O Flamengo se pronunciou oficialmente na noite de quinta-feira (13) sobre a confusão no Mineirão registrada no acesso destinado à torcida rubro-negra, antes do empate por 1 a 1 com o Cruzeiro, pelas oitavas de final da Libertadores. O episódio ganhou repercussão após vídeos mostrarem uso de gás de pimenta, cassetetes e intervenção policial em meio à aglomeração de torcedores.

Na nota, publicada às 18h50, o clube afirmou que reconhece e valoriza a presença de sua torcida em jogos dentro e fora do Rio de Janeiro. O Flamengo também destacou que a segurança nos estádios depende da atuação conjunta de clubes, autoridades, organizadores e dos próprios torcedores.

Flamengo aponta problemas no acesso ao Mineirão

De acordo com o posicionamento oficial, algumas situações contribuíram para o tumulto nos portões destinados aos visitantes. O clube citou a chegada de parte do público muito próxima ao início da partida, a presença de pessoas sem ingresso e tentativas de entrada por portões diferentes daqueles indicados nos bilhetes.

O Flamengo afirmou ainda que esse tipo de situação dificulta a organização e pode prejudicar a maioria dos torcedores que vai ao estádio apenas para acompanhar a equipe.

No fim da nota, porém, um trecho chamou atenção. O clube agradeceu à Polícia Militar de Minas Gerais e aos demais órgãos públicos envolvidos pelo trabalho realizado durante a partida e informou que continuará em diálogo com autoridades e organizadores para garantir segurança à torcida rubro-negra.

Vídeos mostram gás de pimenta e cassetetes

A confusão aconteceu pouco antes do início da partida. Segundo relatos e imagens publicados por diferentes veículos, houve dificuldade no acesso ao setor visitante e uma aglomeração se formou nas catracas.

O UOL informou que alguns torcedores tentaram pular as catracas. A Polícia Militar utilizou gás de pimenta para dispersar o grupo e houve uso de cassetetes durante a intervenção. Alguns envolvidos foram detidos e, após a ação, parte do público foi autorizada a entrar.

O ge também registrou que as imagens mostram policiais usando gás de pimenta e que ao menos um torcedor rubro-negro foi atingido com um cassetete. A segurança privada do Mineirão também aparece envolvida na confusão.

O Lance!, que acompanhou o episódio no local, relatou que algumas pessoas apresentaram mal-estar após contato com o gás de pimenta e precisaram ser retiradas da área de maior concentração. O veículo também publicou imagens de um torcedor algemado e de uma torcedora passando mal.

É importante separar as situações. Tentar entrar sem ingresso, pular catracas ou desrespeitar os acessos determinados não pode ser normalizado. Ao mesmo tempo, as imagens da ação policial e os relatos de torcedores atingidos também levantam questionamentos sobre a forma como a ocorrência foi conduzida.

Nota do Flamengo gera discussão

O posicionamento do clube não acusa a Polícia Militar de abuso e não menciona especificamente os registros de torcedores atingidos por cassetetes ou afetados pelo gás de pimenta. Pelo contrário, o Flamengo agradeceu à corporação pelo trabalho realizado.

Esse contraste entre o texto oficial e as cenas divulgadas pela imprensa tende a gerar debate entre os rubro-negros. Uma coisa é reconhecer que existiram torcedores tentando acessar o estádio de maneira irregular. Outra é analisar se todos os procedimentos empregados para controlar a situação foram adequados e proporcionais.

Até a publicação das primeiras reportagens, veículos como ge haviam procurado a Polícia Militar de Minas Gerais e a administração do Mineirão por esclarecimentos.

O episódio ocorreu em uma noite de casa cheia. Cruzeiro e Flamengo colocaram mais de 60 mil pessoas no Mineirão para o primeiro confronto das oitavas de final da Libertadores. Dentro de campo, o jogo terminou empatado por 1 a 1 e a vaga será decidida no Maracanã.