A fratura no punho esquerdo sofrida por Giorgian de Arrascaeta durante a passagem pela seleção uruguaia em setembro de 2026 não é um caso isolado na trajetória do camisa 10 do Flamengo.

O Fla Opina reconstruiu o histórico dos problemas físicos do uruguaio nos últimos anos utilizando registros públicos da Associação Uruguaia de Futebol, comunicados do Flamengo e as datas em que o jogador voltou a ficar disponível ou retornou aos gramados pelo clube.

O levantamento encontrou quatro episódios anteriores de lesões ou problemas físicos diretamente relacionados a períodos com o Uruguai desde 2020, além da fratura atual.

Há ainda um quinto episódio, em 2022, no qual Arrascaeta retornou da seleção sentindo o tornozelo esquerdo e acabou desfalcando o Flamengo na Libertadores. Como não existe nos registros consultados uma confirmação de que a lesão tenha sido provocada em treino ou partida da Celeste, o Fla Opina trata esse caso separadamente.

A metodologia também exige uma ressalva importante: número de dias entre uma lesão e o retorno não significa necessariamente que todos eles tenham sido provocados exclusivamente pelo mesmo problema. O caso de 2026, por exemplo, começou quando Arrascaeta já se recuperava de uma fratura na clavícula sofrida atuando pelo Flamengo.

2020: lesão muscular durante treino do Uruguai

O primeiro episódio encontrado pelo levantamento ocorreu em outubro de 2020.

Em comunicado publicado em 11 de outubro, a Associação Uruguaia de Futebol informou que Arrascaeta havia terminado o treinamento do dia anterior com dores na parte posterior da coxa esquerda.

Os exames identificaram uma distensão grau 1 no bíceps femoral esquerdo, e o meia foi cortado da partida contra o Equador pelas Eliminatórias.

No Flamengo, o camisa 10 ficou fora da sequência imediata de partidas durante uma fase extremamente carregada do calendário.

Em 19 de outubro, nove dias depois do treino em que apresentou o problema, o próprio Flamengo já registrava Arrascaeta novamente realizando atividades no campo durante a preparação para enfrentar o Junior Barranquilla.

O período permite apontar ao menos nove dias de indisponibilidade decorrentes diretamente da lesão sofrida com o Uruguai, antes de sua reintegração aos trabalhos de campo.

2021: o episódio mais pesado da sequência

Um ano depois ocorreu um caso muito mais grave.

No dia 7 de outubro de 2021, Arrascaeta enfrentou a Colômbia pelas Eliminatórias e deixou a partida ainda durante o primeiro tempo.

No dia seguinte, a AUF confirmou uma lesão muscular no reto anterior da coxa direita e informou que o meia não teria condições de disputar os jogos seguintes contra Argentina e Brasil.

Arrascaeta voltou ao Flamengo para tratamento.

Seu retorno a uma partida do clube aconteceu somente em 20 de novembro, contra o Internacional, pelo Campeonato Brasileiro.

Entre a lesão, em 7 de outubro, e o retorno, passaram-se 44 dias.

Foi o período mais longo de ausência causado de forma clara por uma lesão sofrida durante uma partida da seleção uruguaia entre os casos analisados.

E aconteceu justamente durante uma reta decisiva da temporada do Flamengo.

2022: voltou da seleção com problema no tornozelo

Em março de 2022 ocorreu um caso diferente.

Após defender o Uruguai na Data Fifa, Arrascaeta retornou ao Flamengo sentindo dores no tornozelo esquerdo.

O próprio clube registrou posteriormente que o jogador havia voltado da seleção com o incômodo e que as dores se intensificaram depois da final do Campeonato Carioca.

Arrascaeta não viajou para enfrentar o Sporting Cristal, em 5 de abril, pela estreia da Libertadores.

No dia 7, dois dias depois da partida, o Flamengo informou que o uruguaio já estava treinando normalmente com o restante do elenco.

Portanto, existe impacto esportivo comprovado: o Flamengo perdeu Arrascaeta em pelo menos uma partida oficial após ele retornar da seleção com problema físico.

Mas o Fla Opina não inclui esse episódio na mesma conta das lesões comprovadamente sofridas em treino ou partida da Celeste, porque os registros consultados não permitem estabelecer essa origem com a mesma segurança.

2025: lesão contra a Argentina

O próximo episódio aconteceu na Data Fifa de março de 2025.

Arrascaeta foi titular do Uruguai contra a Argentina em 21 de março, pelas Eliminatórias.

O registro oficial da AUF mostra que o camisa 10 deixou a partida aos 42 minutos.

O jogador sofreu problema no adutor e retornou ao Flamengo para recuperação.

O impacto no clube pode ser conferido diretamente pelo próprio Flamengo.

Arrascaeta não participou da primeira rodada do Campeonato Brasileiro, contra o Internacional, nem da estreia da Libertadores diante do Deportivo Táchira. Na relação para a partida continental, o clube informou que o uruguaio seguia um planejamento de recuperação no CT George Helal.

O retorno aconteceu em 6 de abril, contra o Vitória, no Barradão. O próprio Flamengo registra que aquela foi a estreia de Arrascaeta naquele Campeonato Brasileiro. Ele voltou marcando gol.

Entre a partida contra a Argentina, em 21 de março, e o retorno contra o Vitória, passaram-se 16 dias.

