O Flamengo decidiu levar ao Supremo Tribunal Federal a discussão sobre os efeitos da Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no Brasil.

Em nota oficial publicada nesta quarta-feira, 30 de setembro, o clube confirmou que pediu ao STF para ingressar como amicus curiae na ADI 8.027/DF, ação que questiona a constitucionalidade da medida. Flamengo

Na prática, o Flamengo não é o autor da ação. O pedido é para participar do processo como interessado diretamente afetado, fornecendo informações, dados e argumentos ao Supremo antes da decisão.

O ingresso ainda depende de autorização do relator.

A movimentação ocorre num momento de forte preocupação dos clubes brasileiros com os efeitos financeiros da proibição das bets, principalmente sobre contratos de patrocínio já assinados e receitas que haviam sido incorporadas aos planejamentos das instituições.

Flamengo aponta impacto além do contrato com a Betano

Na manifestação divulgada pelo clube, o Flamengo deixou claro que pretende levar ao STF uma discussão que vai além de seu próprio contrato de patrocínio.

Entre os pontos citados estão os impactos da medida sobre o financiamento do esporte brasileiro, os contratos atualmente em vigor, a manutenção de modalidades olímpicas e de formação de atletas e a segurança jurídica de relações comerciais estabelecidas sob a legislação anterior. Flamengo

O Flamengo também afirmou que não se opõe à regulamentação do setor.

A posição do clube é de que mudanças dessa dimensão precisam respeitar princípios como segurança jurídica, proteção da confiança e fomento ao esporte, principalmente porque empresas, clubes e outras instituições realizaram investimentos e assumiram compromissos com base nas regras que estavam vigentes. Flamengo

Esse argumento é um dos pontos centrais da disputa.

O mercado de apostas foi regulamentado pelo próprio Estado brasileiro e diversas empresas pagaram outorgas para atuar legalmente no país. Agora, a nova medida determina a interrupção desse modelo e prevê a extinção das autorizações. Notícias STF

Clube reforça pedido de suspensão da medida

Segundo publicação do UOL, o Flamengo também reforçou no STF a necessidade de análise urgente dos pedidos cautelares apresentados pelas entidades do setor.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias apresentou a ADI 8.027, enquanto outras entidades também ajuizaram ações contra a MP, pedindo a suspensão total ou parcial de seus efeitos. UOL

O objetivo dessas ações é impedir que a medida produza efeitos considerados irreversíveis antes de uma análise definitiva pelo Supremo.

Entre os prazos mais sensíveis está a retirada das plataformas do ar e o fim da publicidade do setor, previstos para ocorrer poucos dias após a edição da MP. Sou Brasilia

Para os clubes, o problema não está apenas na perda de receitas futuras.

Há contratos vigentes, campanhas comerciais em andamento, materiais publicitários produzidos e planejamentos financeiros realizados com base em receitas que, até poucos dias atrás, eram consideradas legalmente válidas.

Betano está no centro da preocupação rubro-negra

No caso do Flamengo, a discussão tem impacto direto sobre o contrato com a Betano.

A casa de apostas ocupa o espaço máster da camisa e representa uma das maiores receitas comerciais do clube.

Flamengo e Betano decidiram manter o contrato em compasso de espera enquanto aguardam os próximos desdobramentos jurídicos e políticos da medida.

O clube já deixou claro que não pretende procurar outro patrocinador enquanto a situação contratual não estiver definida.

Por isso, a ofensiva jurídica no STF ganha importância.

Uma eventual suspensão dos efeitos da MP poderia alterar completamente o cenário e permitir a continuidade dos contratos enquanto a constitucionalidade da medida é analisada.

Caso isso não aconteça, os clubes terão de se adaptar rapidamente a uma nova realidade comercial.

Flamengo tenta ampliar discussão para todo o esporte

Na nota oficial, o Flamengo fez questão de afirmar que sua participação no STF não busca defender apenas um interesse próprio.

O clube argumenta que o impacto pode atingir todo o ecossistema esportivo, incluindo modalidades que dependem das receitas geradas pelo futebol para manter estruturas, atletas e projetos de formação. Flamengo

Essa é uma parte importante da estratégia.

Ao tentar ingressar como amicus curiae, o Flamengo procura mostrar ao Supremo que a discussão não envolve apenas casas de apostas e contratos publicitários, mas também consequências econômicas mais amplas para o esporte brasileiro.

Outros clubes também acompanham o caso e avaliam medidas semelhantes, embora nem todos tenham decidido participar individualmente das ações neste momento. UOL

O próximo passo agora depende do STF.

O pedido de ingresso do Flamengo precisa ser aceito, e as ações que questionam a MP continuam sob análise.

Até que exista uma decisão judicial ou uma mudança no Congresso, a medida continua produzindo efeitos conforme o cronograma estabelecido.