O Flamengo volta a campo nesta quinta-feira (8), contra o Santos, carregando mais do que a responsabilidade de defender a liderança do Brasileirão. Depois de 18 dias sem disputar uma partida oficial, o Rubro-Negro terá pela frente um problema que já apareceu em outras retomadas da temporada: a dificuldade de recuperar imediatamente o ritmo e o nível de atuação apresentado antes das paralisações.

Os números não mostram um Flamengo que necessariamente volta perdendo depois de cada pausa. A questão é mais específica.

Nas duas grandes retomadas anteriores de 2026 sob o comando de Leonardo Jardim, o time apresentou momentos de dificuldade para reencontrar rapidamente a intensidade, a agressividade e a regularidade que vinha demonstrando.

Agora, existe ainda um ingrediente diferente: enquanto o Flamengo passou mais de duas semanas sem competir, o Santos conseguiu jogar durante a Data Fifa.

O Peixe enfrentou o São Paulo no dia 2 de outubro, no Morumbis, e venceu por 2 a 1. Quando entrar em campo contra o Flamengo, terá apenas seis dias de intervalo entre partidas.

O Rubro-Negro, por outro lado, não atua desde 20 de setembro, quando venceu o Red Bull Bragantino por 2 a 1.

São 18 dias sem jogo oficial.

Na prática, o Santos chega à Vila Belmiro com 12 dias a menos de inatividade competitiva.

Primeira retomada terminou em derrota pesada

A primeira grande paralisação enfrentada por Leonardo Jardim no Flamengo aconteceu ainda no início de seu trabalho.

O Rubro-Negro empatou por 1 a 1 com o Corinthians no dia 22 de março e só voltou a campo em 2 de abril.

Foram 11 dias sem partida oficial.

O retorno aconteceu contra o Red Bull Bragantino e terminou da pior maneira possível: derrota por 3 a 0.

Mais do que o resultado, chamou atenção a atuação rubro-negra. O Flamengo teve dificuldades para construir jogadas, cometeu erros na saída de bola e mostrou pouca capacidade de reação ao longo da partida.

Aquela retomada, porém, também mostra por que é importante analisar os números com cuidado.

O Flamengo não entrou em crise depois da derrota.

Três dias mais tarde, reagiu justamente contra o Santos e venceu por 3 a 1. Na sequência, bateu o Cusco por 2 a 0 pela Libertadores.

A equipe iniciou então uma série positiva que chegou a oito partidas sem derrota, com sete vitórias, 20 gols marcados e apenas cinco sofridos.

Ou seja: o problema não esteve necessariamente no período posterior à Data Fifa.

Esteve principalmente no primeiro impacto da retomada.

Pausa da Copa mostrou outro tipo de dificuldade

A segunda grande interrupção da temporada aconteceu por causa da Copa do Mundo.

O Flamengo ficou aproximadamente 53 dias sem disputar uma partida oficial, entre o fim de maio e o retorno em julho.

Diferentemente da Data Fifa de março, a primeira partida depois da paralisação trouxe um resultado excelente.

O Rubro-Negro goleou a Chapecoense por 4 a 0 fora de casa.

À primeira vista, parecia que qualquer problema de retomada havia sido superado.

Os jogos seguintes mostraram que não era tão simples.

Na partida seguinte, o Flamengo empatou por 1 a 1 com o São Paulo, no Maracanã. Depois, novamente 1 a 1, dessa vez contra o Internacional no Beira-Rio.

Foi justamente depois dessa sequência que Leonardo Jardim reconheceu publicamente a diferença entre o Flamengo que existia antes da paralisação e o time que tentava reencontrar seu padrão.

O treinador afirmou que, antes da pausa, sua equipe era dominante e reconheceu que o Flamengo ainda não havia conseguido recuperar a mesma agressividade no início das partidas.

A declaração ajuda a explicar melhor o problema.

Não se trata necessariamente de voltar sem vencer.

Trata-se de recuperar imediatamente intensidade, ritmo e comportamento competitivo.

Números das duas retomadas

Considerando os três primeiros jogos depois das duas grandes paralisações anteriores, o Flamengo disputou seis partidas.

Foram três vitórias, dois empates e uma derrota.

O time marcou 11 gols e sofreu seis.

O aproveitamento em resultados, portanto, está longe de representar uma crise.

O recorte, entretanto, revela oscilações justamente nas partidas mais próximas ao retorno.

Depois da Data Fifa de março, veio imediatamente a derrota por 3 a 0 para o Bragantino.

Após a pausa da Copa, o Flamengo começou goleando, mas perdeu rendimento nos dois compromissos seguintes.

É nesse ponto que o duelo contra o Santos ganha importância especial.

Santos chega com ritmo diferente

A paralisação atual não atingiu os dois times da mesma forma.

O Flamengo ficou completamente afastado de partidas oficiais durante 18 dias.

O Santos não.

A equipe paulista aproveitou um jogo atrasado do Campeonato Brasileiro para enfrentar o São Paulo durante a Data Fifa e venceu por 2 a 1 no Morumbis.

Além do resultado, a partida ofereceu ao Santos algo que o Flamengo não teve: ritmo competitivo.

Treinamento consegue reproduzir movimentações, conceitos táticos, intensidade e situações de jogo.

Mas dificilmente reproduz completamente pressão, tomada de decisão e desgaste de uma partida oficial.

Por isso, a diferença de calendário é um elemento que Leonardo Jardim precisará administrar.

Jardim teve tempo para trabalhar

Se o Santos chega com vantagem no ritmo competitivo, o Flamengo teve outro benefício durante a paralisação.

Leonardo Jardim recebeu tempo.

O treinador conseguiu trabalhar durante vários dias com boa parte de seu elenco no Ninho do Urubu, ajustar comportamentos e preparar especificamente a equipe para a retomada.

Mesmo com jogadores convocados por seleções, a pausa abriu uma janela rara em uma temporada marcada por jogos praticamente a cada três ou quatro dias.

Esse período pode ser justamente a ferramenta utilizada pelo Flamengo para evitar que a dificuldade observada em retomadas anteriores volte a aparecer.

O confronto da Vila Belmiro, portanto, terá um teste dentro do próprio jogo.

O Flamengo precisará demonstrar se os 18 dias sem competir foram utilizados para recuperar jogadores e aperfeiçoar a equipe ou se a ausência de ritmo oficial voltará a pesar.

Os números recentes mostram que as paralisações não derrubaram o Flamengo por longos períodos.

Mas também mostram que reencontrar imediatamente o nível anterior nunca foi automático.

Contra um Santos que já voltou a competir, esse processo precisará acontecer desde o primeiro minuto.