O Flamengo chega à 30ª rodada do Campeonato Brasileiro diante de um dos maiores desafios de Leonardo Jardim nesta reta final da temporada. Além da necessidade de reagir ao empate por 2 a 2 com o Santos, na Vila Belmiro, o treinador terá de enfrentar o Fluminense, neste domingo (11), sem Arrascaeta e Jorginho, dois jogadores importantes para a construção ofensiva e o controle do meio-campo.

O cenário ganhou contornos ainda mais delicados após a última rodada. O Flamengo permanece na liderança do Brasileirão, com 61 pontos, mas viu a vantagem sobre o Palmeiras diminuir para apenas um. A equipe paulista chegou aos 60 pontos após derrotar o Bahia por 1 a 0.

A diferença é significativa em relação à situação anterior, quando o Flamengo tinha três pontos de vantagem. Agora, qualquer tropeço poderá custar a primeira colocação, dependendo do resultado do Palmeiras contra o Corinthians.

FLAMENGO TEM 70% DE APROVEITAMENTO, MAS VÊ LIDERANÇA AMEAÇADA

Os números mostram que o Flamengo continua realizando uma campanha consistente, apesar dos resultados recentes.

Após 29 partidas, o Rubro-Negro soma:

61 pontos conquistados.

18 vitórias, sete empates e quatro derrotas.

57 gols marcados e 25 sofridos.

Saldo positivo de 32 gols.

Aproveitamento de aproximadamente 70% dos pontos disputados.

O problema é que a disputa pelo título ficou consideravelmente mais apertada.

Segundo cálculos do Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a probabilidade de o Flamengo conquistar o Campeonato Brasileiro caiu de aproximadamente 76% para 63,8% após a 29ª rodada.

No mesmo período, as chances do Palmeiras aumentaram de aproximadamente 21% para 34,7%.

Isso representa uma redução superior a 12 pontos percentuais nas possibilidades de título do Flamengo e um crescimento de aproximadamente 13 pontos percentuais para seu principal concorrente.

Embora essas projeções não determinem o campeão, demonstram o impacto matemático dos pontos perdidos contra o Santos.

ARRASCAETA FORA E UM PROBLEMA NA CRIAÇÃO

A ausência de Arrascaeta representa uma perda importante para a organização ofensiva.

O uruguaio sofreu uma fratura no punho esquerdo durante um amistoso da seleção uruguaia contra a Coreia do Sul e precisou passar por cirurgia.

A recuperação deverá afastá-lo das semifinais da Libertadores e de parte da reta final do Campeonato Brasileiro.

Sem o camisa 10, Leonardo Jardim perde um jogador especializado na construção de jogadas entre as linhas adversárias, capaz de acelerar ataques com passes verticais e criar oportunidades em espaços reduzidos.

A substituição, portanto, não representa apenas uma troca de nomes.

O treinador precisa decidir se mantém a estrutura tática com outro armador ou modifica o posicionamento dos jogadores para distribuir a responsabilidade criativa entre diferentes setores.

JORGINHO TEM 18 CARTÕES E FICA FORA DE NOVAS DECISÕES

A expulsão de Jorginho contra o Santos agravou o problema.

O volante recebeu cartão vermelho após revisão do VAR em uma jogada na qual caiu sobre a bola e cometeu toque de mão dentro da área, originando um pênalti para o adversário.

O lance ocorreu depois de uma saída de bola arriscada que envolveu Rossi e o próprio meio-campista.

Com a expulsão, Jorginho cumprirá suspensão automática contra o Fluminense.

O jogador também já estava suspenso para a partida de ida da semifinal da Libertadores contra o Estudiantes, em razão da expulsão diante do Independiente del Valle, nas quartas de final.

Os números disciplinares chamam atenção.

Desde sua chegada ao Flamengo, há aproximadamente um ano e quatro meses, Jorginho acumula 18 cartões: 15 amarelos e três vermelhos.

A média é de aproximadamente uma advertência a cada 3,6 partidas.

Mais preocupante é a concentração de expulsões recentes: duas em menos de um mês, justamente quando o clube disputa as fases decisivas das duas principais competições da temporada.

A ausência retira do Flamengo um jogador que participa da organização da saída de bola, da circulação dos passes e do posicionamento defensivo à frente dos zagueiros.

PAQUETÁ MARCOU 11 GOLS, MAS AINDA NÃO DEU ASSISTÊNCIAS

Lucas Paquetá aparece como uma das principais alternativas para assumir maior responsabilidade no setor.

Desde seu retorno ao Flamengo, no início de 2026, o jogador marcou 11 gols, mas ainda não registrou assistências, conforme levantamento divulgado pelo ge em 5 de outubro.

