O Flamengo já sabe onde está uma das principais ameaças do Estudiantes para a semifinal da Libertadores. Durante entrevista coletiva nesta quinta-feira, Léo Ortiz chamou atenção para Guido Carrillo, centroavante argentino que funciona como uma das principais referências ofensivas da equipe de La Plata.

Ao analisar o adversário, o zagueiro explicou que o Estudiantes utiliza muito o jogo direto sobre Carrillo, procurando o atacante para a disputa da primeira bola.

“Passa muito por um jogo de primeira bola em cima dele, que é um cara muito forte.”

A declaração poderia parecer apenas uma observação sobre o estilo do adversário. Mas os números e o histórico recente mostram por que Carrillo ganhou destaque na análise do defensor rubro-negro.

Carrillo é muito mais do que um finalizador

Aos 35 anos, Guido Carrillo mede 1,87 metro e pesa cerca de 86 quilos. O porte físico ajuda a explicar o papel que exerce no sistema ofensivo do Estudiantes.

Ele não é utilizado apenas para atacar a área.

Carrillo serve como referência para receber bolas longas, disputar pelo alto, proteger a posse e permitir que jogadores de meio-campo e pontas se aproximem para disputar a segunda bola.

É justamente esse mecanismo que Léo Ortiz destacou.

Na temporada de 2026, Carrillo disputou 20 partidas pelo Campeonato Argentino, com três gols e duas assistências. Na Libertadores, porém, sua participação é ainda mais relevante: são três gols em dez partidas, todas como titular.

O centroavante participou de mais de 90% dos minutos possíveis do Estudiantes na competição continental, mostrando que não é apenas uma opção ofensiva: é peça estrutural do time argentino.

Ele já marcou contra o Flamengo

O alerta de Ortiz também tem uma explicação muito simples: o Flamengo já sentiu na prática o peso de Carrillo.

Na fase de grupos desta Libertadores, Flamengo e Estudiantes se enfrentaram duas vezes.

No primeiro duelo, em La Plata, o Rubro-Negro abriu o placar com Luiz Araújo, mas Carrillo marcou o gol de empate no início do segundo tempo.

A partida terminou em 1 a 1.

O confronto mostrou várias características que agora voltam a preocupar o Flamengo.

Naquela noite, o Estudiantes terminou com 57 bolas longas, contra 36 do Flamengo. Também tentou 36 cruzamentos, enquanto a equipe rubro-negra realizou apenas seis.

Os argentinos ainda venceram 53,8% das disputas aéreas e cobraram oito escanteios, contra apenas dois do Flamengo.

Esses números ajudam a entender exatamente o cenário descrito por Léo Ortiz.

O Estudiantes não precisa necessariamente controlar a posse durante longos períodos para incomodar. O time argentino consegue transformar lançamentos, cruzamentos e disputas físicas em pressão próxima à área adversária.

Carrillo também apareceu nos momentos decisivos

A presença do camisa 9 não ficou restrita à fase de grupos.

Nas oitavas de final, contra a Universidad Católica, Carrillo marcou duas vezes na vitória por 3 a 0 no jogo de volta, resultado que classificou o Estudiantes para as quartas de final.

Na Libertadores de 2026, ele soma três gols.

Há ainda um dado histórico relevante.

Depois do empate contra o Flamengo na fase de grupos, a própria Conmebol destacou que Carrillo chegou a 11 gols em 25 partidas de Libertadores pelo Estudiantes, colocando o atacante entre os principais artilheiros recentes do clube na competição.

Isso reforça uma característica importante: Carrillo talvez não apresente números extraordinários quando analisado apenas pelo total de gols da temporada, mas cresce quando o Estudiantes joga a Libertadores.

Primeira bola é apenas metade do problema

Quando Léo Ortiz fala sobre a primeira bola, existe outro elemento que ganha importância: a segunda.

Carrillo pode vencer uma disputa aérea sem necessariamente direcionar a bola para o gol.

Muitas vezes, a função do centroavante é simplesmente manter a jogada viva.

O atacante disputa com o zagueiro, desvia ou protege a bola, enquanto jogadores como Tiago Palacios e os meio-campistas do Estudiantes se aproximam para atacar a sobra.

É nesse momento que a defesa precisa estar organizada.

Se o Flamengo conseguir vencer o duelo inicial, mas perder a segunda bola, o Estudiantes continuará instalado no campo ofensivo.

Por isso, o trabalho de Leonardo Jardim não passa somente pelos zagueiros.

Volantes, laterais e jogadores de meio-campo também terão participação importante no controle das sobras.

Bola parada aumenta o risco

Léo Ortiz também destacou outro aspecto relacionado ao mesmo problema: a força aérea do Estudiantes nas bolas paradas.

O time argentino possui jogadores altos e utiliza escanteios e faltas laterais como ferramenta ofensiva.

Em uma semifinal de Libertadores, esse tipo de lance ganha ainda mais importância.

Uma falta desnecessária próxima à área ou uma sequência de escanteios pode criar exatamente o cenário que interessa ao Estudiantes: jogadores concentrados dentro da área, contato físico e disputa pelo alto.

É mais um motivo para o Flamengo tentar controlar o jogo longe de sua própria área.

Os confrontos anteriores deixam pistas

Flamengo e Estudiantes já se encontraram duas vezes nesta edição da Libertadores.

Além do empate por 1 a 1 na Argentina, o Flamengo venceu por 1 a 0 no Maracanã, com gol de Pedro.

O cenário da semifinal, porém, será diferente.

Desta vez, o primeiro jogo será disputado em La Plata, no dia 15 de outubro, e a decisão será no Maracanã, uma semana depois.

O Flamengo já conhece o ambiente, conhece o adversário e conhece também a principal referência ofensiva.

Por isso, a declaração de Léo Ortiz não parece casual.

Carrillo representa justamente o tipo de jogo que o Estudiantes pode tentar impor diante de sua torcida: intensidade, bola longa, disputa física e pressão através da segunda bola.

O Flamengo já sabe onde o perigo começa.

Agora terá que impedir que ele se desenvolva.