Flamengo mal teve tempo para comemorar a liderança do Campeonato Brasileiro e já encontra pela frente um desafio completamente diferente. Na quinta-feira (10), às 21h30 de Brasília, o Rubro-Negro visita o Independiente del Valle, no Estádio Olímpico Atahualpa, em Quito, pelo jogo de ida das quartas de final da Libertadores.
O nome do adversário pode não ter o mesmo peso histórico de outros gigantes do continente, mas os números de 2026 dão um aviso claro: tratar o Del Valle como um rival acessível seria um erro.
O clube equatoriano construiu uma campanha muito consistente até chegar entre os oito melhores da América. Foi líder do Grupo H com 13 pontos e, nas oitavas, venceu o Deportes Tolima nas duas partidas: 1 a 0 na Colômbia e 3 a 1 no Equador.
O agregado de 4 a 1 colocou o Del Valle nas quartas sem necessidade de qualquer drama.
E é justamente em Quito que aparece o dado mais importante para o Flamengo.
Del Valle venceu todos em casa
O Independiente del Valle disputou quatro partidas como mandante nesta edição da Libertadores.
Venceu as quatro.
Na fase de grupos, bateu a Universidad Central por 3 a 1, goleou o Libertad por 4 a 1 e derrotou o Rosario Central por 1 a 0.
Nas oitavas, recebeu o Tolima e ganhou por 3 a 1.
São, portanto, quatro vitórias em quatro jogos, com 11 gols marcados e apenas três sofridos.
Isso representa média de 2,75 gols marcados por partida em casa na competição.
Mais importante: em todos os jogos em Quito, o Del Valle conseguiu abrir caminho para a vitória.
Não existe empate.
Não existe derrota.
Até agora, quem foi ao Equador nesta Libertadores voltou sem pontuar.
Ataque aparece como principal ameaça
O desempenho dentro do Equador não é um episódio isolado.
Na fase de grupos da Libertadores, o Del Valle marcou 11 gols em seis partidas. Depois acrescentou mais quatro contra o Tolima nas oitavas.
Chega, portanto, às quartas com 15 gols marcados em oito jogos, média próxima de dois por partida.
O paraguaio Carlos González aparece como principal finalizador da equipe. Ele marcou seis vezes ainda na fase de grupos e voltou a balançar as redes no confronto decisivo contra o Tolima.
Outro jogador que exige atenção é Junior Sornoza, experiente meia equatoriano responsável por boa parte da criação e também pelas bolas paradas.
Não é um time construído apenas para sobreviver à altitude.
O Del Valle procura ter a bola, ocupa o campo adversário e consegue transformar posse em volume ofensivo.
Campanha no Equador reforça o alerta
O desempenho continental acompanha aquilo que o Del Valle vem apresentando dentro do próprio país.
Ainda antes das oitavas da Libertadores, a equipe havia chegado a 61 pontos em apenas 24 partidas na fase regular do Campeonato Equatoriano e marcado 58 gols.
O primeiro lugar foi assegurado com seis rodadas de antecedência.
Os números mostram um time acostumado a vencer e, principalmente, a atacar.
Em média, naquela altura da competição nacional, eram mais de 2,4 gols por partida.
Portanto, o Flamengo não estará diante de um adversário cuja única vantagem é jogar em Quito.
Estará diante de uma equipe que apresenta produção ofensiva alta tanto no torneio nacional quanto na Libertadores.
O primeiro objetivo do Flamengo precisa ser sobreviver ao início
Jogos eliminatórios fora de casa têm uma lógica própria.
O Flamengo não precisa decidir a classificação na quinta-feira.
Precisa impedir que o Del Valle construa uma vantagem capaz de transformar o jogo de volta em uma corrida contra o relógio.
A partida no Maracanã está marcada para 17 de setembro, também às 21h30.
Isso dá ao time de Leonardo Jardim uma possibilidade clara: administrar os dois capítulos da eliminatória.
Mas administrar não significa entrar em campo apenas para defender.
Os números do adversário indicam que permitir pressão contínua pode ser perigoso.
Nas quatro partidas como mandante nesta Libertadores, o Del Valle marcou em todas. Em três delas fez pelo menos três gols.
A altitude acrescenta outra dificuldade
Quito também apresenta um desafio que não aparece na tabela.
A altitude interfere no ritmo da partida, principalmente para uma equipe que chega do nível do mar e precisa disputar 90 minutos em intensidade elevada.
O problema não deve ser usado como desculpa antecipada, mas faz parte do contexto.
Para o Flamengo, controlar a velocidade do jogo pode ser tão importante quanto controlar a posse.
Quanto mais a partida virar uma troca constante de ataques, corridas e transições, maior será a exigência física.
Por isso, Leonardo Jardim terá uma decisão interessante pela frente: manter a característica agressiva que vem dando resultado ou adaptar parte da estratégia às condições específicas da partida.
Um resultado pode mudar completamente a eliminatória
O retrospecto do Del Valle em casa aumenta ainda mais o valor de um bom resultado rubro-negro.
Se o Flamengo conseguir sair de Quito com empate ou vitória, obrigará o adversário a tentar fazer no Maracanã aquilo que nenhum rival conseguiu fazer no Equador até agora: assumir riscos longe de sua principal fortaleza.
Por outro lado, permitir uma vantagem confortável aos equatorianos pode transformar a volta em um jogo perigoso.
É esse equilíbrio que fará a partida de quinta-feira tão importante.
O Flamengo chega como atual campeão da Libertadores.
O Del Valle chega querendo conquistar justamente o grande título continental que ainda não possui.
São histórias diferentes.
Mas, dentro de campo, os números mostram que o confronto pode ser muito mais equilibrado do que os tamanhos das torcidas sugerem.




