada pelo Flamengo no Maracanã: o time voltou a terminar uma partida sem sofrer gols justamente depois de passar a semana discutindo seus problemas defensivos.

O assunto havia ganhado peso dentro do clube após uma sequência de quatro partidas consecutivas sendo vazado.

Antes do clássico, o Flamengo vinha de gols sofridos nos três confrontos contra o Cruzeiro — dois pela Libertadores e um pelo Campeonato Brasileiro — além da vitória por 5 a 1 sobre o Mirassol, partida em que novamente não conseguiu preservar a própria meta.

O último jogo sem sofrer gol havia acontecido em 9 de agosto, na vitória por 2 a 0 sobre o Vitória.

Era uma sequência que contrastava com uma característica importante das equipes campeãs recentes do Flamengo: a capacidade de controlar partidas também sem a bola.

Neste domingo, a resposta veio.

Com Rossi no gol e uma linha defensiva formada por Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas, o Flamengo venceu o Botafogo por 3 a 0 e voltou a sair de campo sem ser vazado.

Flamengo passou a semana discutindo os “gols evitáveis”

A preocupação não existia apenas fora do clube.

Durante a preparação para o clássico, o próprio elenco admitiu que havia problemas a corrigir.

Danilo foi um dos jogadores que abordaram o assunto depois da derrota por 2 a 1 para o Cruzeiro. O defensor avaliou que alguns dos gols sofridos pelo Flamengo eram evitáveis e apontou concentração e pressão sobre o jogador adversário que conduz a bola como aspectos que precisavam melhorar.

Rossi também tratou a questão como coletiva.

O goleiro ressaltou que defender bem não é responsabilidade exclusiva da última linha e lembrou que, conforme o jogo avança, o desgaste físico e principalmente mental pode provocar desconcentrações.

Foi exatamente esse cenário que o Flamengo levou para a semana de treinamentos.

Leonardo Jardim teve um período raro sem partida no meio da semana e utilizou parte desse tempo para trabalhar ajustes defensivos antes de enfrentar o Botafogo.

O resultado não transforma automaticamente a defesa em um setor resolvido.

Mas mostra uma reação imediata.

Números não eram ruins, mas sequência preocupava

Há uma diferença importante entre dizer que a defesa do Flamengo estava mal e reconhecer que o time havia desenvolvido um problema recente.

Antes da rodada, o Rubro-Negro havia sofrido 21 gols em 23 partidas no Campeonato Brasileiro, uma das melhores marcas da competição.

Portanto, não existia uma crise defensiva generalizada.

O alerta aparecia principalmente na frequência com que o Flamengo vinha permitindo gols.

Considerando todas as competições, o clube tinha disputado 50 partidas em 2026 e havia terminado somente 17 delas sem ser vazado antes do clássico.

Com o 3 a 0 deste domingo, passa a ser o 18º jogo sem sofrer gols em 51 partidas na temporada.

É um dado que ainda merece atenção.

Times que disputam Campeonato Brasileiro e Libertadores precisam encontrar formas diferentes de vencer. Em determinadas noites, o ataque não produzirá três, quatro ou cinco gols.

Nessas partidas, preservar uma vantagem mínima pode valer campeonato.

Botafogo chegou a ameaçar, mas Flamengo resistiu

Também seria exagerado dizer que o Flamengo simplesmente eliminou qualquer ameaça do Botafogo.

O adversário chegou a balançar a rede com Arthur Cabral no primeiro tempo, mas o lance foi corretamente invalidado depois de um toque de mão.

Na segunda etapa, o Botafogo deixou a postura mais defensiva e passou a ocupar o campo ofensivo com maior frequência em busca do empate.

A diferença para partidas recentes foi a capacidade do Flamengo de atravessar esse momento sem sofrer o gol que mudaria o jogo.

Durante boa parte da segunda etapa, o placar ainda era apenas 1 a 0.

Esse detalhe importa.

Se o Botafogo empatasse, toda a dinâmica emocional da partida seria alterada.

O Flamengo suportou o período de maior presença ofensiva adversária e, posteriormente, aproveitou os espaços deixados pelo rival. Samuel Lino marcou o segundo aos 40 minutos, e Carrascal completou o 3 a 0 três minutos depois.

A goleada foi construída no fim.

O controle defensivo permitiu que o Flamengo chegasse vivo a esse momento.

Um problema que vinha custando pontos

A preocupação com os gols sofridos aumentou porque alguns deles tiveram impacto direto na disputa pelo Campeonato Brasileiro.

Contra o Cruzeiro, na rodada anterior, o Flamengo sofreu a virada por 2 a 1 nos minutos finais.

Em outros momentos da temporada, falhas defensivas, finalizações de média distância e dificuldades para controlar vantagens também passaram a ser debatidas.

O problema ganhou ainda mais destaque porque a defesa havia sido uma das grandes forças do Flamengo anteriormente.

Na comparação apresentada antes do clássico, o time havia sofrido mais gols no mesmo recorte de Campeonato Brasileiro sob Leonardo Jardim do que havia sofrido sob Filipe Luís na temporada anterior.

Isso não significa que uma partida resolva a discussão sobre o sistema defensivo de Jardim.

Mas torna o 3 a 0 sobre o Botafogo uma resposta relevante.

Próximo teste já está marcado

O Flamengo terá pouco tempo para comemorar.

Na próxima quarta-feira, o time enfrenta novamente o Mirassol, desta vez no Maracanã, em partida atrasada do primeiro turno do Campeonato Brasileiro.

Será mais uma oportunidade para observar se o clássico representou uma correção estrutural ou apenas uma noite positiva.

A sequência também é importante porque o Flamengo entrou nesta rodada tentando diminuir a distância para o Palmeiras e não pode depender constantemente de marcar muitos gols para conquistar três pontos.

Quanto mais apertada fica uma disputa por título, maior tende a ser o peso de uma defesa capaz de transformar 1 a 0 em vitória.