Flamengo vence, encosta no Palmeiras, mas ainda deixa alerta

O Flamengo entrou em campo contra o Botafogo sabendo exatamente o tamanho do jogo que tinha pela frente.

Era um clássico carioca, no Maracanã, mas havia algo ainda maior em disputa: a necessidade de vencer para continuar vivo na briga pelo título do Campeonato Brasileiro.

E, durante o primeiro tempo, o Flamengo mostrou comportamento de quem entendeu a importância da partida.

O Rubro-Negro tomou conta do jogo, chegou a ter aproximadamente 75% de posse de bola, pressionou o Botafogo desde a saída, ocupou o campo ofensivo e criou oportunidades suficientes para construir uma vantagem muito maior antes do intervalo.

Samuel Lino abriu o placar, mas o Flamengo poderia ter feito mais.

Esse talvez tenha sido o primeiro alerta da noite.

O time dominou completamente o adversário, criou situações claras, mas novamente apresentou dificuldades para transformar superioridade em gols.

Em uma partida desse tamanho, desperdiçar tantas oportunidades deixa o jogo aberto desnecessariamente.

E foi exatamente o que aconteceu.

Outro Flamengo voltou para o segundo tempo

Depois de um primeiro tempo dominante, o Flamengo retornou do intervalo praticamente irreconhecível.

A intensidade caiu.

Os erros aumentaram.

Passes que pareciam simples começaram a ser desperdiçados, a saída de bola ficou presa e o Botafogo percebeu rapidamente que havia espaço para aumentar a pressão.

Durante alguns minutos, o Flamengo teve enorme dificuldade para atravessar o próprio campo.

Não conseguia encaixar contra-ataques, perdia bolas em regiões perigosas e passou a permitir que o adversário jogasse.

Essa oscilação não apareceu apenas neste clássico.

É um comportamento que começa a se repetir durante a temporada.

O Flamengo entra muito forte, domina o primeiro tempo, cria várias oportunidades e depois retorna do intervalo com uma queda inexplicável de concentração e intensidade.

Parece que o time desliga.

Leonardo Jardim reconheceu depois da partida que houve momentos de desconcentração e que a pressão exercida pelo Botafogo levou o Flamengo a cometer erros técnicos na saída de bola.

A explicação faz sentido.

O problema é aceitar que isso se torne normal.

Um elenco com a capacidade técnica do Flamengo precisa conseguir reagir quando o adversário modifica a marcação.

Não é possível que uma equipe com jogadores desse nível passe tantos minutos sem conseguir sair de uma pressão mais agressiva.

O placar não pode esconder os problemas

O Flamengo venceu por 3 a 0.

O resultado é excelente.

Mas quem assistiu ao jogo sabe que o placar final não conta completamente o que aconteceu durante os 90 minutos.

Durante boa parte do segundo tempo, o resultado ainda era de apenas 1 a 0.

O Botafogo havia crescido.

O Flamengo estava desconfortável.

Se o adversário encontrasse o empate naquele momento, a partida poderia assumir outra dimensão.

Foi então que Samuel Lino apareceu novamente.

No momento em que o Flamengo mais precisava respirar, o atacante marcou o segundo gol e praticamente encerrou qualquer possibilidade de reação do Botafogo.

Carrascal ainda faria o terceiro pouco depois.

O 3 a 0 terminou construindo a imagem de uma vitória tranquila.

Mas não foi uma partida tranquila durante todo o tempo.

E Leonardo Jardim precisa olhar exatamente para esse período.

Flamengo desperdiça oportunidades demais

Outro ponto que merece atenção é a quantidade de chances que o Flamengo continua deixando escapar.

Quando uma equipe domina um adversário durante praticamente todo o primeiro tempo, precisa aproveitar esse período.

Existem jogos em que serão criadas cinco, seis ou sete oportunidades claras.

Nessas partidas, o Flamengo precisa aprender a matar o jogo.

Fazer 2 a 0.

Fazer 3 a 0.

Tirar do adversário qualquer possibilidade de voltar emocionalmente para a partida.

Contra o Botafogo, o time teve condições de encaminhar o resultado ainda no primeiro tempo.

Não conseguiu.

E depois precisou atravessar um período de pressão que poderia ter sido completamente evitado.

Esse tipo de detalhe pesa cada vez mais à medida que os campeonatos entram em suas fases decisivas.

O resultado da rodada recoloca o Flamengo na briga

Se existem cobranças importantes a fazer, também existe uma realidade que não pode ser ignorada:

o Flamengo teve uma grande noite em termos de resultado.

Venceu um clássico por 3 a 0 e algumas horas depois viu seu principal concorrente pelo título tropeçar.

O Palmeiras ficou no empate por 1 a 1 com o Mirassol.

O resultado diminuiu a diferença entre os dois primeiros colocados e devolveu ao Flamengo uma oportunidade enorme no Campeonato Brasileiro.

O Palmeiras chegou aos 52 pontos.

O Flamengo tem 48.

Mas existe um detalhe fundamental: o Rubro-Negro possui uma partida a menos.

E ela será disputada justamente contra o Mirassol, na quarta-feira.

Se vencer, o Flamengo chega aos 51 pontos e ficará apenas um atrás do Palmeiras, com o mesmo número de partidas.

Isso significa que o campeonato voltou a ficar completamente aberto.

O Flamengo está, de fato, na briga pelo título.

Agora não existe espaço para desligamentos

É justamente por isso que as oscilações precisam ser corrigidas agora.

O Campeonato Brasileiro entrou em uma fase em que cada erro custa muito.

A Libertadores também caminha para seus jogos decisivos.

Dez minutos de desatenção podem definir uma eliminação.

Uma oportunidade desperdiçada pode significar dois pontos que farão falta na última rodada.

Por isso, Leonardo Jardim precisa sacudir esse elenco.

Não porque o Flamengo esteja jogando mal durante toda a partida.

Talvez seja exatamente o contrário que torne a situação tão frustrante.

O Flamengo mostra que consegue jogar um futebol de altíssimo nível.

O primeiro tempo contra o Botafogo provou isso.

O problema é sustentar esse nível.

O time precisa encontrar uma maneira de levar para o segundo tempo a mesma concentração, intensidade e capacidade de controle que apresenta no início das partidas.

Anthony Valencia pode aumentar as alternativas

A chegada de Anthony Valencia também pode ajudar nesse processo.

O equatoriano acrescenta velocidade, drible e intensidade ao setor ofensivo e poderá fornecer a Leonardo Jardim mais uma alternativa para modificar partidas.

Mas nenhum reforço resolverá sozinho os problemas apresentados pelo Flamengo.

O principal trabalho continua sendo interno.

É necessário corrigir a desconcentração, melhorar a tomada de decisão, aproveitar melhor as oportunidades e saber responder quando o adversário sobe as linhas.

O Flamengo tem elenco.

Tem qualidade.

E agora voltou a ter uma oportunidade concreta de disputar o título praticamente ponto a ponto com o Palmeiras.

O que não pode mais existir é desperdício.

Na quarta-feira, diante do Mirassol, o Flamengo terá uma nova oportunidade de mostrar que entendeu o momento da temporada.

Uma vitória colocará o time a apenas um ponto da liderança.

Depois de tudo o que aconteceu nesta rodada, o recado é simples:

o campeonato abriu novamente a porta para o Flamengo. Agora cabe ao Flamengo decidir se vai entrar.