Foram pelo menos duas partidas oficiais do Flamengo perdidas nesse período.

2026: nova lesão durante recuperação da clavícula

O caso de junho de 2026 é mais complexo e precisa ser apresentado com precisão.

Arrascaeta já estava lesionado antes de se apresentar ao Uruguai.

Ele se recuperava de uma fratura na clavícula sofrida defendendo o próprio Flamengo. Portanto, essa primeira lesão não pode ser colocada na conta da seleção.

O problema é que, já incorporado ao trabalho da Celeste, apareceu uma nova contusão.

Em comunicado oficial de 3 de junho, a AUF confirmou que Arrascaeta havia sofrido uma lesão muscular em um dos músculos da panturrilha durante a preparação da seleção uruguaia.

A partir daí, a recuperação passou a envolver não apenas a clavícula, mas também o novo problema muscular.

O retorno aos gramados pelo Flamengo ocorreu somente em 22 de julho, na vitória sobre a Chapecoense pelo Campeonato Brasileiro. O próprio clube registrou naquele jogo a volta do uruguaio aos gramados.

Entre o comunicado da lesão muscular, em 3 de junho, e o retorno ao Flamengo, passaram-se 49 dias.

Mas existe uma diferença fundamental em relação a 2021 e 2025.

Não é correto atribuir os 49 dias exclusivamente à panturrilha, porque Arrascaeta já estava em processo de recuperação da fratura na clavícula.

Por outro lado, também não é possível ignorar que uma nova lesão apareceu enquanto o jogador estava entregue à seleção uruguaia, prolongando e complicando um processo de recuperação que já estava em andamento.

Além disso, como o calendário brasileiro estava interrompido durante boa parte desse período por causa da Copa do Mundo, a ausência não pode ser convertida simplesmente em dezenas de partidas perdidas.

Setembro de 2026: agora, uma fratura no punho

O episódio mais recente ocorreu durante a atual Data Fifa.

Arrascaeta sofreu uma queda durante a partida da seleção uruguaia e apresentou fortes dores na mão esquerda.

Nesta segunda-feira, 28 de setembro, o Flamengo divulgou oficialmente o resultado dos exames realizados na Coreia do Sul.

Foi constatada uma fratura no punho esquerdo com indicação cirúrgica.

O clube informou ainda que Arrascaeta retornará ao Brasil, será reavaliado e depois seguirá o tratamento.

Até o momento da publicação deste levantamento, o Flamengo não divulgou oficialmente o tempo de recuperação.

Por isso, o Fla Opina não acrescenta à conta nenhuma previsão de 40, 50 ou 60 dias.

Essa contagem só poderá ser fechada quando houver diagnóstico pós-cirúrgico e definição médica do clube.

O que o levantamento do Fla Opina encontrou

Considerando os intervalos documentados entre cada problema e o retorno ou reintegração do jogador, temos:

2020 — coxa esquerda: pelo menos 9 dias até voltar aos trabalhos de campo.

2021 — coxa direita: 44 dias entre a lesão contra a Colômbia e o retorno ao Flamengo.

2022 — tornozelo esquerdo: voltou da seleção com dores e perdeu ao menos uma partida, mas o caso não entra na soma principal por não haver confirmação de que a lesão tenha ocorrido com a Celeste.

2025 — adutor: 16 dias entre Uruguai x Argentina e o retorno diante do Vitória.

2026 — panturrilha: 49 dias entre a confirmação da nova lesão e o retorno aos gramados, com a ressalva de que Arrascaeta já se recuperava anteriormente de uma fratura na clavícula.

Somados os intervalos de 2020, 2021, 2025 e 2026, chegamos a 118 dias corridos entre problemas físicos documentados enquanto Arrascaeta estava com a seleção uruguaia e sua volta ao trabalho ou aos jogos pelo Flamengo.

Mas o Fla Opina faz uma ressalva importante: esses 118 dias não podem ser vendidos simplesmente como “118 dias que o Uruguai tirou Arrascaeta do Flamengo”.

Em 2026 havia uma recuperação anterior da clavícula. Em 2020, usamos como referência sua volta documentada aos trabalhos de campo, e não necessariamente o primeiro jogo oficial. E o episódio de 2022 fica propositalmente fora da soma.

A diferença é justamente essa: apresentar o número junto com a metodologia que permite ao leitor entender o que ele realmente representa.

O prejuízo esportivo vai além dos dias

O histórico mostra algo que os números brutos não contam completamente.

Em 2021, o Flamengo perdeu Arrascaeta durante uma longa sequência justamente na reta decisiva da temporada.

Em 2022, recebeu o meia da seleção com dores e entrou na estreia da Libertadores sem ele.

Em 2025, o uruguaio voltou lesionado em plena transição entre competições estaduais, Brasileirão e Libertadores.

Em 2026, uma nova contusão muscular aconteceu enquanto ele ainda completava outra recuperação.

E agora surge uma fratura no punho, novamente durante um período em que Arrascaeta estava entregue à seleção uruguaia.

São lesões diferentes, contextos diferentes e graus diferentes de responsabilidade.

Mas existe um ponto comum: em todos esses casos, o jogador voltou ao Flamengo com sua disponibilidade física afetada depois de um período com a Celeste.