O Flamengo entra em campo neste domingo sabendo que o confronto contra o Remo está longe de ser apenas mais uma partida do Campeonato Brasileiro.
Às 16h, no Mangueirão, em Belém, o Rubro-Negro encontrará um adversário pressionado, uma torcida mobilizada e um ambiente que promete transformar um duelo entre equipes de realidades muito diferentes em uma partida de enorme intensidade.
O Flamengo é favorito.
Tem elenco superior, vive momento melhor e chega à rodada ocupando a vice-liderança com 51 pontos, apenas um atrás do Palmeiras.
Mas favoritismo não ganha jogo.
E talvez esse seja exatamente o maior perigo deste domingo.
O Remo está na 19ª posição, soma 23 pontos e atravessa uma sequência de sete partidas sem vitória. Para uma equipe nessa situação, enfrentar o Flamengo diante de um Mangueirão lotado pode funcionar como uma espécie de final.
O clube paraense precisa reagir.
A torcida sabe disso.
E o Flamengo precisa entender desde o primeiro minuto que encontrará um adversário disposto a transformar cada disputa de bola em uma batalha.
Mangueirão prepara ambiente de pressão
A mobilização em Belém começou muito antes de a bola rolar.
Cerca de 40 mil torcedores já estavam garantidos no estádio na véspera do jogo, com diversos setores esgotados e expectativa de um dos maiores públicos do Remo na temporada.
Também houve muita discussão em torno dos valores dos ingressos.
A arquibancada para a torcida do Remo chegou a R$ 100. Esse preço é aproximadamente 70% superior à média bruta de R$ 58,65 registrada na Série A, embora sejam referências diferentes e não signifique que todos os ingressos do confronto tenham recebido aumento de 70%.
Para os flamenguistas, os valores ficaram ainda mais altos.
O ingresso de arquibancada visitante chegou a R$ 200, enquanto cadeira para a torcida rubro-negra chegou a R$ 400. Em ambos os casos, o valor anunciado ao visitante foi o dobro do inicialmente cobrado ao torcedor do Remo nos setores equivalentes.
O ambiente também ganhou tensão por causa da divisão das torcidas.
O Remo avisou que torcedores utilizando camisas de outros clubes nos setores destinados à torcida azulina serão impedidos de entrar. A mesma regra vale para o setor visitante, reservado aos flamenguistas.
Tudo isso ajuda a construir uma atmosfera muito diferente daquela sugerida simplesmente pela posição das duas equipes na tabela.
O Flamengo não enfrentará apenas o vice-lanterna.
Vai enfrentar um adversário pressionado, dentro de casa, diante de um estádio cheio e com um ambiente preparado para transformar o jogo em um grande acontecimento.
Flamengo não pode entrar pensando na quinta-feira
E é justamente aí que começa o dilema de Leonardo Jardim.
Poucos dias depois de enfrentar o Remo, o Flamengo estará em Quito para encarar o Independiente del Valle no jogo de ida das quartas de final da Libertadores.
É uma decisão continental.
Altitude.
Jogo fora de casa.
Mata-mata.
Naturalmente, a Libertadores ocupa espaço na cabeça da comissão técnica.
Mas o Flamengo não pode entrar no Mangueirão pensando no Equador.
Esse seria um enorme erro.
A distância para o Palmeiras caiu para apenas um ponto e cada partida do Campeonato Brasileiro começa a ter peso de decisão.
Se o Flamengo vencer o Remo, assumirá provisoriamente a liderança e colocará toda a pressão sobre o Palmeiras, que enfrenta o Botafogo posteriormente.
É uma oportunidade que não pode ser desperdiçada.
Leonardo Jardim precisa administrar o elenco, mas também precisa entender que o Campeonato Brasileiro está completamente aberto.
O Flamengo tem condições reais de ser campeão.
E equipes campeãs não podem escolher quais jogos levarão a sério.
Jardim vive uma decisão complicada
A discussão sobre utilizar força máxima ou preservar jogadores é legítima.
O Flamengo entra em uma sequência de cinco partidas em apenas 14 dias, dividindo atenções entre Brasileirão e Libertadores. O próprio Leonardo Jardim já deixou claro que considera fundamental utilizar todo o elenco e que o Flamengo não pode depender apenas de onze jogadores.
