O Flamengo está nas quartas de final da Libertadores, mas a classificação diante do Cruzeiro deixou uma impressão que vai muito além da vaga. O que se viu no Maracanã foi uma equipe que entendeu o peso do jogo, se impôs desde o primeiro minuto e apresentou, principalmente no primeiro tempo, um futebol de candidato ao título.

O Cruzeiro é um grande adversário, tem qualidade e chegou ao Rio com condições reais de eliminar o Flamengo. Justamente por isso, a atuação rubro-negra ganha ainda mais valor. Não foi domínio diante de uma equipe frágil. Foi superioridade contra um time forte, que praticamente não conseguiu jogar durante boa parte da partida.

Flamengo entrou para mandar no jogo

Desde o início, o Flamengo tomou conta do campo. Pressionou, recuperou a bola rapidamente, criou oportunidades e empurrou o Cruzeiro para trás.

O 1 a 0 marcado por Arrascaeta premiou um primeiro tempo em que o placar poderia ter sido maior. Pelo volume de jogo e pelas chances criadas, o Flamengo poderia ter ido para o intervalo com dois ou até três gols de vantagem.

Esse é o ponto que mais me chamou atenção.

O Flamengo não entrou apenas para sobreviver a uma eliminatória. Entrou para mandar no jogo.

Houve intensidade, organização e clareza sobre o que fazer com a bola. Foi uma atuação madura, de uma equipe que parecia saber exatamente o que estava em disputa.

O empate testou o Flamengo

O início do segundo tempo trouxe o momento de maior preocupação.

O Flamengo voltou desatento, permitiu que o Cruzeiro crescesse e sofreu o empate com Lucas Romero. Em uma Libertadores, um gol como aquele pode mudar completamente uma eliminatória.

Só que a reação foi tão importante quanto o domínio do primeiro tempo.

O Flamengo não se perdeu emocionalmente, não abandonou a organização e não permitiu que o Cruzeiro transformasse o empate em controle da partida.

Pouco depois, retomou as rédeas do jogo e Samuel Lino marcou o gol da vitória por 2 a 1, resultado que confirmou a classificação rubro-negra por 3 a 2 no placar agregado.

Para mim, isso diz muito sobre a evolução desta equipe.

Um time campeão não é aquele que nunca sofre. É aquele que sabe reagir quando o jogo muda.

E o Flamengo mostrou essa capacidade no Maracanã.

Não basta ter o melhor elenco

Também ficou claro que não basta ter o melhor elenco.

É preciso saber utilizá-lo.

O Flamengo tem muitas opções e jogadores de alto nível, mas elenco, sozinho, não ganha Libertadores. É necessário organização, equilíbrio, compromisso e entendimento coletivo.

Contra o Cruzeiro, vimos essas características aparecendo juntas.

Individualmente, foi uma atuação muito forte de praticamente toda a equipe. Pedro participou diretamente das construções dos dois gols, Arrascaeta voltou a decidir e Samuel Lino apareceu justamente no momento da classificação.

O Flamengo apresentou aquilo que se espera de uma equipe construída para disputar os principais títulos.

Qualidade individual, sim.

Mas também organização coletiva.

Os números confirmam o domínio

Os números ajudam a dimensionar a atuação rubro-negra.

O Flamengo terminou a partida com 52% de posse de bola e nove finalizações no gol, contra apenas três do Cruzeiro.

A equipe ainda criou três grandes chances, enquanto o Cruzeiro não registrou nenhuma.

Mais importante do que simplesmente ter a posse foi a capacidade de transformar o controle da partida em perigo real.

O Flamengo conseguiu limitar um adversário de qualidade e, durante grande parte do confronto, fez o Cruzeiro jogar exatamente o jogo que não queria.

Isso demonstra a capacidade técnica e coletiva deste time.

Uma noite do tamanho da Libertadores

E tudo isso aconteceu diante de 72.481 torcedores no Maracanã, maior público de um clube brasileiro na Libertadores desde 2012. Foram 68.510 pagantes e uma renda de R$ 8,1 milhões.

Era uma noite de pressão.

Uma noite de responsabilidade.

Uma noite em que o Flamengo precisava mostrar se realmente estava preparado para avançar na competição.

E respondeu.

Ainda existem as quartas de final, depois uma eventual semifinal e, só então, a possibilidade de disputar o título.

Não faz sentido tratar a classificação como se a taça estivesse conquistada.

Mas também seria errado diminuir o que foi apresentado.

O Flamengo cresceu na hora certa

O que nós vimos no Maracanã foi uma partida digna de um time que pode chegar a uma final de Libertadores.

O Flamengo cresceu no momento certo da temporada.

Mostrou capacidade técnica, vontade, personalidade e evolução coletiva.

Enfrentou um grande adversário e conseguiu fazer com que esse adversário praticamente não jogasse durante uma parte significativa do confronto.

Isso tem peso.

Isso mostra força.

Ainda há uma longa luta pela frente, mas, pelo futebol apresentado contra um adversário do nível do Cruzeiro, o Flamengo mostrou que está no caminho certo.

Mostrou que quer a Libertadores e, mais do que isso, mostrou dentro de campo que tem condições de brigar por ela.