Os números revelam um contraste interessante.

Paquetá apresenta participação importante na finalização das jogadas, mas ainda não conseguiu transformar essa produção em passes diretamente responsáveis por gols dos companheiros.

Isso não significa ausência de criatividade, já que assistências dependem também da conclusão dos atacantes. Entretanto, demonstra que seu perfil ofensivo é diferente daquele apresentado tradicionalmente por Arrascaeta.

Leonardo Jardim já declarou que considera Paquetá prioritariamente um segundo volante, embora reconheça sua capacidade de atuar em posições mais adiantadas.

A avaliação do treinador torna a escolha ainda mais interessante.

Se Paquetá assumir a criação ofensiva, o Flamengo poderá manter uma estrutura semelhante à utilizada com Arrascaeta.

Por outro lado, se o jogador atuar recuado para substituir Jorginho, Jardim precisará encontrar outro nome para organizar o setor ofensivo.

CARRASCAL, SAÚL E DE LA CRUZ SÃO ALTERNATIVAS

O elenco oferece diferentes possibilidades, mas nenhuma reproduz exatamente as características dos dois titulares ausentes.

Jorge Carrascal chegou ao Flamengo com capacidade para atuar centralizado, embora venha sendo utilizado também pelos lados do ataque.

O colombiano oferece condução de bola, mobilidade e participação ofensiva, características que podem ajudar a compensar a ausência de Arrascaeta.

Saúl aparece como alternativa para reforçar a organização do meio-campo, enquanto De la Cruz oferece capacidade de movimentação e distribuição de jogo.

Samuel Lino também já foi utilizado como armador durante a temporada, apresentando rendimento positivo na função durante a intertemporada.

Entretanto, deslocá-lo para o centro significa retirar de uma das pontas um jogador que vem desempenhando papel importante no ataque.

Gonzalo Plata é outra possibilidade para atuar mais centralizado, especialmente em uma formação que privilegie movimentação e velocidade.

Cada alternativa apresenta vantagens e limitações, exigindo que Leonardo Jardim avalie não apenas a qualidade individual, mas principalmente o equilíbrio entre os setores.

TORCIDA PREFERE PAQUETÁ COMO SUBSTITUTO DE ARRASCAETA

Uma enquete realizada pelo ge, divulgada em 5 de outubro, revelou a preferência de parte dos torcedores rubro-negros pela utilização de Paquetá na função de armador.

Em uma votação com aproximadamente mil participantes, os resultados foram:

Lucas Paquetá — 55,6%.

Samuel Lino — 27,4%.

Jorge Carrascal — 16,4%.

Gonzalo Plata — 0,6%.

A consulta não representa uma pesquisa científica com toda a torcida, mas demonstra a expectativa de parte dos participantes em relação ao aproveitamento de Paquetá mais próximo dos atacantes.

A decisão final, naturalmente, dependerá das avaliações de Leonardo Jardim e das necessidades específicas de cada partida.

VARELA E LÉO ORTIZ VOLTAM A SER OPÇÕES

Apesar dos problemas no meio-campo, o Flamengo recebeu notícias positivas para o clássico.

O lateral-direito Guillermo Varela, que havia sido preservado contra o Santos após retornar da seleção uruguaia, voltou a ficar à disposição.

O zagueiro Léo Ortiz também poderá retornar depois de ter sido liberado para acompanhar o nascimento da filha.

Os dois reforços ampliam as alternativas defensivas de Jardim e podem contribuir para uma formação mais equilibrada.

O Flamengo realizará neste sábado seu último treinamento antes do confronto com o Fluminense.

CLÁSSICO É TESTE PARA O BRASILEIRO E A LIBERTADORES

O duelo contra o Fluminense terá importância que ultrapassa a rivalidade estadual.

O Flamengo precisa preservar a liderança nacional diante de um Palmeiras que reduziu a diferença para apenas um ponto.

Ao mesmo tempo, a equipe se prepara para enfrentar o Estudiantes nas semifinais da Libertadores.

A ausência de Arrascaeta e as suspensões de Jorginho obrigam Leonardo Jardim a encontrar soluções em um momento no qual o tempo de preparação é limitado e a margem para erros diminuiu.

Mais do que identificar substitutos individuais, o treinador terá de reconstruir parte do funcionamento do meio-campo sem perder capacidade de criação, intensidade defensiva e controle das partidas.

O clássico deste domingo será, portanto, um teste importante para medir até que ponto o Flamengo consegue manter seu rendimento diante de desfalques relevantes e de uma disputa pelo título cada vez mais apertada.