Ele está certo.
Mas rodar elenco não significa abrir mão de competitividade.
Contra o Remo, Jardim precisa encontrar esse equilíbrio.
Pode preservar uma ou outra peça.
Pode administrar minutagem.
Pode utilizar substituições mais cedo dependendo do andamento da partida.
O que não pode é colocar em campo uma equipe desconcentrada ou excessivamente modificada a ponto de perder intensidade.
Os três pontos são importantes demais.
Plata aumenta os problemas do treinador
Gonzalo Plata é mais uma peça que Leonardo Jardim não terá à disposição.
Depois da negociação frustrada com o Dínamo de Moscou, o atacante ainda não retornou ao Flamengo dentro do período inicialmente esperado.
Com isso, está fora do jogo contra o Remo.
E existe também incerteza sobre sua disponibilidade para o compromisso seguinte contra o Independiente del Valle.
A ausência pesa principalmente porque o calendário pede exatamente aquilo que Plata poderia oferecer: mais uma opção ofensiva para permitir a rotação do elenco.
Em uma sequência tão pesada, cada ausência reduz a margem de manobra do treinador.
Jardim terá de administrar seus atacantes sem contar com o equatoriano justamente em uma semana que combina disputa pela liderança e Libertadores.
Valencia e Joaquín podem estrear
Se Plata representa um problema, Anthony Valencia e Joaquín Freitas representam duas boas notícias.
Os dois reforços já estão regularizados, foram relacionados para a viagem e podem fazer suas estreias com a camisa do Flamengo no Mangueirão.
É uma situação interessante.
Leonardo Jardim ganha duas opções novas exatamente quando mais precisa aumentar o número de jogadores disponíveis.
Valencia pode oferecer velocidade e profundidade pelos lados.
Joaquín Freitas também chega como alternativa ofensiva e pode começar a ser introduzido gradualmente na equipe.
Não existe obrigação de que sejam titulares.
Mas tê-los no banco já muda bastante o cenário.
Dependendo do andamento da partida, Jardim pode utilizá-los para preservar jogadores ou simplesmente adicionar energia ao time durante o segundo tempo.
Vitão e De La Cruz também retornaram à lista de relacionados após se recuperarem de problemas físicos.
Aos poucos, portanto, o treinador volta a ganhar opções.
E precisará delas.
A liderança está ao alcance
Existe outro elemento que transforma Flamengo x Remo em um confronto especial.
A liderança.
O Palmeiras tem 52 pontos.
O Flamengo, 51.
Já não existe aquela diferença de jogos disputados que durante parte do campeonato dificultava a comparação entre os dois.
Agora a disputa é direta.
Rodada após rodada.
Ponto por ponto.
Se o Flamengo fizer sua parte em Belém e o Palmeiras tropeçar, o Rubro-Negro pode terminar o domingo na primeira colocação.
Não é pouca coisa.
Principalmente porque o campeonato começa a entrar em uma fase na qual recuperar pontos perdidos fica cada vez mais difícil.
O Flamengo precisa aproveitar confrontos contra equipes da parte inferior da tabela.
Não porque sejam jogos fáceis.
Mas porque um candidato ao título precisa transformar sua superioridade em pontos.
O perigo está justamente em achar que será fácil
No papel, ninguém deveria ter dúvida sobre qual equipe possui mais qualidade.
O Flamengo tem um dos elencos mais fortes do país.
O Remo luta contra o rebaixamento.
Mas futebol não é jogado no papel.
O Flamengo já mostrou durante a temporada que pode fazer partidas de enorme nível técnico e, poucos dias depois, apresentar quedas de rendimento dentro do mesmo jogo ou contra adversários teoricamente inferiores.
Isso precisa acabar nesta reta decisiva.
Contra o Remo, concentração será tão importante quanto qualidade.
O Flamengo precisa controlar o ambiente.
Não entrar nas provocações.
Não permitir que a pressão da arquibancada determine o ritmo da partida.
E principalmente não acreditar que o gol aparecerá naturalmente apenas pela diferença técnica.
O jogo precisa ser construído.
Do primeiro ao último minuto.




