O Flamengo prepara uma transformação de grandes proporções em sua tradicional sede da Gávea. O clube trabalha em um megaprojeto estimado em aproximadamente R$ 500 milhões que prevê a construção de duas torres de dez andares, com dois hotéis, além de um shopping, centenas de vagas de estacionamento e uma nova estrutura de exploração comercial do patrimônio rubro-negro.
O tamanho do empreendimento ajuda a explicar por que gigantes do mercado financeiro já aparecem envolvidos nas discussões. Segundo informações do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, XP e BTG são apontados como favoritos para financiar o projeto e estão analisando o negócio. A operação ainda não foi fechada e a definição do financiamento é uma das etapas fundamentais para que o Flamengo possa avançar em direção às obras.
Duas torres e dois hotéis na sede da Gávea
O projeto atual prevê duas torres com dez andares cada. Elas abrigarão dois hotéis de quatro estrelas que, somados, terão 348 quartos.
É uma diferença importante em relação a versões anteriores discutidas para a área. O planejamento chegou a contemplar a instalação de um hotel cinco estrelas, mas o conceito foi reformulado. Agora, a proposta trabalha com dois empreendimentos hoteleiros de quatro estrelas.
As duas torres deverão ser construídas na região onde atualmente estão localizadas as arquibancadas do Estádio da Gávea, provocando uma mudança profunda na utilização daquele espaço.
E os hotéis representam apenas uma parte do projeto.
Shopping terá 82 lojas e complexo contará com 536 vagas
Além dos 348 quartos, o planejamento prevê um shopping com 82 lojas. Dessa maneira, o Flamengo pretende criar na própria sede uma estrutura que reúna hotelaria e atividade comercial em um mesmo complexo.
Outro número que mostra a dimensão do empreendimento é o estacionamento. Estão previstas 536 vagas, estrutura necessária para atender a movimentação esperada para os hotéis e a área comercial.
Somados, hotéis, lojas e estacionamento transformam o projeto em algo muito maior do que simplesmente erguer novas acomodações dentro da sede do clube.
O Flamengo possui na Gávea um patrimônio de enorme relevância. De acordo com informações do próprio clube, sua sede ocupa uma área de aproximadamente 73 mil metros quadrados em uma região nobre da Zona Sul do Rio de Janeiro, aos pés do Cristo Redentor.
É justamente a localização que aumenta o potencial econômico de uma operação dessa dimensão.
XP e BTG estão na frente pelo financiamento
Para transformar os planos em realidade, entretanto, existe uma etapa decisiva pela frente: financiar um empreendimento estimado em cerca de R$ 500 milhões.
É nesse ponto que aparecem XP e BTG.
De acordo com a apuração de Lauro Jardim, as duas instituições estão analisando o negócio e são atualmente apontadas como favoritas para participar do financiamento. Isso não significa que exista contrato assinado ou que uma das empresas já tenha sido escolhida pelo Flamengo.
Também é importante fazer uma distinção: a informação disponível neste momento coloca XP e BTG na disputa pela estrutura financeira do empreendimento. Portanto, não há confirmação de que as instituições serão “sócias” do Flamengo ou proprietárias dos hotéis.
O interesse de instituições desse porte, porém, ajuda a dimensionar o tamanho da operação financeira necessária para viabilizar o projeto.
BTG já possui forte presença no mercado hoteleiro
No caso do BTG, o interesse também encontra relação com a presença que a instituição já possui no segmento de hotéis no Brasil.
Fundos administrados pelo banco possuem participação em diversos ativos hoteleiros. Uma grande operação concluída em 2024 envolvendo ativos da AccorInvest chegou a movimentar até R$ 1,7 bilhão e incluiu empreendimentos importantes no Rio de Janeiro.
Esse histórico torna o setor hoteleiro um mercado conhecido pelo BTG e acrescenta contexto à presença do banco entre os favoritos para estruturar o financiamento do projeto rubro-negro.
Licença já foi concedida, mas obras ainda não vão começar
O projeto deu um passo importante em setembro, quando recebeu da Prefeitura do Rio de Janeiro a licença necessária para o empreendimento.
Isso, porém, não significa que as máquinas estejam prontas para entrar na Gávea.
A estruturação financeira continua sendo uma etapa essencial antes do início efetivo das obras. Somente depois do avanço dessa negociação deverá ser definida também a rede hoteleira que ficará responsável pela operação dos dois hotéis.
Portanto, ainda existem decisões importantes pela frente.
Novo caminho para gerar receitas com o patrimônio
Para o Flamengo, o projeto também representa uma oportunidade de ampliar a utilização econômica de um dos patrimônios mais importantes do clube.
Um complexo com 348 quartos, 82 estabelecimentos comerciais e 536 vagas possui potencial para criar diferentes fontes de receitas relacionadas à exploração do espaço. Os valores que efetivamente poderão chegar aos cofres rubro-negros, entretanto, dependerão do modelo financeiro e comercial que ainda será definido.
Por isso, ainda não é possível calcular quanto o Flamengo poderá ganhar anualmente com o empreendimento.
O que já é possível afirmar é que a proposta pretende transformar uma área da sede que hoje possui uma utilização completamente diferente em um complexo hoteleiro e comercial de grande porte.
A Gávea entra em uma nova dimensão
A sede da Gávea faz parte da história do Flamengo e concentra instalações administrativas, sociais e esportivas do clube. Agora, uma área desse patrimônio poderá receber um dos maiores projetos comerciais já idealizados pela instituição.
São aproximadamente R$ 500 milhões envolvidos no planejamento.
São duas torres.
São dois hotéis de quatro estrelas.
São 348 quartos.
São 82 lojas.
E são 536 vagas de estacionamento.
Com XP e BTG avaliando o financiamento e a licença municipal já concedida, o projeto começa a apresentar sinais mais concretos de avanço. Ainda há uma distância entre planejamento e obra concluída, mas a dimensão dos números revela a ambição do Flamengo para o futuro da Gávea.
Se conseguir estruturar o negócio preservando seu patrimônio e criando novas receitas recorrentes, o clube poderá transformar uma das áreas mais tradicionais de sua história em um ativo econômico capaz de produzir resultados por muitos anos.




