A eliminação do Flamengo para o Estudiantes, na semifinal da Copa Libertadores, colocou novamente o comando do futebol rubro-negro sob pressão. E não é apenas Leonardo Jardim que tem futuro incerto. O diretor de futebol José Boto também poderá deixar o clube ao término da temporada de 2026.
Com contrato válido até dezembro, o português será avaliado pela diretoria, segundo informações divulgadas pelo jornalista Bruno Braz, do UOL, nesta sexta-feira (23). O desgaste com jogadores, as críticas à sua postura e os questionamentos sobre o planejamento do elenco estão entre os problemas que cercam sua continuidade.
A relação entre Boto e os atletas é uma das questões mais delicadas. Reportagens publicadas pelo ge revelaram que o dirigente evita contato frequente com o grupo, especialmente em momentos de crise, comportamento que incomoda jogadores desde a temporada passada. O distanciamento já havia sido questionado após a derrota para o Corinthians na Supercopa do Brasil, quando sua ausência no campo depois da partida chamou a atenção dos atletas.
A falta de proximidade contrasta com a expectativa de que o responsável pelo departamento de futebol acompanhe o elenco não apenas nas vitórias, mas também nos momentos de maior pressão.
O ambiente ficou ainda mais desgastado durante a demissão de Filipe Luís, em março. Segundo o ge, Boto comunicou a saída do treinador em uma conversa de menos de um minuto no vestiário do Maracanã. No treino seguinte, reuniu os jogadores e atribuiu a eles parte da responsabilidade pela mudança, criticando a preocupação de alguns atletas com melhorias contratuais em meio à queda de rendimento. O discurso desagradou ao grupo, que deixou a reunião sem responder ao dirigente. O episódio aprofundou uma relação que já vinha sendo marcada por dificuldades de comunicação e falta de confiança.
Outro ponto de insatisfação envolve a postura de Boto nos bastidores. Reportagens anteriores relataram que o dirigente circulava pelo Ninho do Urubu acompanhado de três seguranças e que determinadas atitudes eram consideradas excessivas por integrantes do clube. Também surgiram queixas sobre cobranças feitas a funcionários e sobre a maneira como o português se relaciona com diferentes setores do departamento de futebol.
Essas informações ajudam a explicar por que o desgaste não se restringe aos jogadores. O ge relatou, em agosto, que a permanência do executivo para 2027 já era considerada pouco provável, apesar de seu vínculo com o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap.
O desempenho no mercado de transferências também entrou na avaliação. Contratado para reformular o departamento de futebol e fortalecer a identificação de reforços, José Boto passou a receber críticas por decisões de contratação e pela dificuldade em solucionar carências do elenco. Mesmo com investimentos elevados, o Flamengo continuou enfrentando questionamentos sobre a ausência de alternativas em posições específicas, como a de centroavante reserva de Pedro e a ponta direita.
As negociações de renovação de jogadores também provocaram insatisfação. Embora tenha participado da estrutura que conquistou títulos importantes em 2025, o dirigente chega ao fim de 2026 com sua gestão novamente contestada.
A decisão final caberá ao presidente Bap, que tem mantido José Boto no cargo apesar das críticas internas. Como o contrato termina em dezembro, a diretoria poderá optar por não dar continuidade ao vínculo, sem necessariamente realizar uma demissão antecipada. Até o momento, não existe anúncio oficial de desligamento.
O que está confirmado é que seu trabalho será avaliado ao final da temporada. Depois da eliminação na Libertadores, o Campeonato Brasileiro representa a última grande oportunidade de resultado esportivo para o Flamengo em 2026, mas uma eventual conquista não elimina a necessidade de avaliar os problemas de relacionamento, planejamento e gestão acumulados ao longo do ano.








