O Flamengo entra em campo nesta quinta-feira (22), contra o Estudiantes, no Maracanã, com a possibilidade de decidir a classificação à final da Libertadores nos pênaltis. Depois do empate sem gols na Argentina, qualquer vitória será suficiente para avançar. Uma nova igualdade, porém, levará a semifinal diretamente para as cobranças, sem prorrogação.

Esse cenário levanta uma questão importante para Leonardo Jardim: quem estará preparado para assumir a responsabilidade se a classificação depender da marca penal?

A resposta não envolve apenas escolher cinco jogadores. Também passa por avaliar o momento dos atletas, a preparação do goleiro Rossi e as decisões tomadas durante os 90 minutos.

O QUE O REGULAMENTO DETERMINA?

O Manual de Clubes da Conmebol para 2026 estabelece que as semifinais são disputadas em dois jogos, com a diferença de gols como primeiro critério para definir o classificado.

Persistindo a igualdade no confronto, a vaga será decidida por cobranças de pênaltis, seguindo as regras da IFAB e da FIFA.

Isso significa que não haverá mais 30 minutos de futebol para reorganizar a equipe ou substituir jogadores depois do apito final do tempo regulamentar.

Caso a disputa chegue a esse ponto, Leonardo Jardim terá de trabalhar com os atletas elegíveis que estiverem em campo ao término da partida.

O PLANEJAMENTO COMEÇA ANTES DOS PÊNALTIS

Uma eventual decisão nos pênaltis não pode ser preparada apenas quando o árbitro encerra os 90 minutos.

O treinador precisa considerar quem tem experiência em cobranças, quem demonstra segurança nos treinamentos e quais atletas poderão permanecer em campo até o final.

A escolha também exige atenção ao desgaste físico e emocional.

Um jogador pode apresentar excelente capacidade técnica, mas chegar aos minutos finais depois de uma partida intensa, com sinais de fadiga. Outro pode entrar durante o segundo tempo e estar em melhores condições físicas para executar uma cobrança.

Isso não significa que os reservas sejam necessariamente melhores cobradores.

Significa que o planejamento deve considerar diferentes cenários, sem comprometer a tentativa de conquistar a classificação durante o jogo.

QUEM PODE ASSUMIR AS COBRANÇAS?

Lucas Paquetá possui um registro recente na própria Libertadores de 2026: marcou de pênalti na vitória por 3 a 0 sobre o Cusco, pela fase de grupos.

A cobrança comprova uma participação anterior, mas não autoriza concluir que ele será o primeiro nome de uma eventual série contra o Estudiantes.

Pedro, Jorginho, Bruno Henrique e outros jogadores experientes também podem entrar na avaliação da comissão técnica, dependendo de quem estiver disponível e permanecer em campo.

Entretanto, não há uma ordem oficial de cobradores confirmada para esta semifinal.

É importante distinguir experiência, capacidade técnica e aproveitamento estatístico. Para afirmar quem oferece maior segurança, seria necessário comparar todas as cobranças verificáveis de cada jogador, incluindo tentativas convertidas e desperdiçadas.

Uma lista construída apenas pela reputação dos atletas não seria suficiente.

ROSSI PODE SER DECISIVO?

Se a decisão chegar aos pênaltis, Agustín Rossi assumirá um papel central caso esteja defendendo o gol rubro-negro.

Na partida de ida, o argentino já foi exigido pelo Estudiantes e ajudou a preservar o empate sem gols.

Uma disputa de pênaltis, entretanto, apresenta exigências diferentes das defesas realizadas durante o jogo.

O goleiro precisa interpretar movimentos, observar os hábitos dos cobradores e tomar decisões em um intervalo muito curto.

As equipes podem estudar cobranças anteriores dos adversários, identificando tendências de direção, corrida e execução. Esses dados podem orientar a preparação, mas não permitem antecipar com certeza a decisão de cada cobrador.

Também seria incorreto apresentar Rossi como favorito em uma disputa sem um levantamento estatístico atualizado de suas defesas de pênaltis e das características dos possíveis cobradores argentinos.

A importância do goleiro é indiscutível. A probabilidade de sucesso exige dados, não apenas confiança.

AS SUBSTITUIÇÕES PODEM MUDAR O CENÁRIO

Outro aspecto relevante será a utilização do banco de reservas.

A necessidade de vencer pode levar Leonardo Jardim a realizar mudanças ofensivas ao longo da partida. Essas alterações também influenciam quem estará disponível se houver cobranças.

Um atacante substituído aos 70 minutos não poderá retornar exclusivamente para bater um pênalti.

Da mesma forma, preservar um jogador apenas pela possibilidade de uma disputa pode limitar alternativas importantes para resolver o confronto antes dos 90 minutos.

O equilíbrio será fundamental.

O Flamengo precisa montar um plano para conquistar a classificação com a bola rolando, sem ignorar a possibilidade de um desfecho diferente.

VENCER ANTES É O PRINCIPAL OBJETIVO

O Maracanã receberá a partida decisiva da semifinal com o confronto completamente aberto após o 0 a 0 em La Plata.

O Flamengo terá o apoio de sua torcida, mas enfrentará um Estudiantes que demonstrou organização defensiva e capacidade para dificultar a criação rubro-negra.

A equipe de Leonardo Jardim precisa melhorar sua produção ofensiva e procurar a vitória sem perder o equilíbrio.

Preparar os pênaltis não significa jogar pelo empate. Significa reconhecer uma possibilidade real prevista pelo regulamento.

Numa competição eliminatória, o planejamento deve contemplar diferentes caminhos.

E, se a classificação realmente for decidida na marca penal, cada escolha feita antes do apito final poderá ganhar importância decisiva.