O Flamengo chegou à Data FIFA em uma situação que muitos clubes gostariam de ter.
É líder do Campeonato Brasileiro, está na semifinal da Libertadores e tem um elenco capaz de criar oportunidades contra praticamente qualquer adversário.
Mas existe um problema que precisa ser tratado durante essa pausa: o Flamengo cria muito mais do que transforma em gols.
E não estamos falando de uma equipe que encontra dificuldades para chegar à área adversária.
É justamente o contrário.
O Flamengo consegue construir jogadas, ocupar o campo ofensivo, colocar jogadores dentro da área e produzir situações para finalizar. O problema aparece justamente no último toque.
É nesse momento que uma jogada bem construída precisa virar gol.
E é aí que o Flamengo ainda desperdiça demais.
A Data FIFA oferece a Leonardo Jardim algo extremamente valioso nesta altura da temporada: tempo para trabalhar.
Só que existe uma parte desse problema que o treinador pode corrigir e outra que depende exclusivamente de quem está dentro do campo.
Jardim pode treinar. O jogador precisa executar.
O problema não é criar
Talvez essa seja a principal diferença na análise.
Seria muito mais preocupante se o Flamengo simplesmente não conseguisse produzir oportunidades.
Não é o caso.
Contra o Corinthians, por exemplo, Leonardo Jardim chegou a destacar o enorme volume ofensivo de sua equipe. Foram 33 finalizações contra apenas três do adversário. O treinador chegou a dizer que, pelo que o Flamengo produziu, poderia ter construído um resultado muito mais amplo.
Diante do Bragantino, novamente houve períodos de domínio e oportunidades para transformar a partida em um jogo mais tranquilo. O próprio Jardim reconheceu posteriormente que gostaria de uma equipe mais eficaz.
Portanto, existe uma base ofensiva funcionando.
O Flamengo chega.
O Flamengo cria.
O Flamengo entra na área.
Mas nem sempre o Flamengo mata.
E, na fase da temporada que começa agora, isso pode custar muito caro.
A dependência dos homens decisivos
Existe ainda outra questão que precisa ser observada.
Arrascaeta, Pedro e Bruno Henrique continuam sendo jogadores extremamente importantes quando o Flamengo precisa transformar uma oportunidade em gol.
Samuel Lino cresceu, passou a contribuir mais ofensivamente e também começou a encontrar o caminho das redes.
Isso é importante.
Mas o Flamengo ainda precisa aumentar o número de jogadores capazes de decidir uma partida.
Quando Arrascaeta, Pedro e Bruno Henrique estão bem, a capacidade ofensiva do time cresce de maneira evidente.
Quando esses jogadores não conseguem decidir, a equipe muitas vezes continua criando, mas encontra dificuldade para transformar o volume ofensivo em vantagem no placar.
Para um elenco com tantas opções, essa dependência precisa diminuir.
Não significa retirar protagonismo dos principais jogadores.
Significa dividir responsabilidade.
Quem estiver diante do gol precisa assumir que aquela oportunidade pode ser a única que aparecer em uma semifinal de Libertadores.
Jardim pode melhorar. Mas não pode finalizar
Leonardo Jardim tem responsabilidade nesse processo.
Durante a Data FIFA, o treinador pode trabalhar movimentos ofensivos, posicionamento dentro da área, aproximação entre jogadores, tomadas de decisão e diferentes situações de finalização.
Pode repetir jogadas.
Pode corrigir movimentos.
Pode mostrar imagens.
Pode criar exercícios específicos.
Pode colocar o atleta dezenas de vezes diante da mesma situação durante um treinamento.
Tudo isso aumenta a possibilidade de acerto.
Mas existe um limite para a influência do treinador.
Quando a bola chega ao jogador dentro da área, Jardim não consegue entrar no campo e colocar o pé na bola.
A decisão passa a ser do atleta.
Em muitos casos, são milésimos de segundo.
Chutar ou passar.
Bater colocado ou buscar força.
Finalizar de primeira ou dominar.
Cabecear no canto ou simplesmente tentar acertar o gol.
O futebol de alto nível é decidido justamente nesses pequenos momentos.
Por isso, além do treinamento, precisa existir capricho.
Não é falta de vontade.
Não é dizer que os jogadores estão desperdiçando oportunidades porque não querem acertar.
É entender que, nesse nível, a diferença entre uma boa jogada e um gol muitas vezes está na qualidade da última decisão.
E essa responsabilidade também precisa ser cobrada dos atletas.
Agora o preço do erro aumenta
Durante boa parte da temporada, ainda existe espaço para corrigir um jogo ruim na rodada seguinte.
Agora começa outro campeonato.
O Flamengo entra na reta decisiva do Brasileiro ocupando a liderança e terá pela frente uma semifinal de Libertadores.
A margem para desperdiçar oportunidades diminui.
Em um jogo eliminatório, não importa se uma equipe criou quinze oportunidades e o adversário criou três.
Se o adversário fizer uma e você desperdiçar as suas, o futebol não entrega prêmio pelo volume ofensivo.
Entrega classificação para quem colocou a bola dentro do gol.
No Campeonato Brasileiro acontece algo parecido.
Uma partida dominada que termina empatada porque o Flamengo desperdiçou oportunidades significa dois pontos deixados pelo caminho.
Faça isso duas ou três vezes e uma vantagem construída durante meses pode desaparecer.
É por isso que a Data FIFA precisa ser aproveitada.
Não para transformar completamente o Flamengo.
Não há necessidade disso.
O Flamengo precisa aproveitar esse período para aperfeiçoar justamente aquilo que pode separar uma grande temporada de uma temporada campeã.




