Lucas Paquetá alcançou uma marca importante com a camisa do Flamengo. Ao marcar no empate por 2 a 2 com o Santos, na quinta-feira (8), na Vila Belmiro, o meia chegou aos 30 gols pelo Rubro-Negro, considerando suas duas passagens pelo clube. O número, confirmado pelo Flamengo, esconde um detalhe ainda mais interessante: o jogador igualou sua melhor marca goleadora em uma única temporada, registrada em 2018.

Dos 30 gols marcados pelo clube, 12 aconteceram desde o retorno em 2026. O desempenho chama atenção porque Paquetá alcançou o mesmo número de gols de oito anos atrás em uma quantidade significativamente menor de partidas.

Mais do que um marco individual, os números ajudam a compreender a transformação do jogador, que retornou ao futebol brasileiro depois de experiências no Milan, Lyon e West Ham.

MARCA DE 2018 É IGUALADA COM MENOS JOGOS

Em 2018, último ano de sua primeira passagem pelo Flamengo, Paquetá marcou 12 gols em 56 partidas. Naquela temporada, também contribuiu com seis assistências, consolidando-se como uma das principais revelações do clube.

O desempenho despertou o interesse do futebol europeu e abriu caminho para sua transferência ao Milan.

Oito anos depois, o meia voltou a alcançar os mesmos 12 gols, mas em apenas 36 partidas, segundo levantamento estatístico publicado nesta sexta-feira (9).

A diferença de 20 jogos revela uma mudança expressiva na frequência com que o jogador encontra o caminho das redes.

Em 2018, sua média foi de aproximadamente 0,21 gol por partida. Em 2026, o índice chegou a 0,33.

Isso significa que Paquetá passou a marcar, proporcionalmente, com maior frequência do que na temporada que antecedeu sua primeira transferência para o futebol europeu.

Embora a quantidade de jogos não permita avaliar isoladamente toda a contribuição de um meio-campista, o crescimento da média representa um dado relevante sobre sua atuação ofensiva.

GOL CONTRA O SANTOS AMPLIA ESTATÍSTICA

A marca foi alcançada no primeiro tempo da partida contra o Santos.

Após uma cobrança curta de escanteio, Carrascal levantou a bola na área e Paquetá apareceu para finalizar de cabeça, ampliando a vantagem rubro-negra para 2 a 0.

O gol surgiu em uma situação que evidencia uma característica importante do meia: sua capacidade de chegar à área e participar diretamente das finalizações.

Paquetá não precisa atuar como atacante para encontrar oportunidades de marcar. Sua movimentação permite ocupar espaços mais avançados durante a construção ofensiva, oferecendo uma alternativa para os jogadores responsáveis pela criação.

Contra o Santos, essa característica apareceu de maneira decisiva.

O Flamengo construiu a vantagem com gols de Danilo e Paquetá ainda na primeira etapa, mas acabou sofrendo o empate depois de duas cobranças de pênalti convertidas por Neymar.

O resultado deixou frustração entre os rubro-negros, especialmente pelas circunstâncias da partida. Ainda assim, a marca individual de Paquetá merece registro.

DE VOLTA AO FLAMENGO COM OUTRA RESPONSABILIDADE

O jogador que deixou o Flamengo em 2018 tinha 21 anos e estava no início de sua trajetória profissional.

Naquele momento, destacava-se pela técnica, mobilidade e capacidade de participar da organização ofensiva.

O retorno em 2026 aconteceu em circunstâncias diferentes.

Depois de atuar no futebol italiano, francês e inglês, além de representar a Seleção Brasileira em competições internacionais, Paquetá voltou com uma experiência muito maior.

A passagem pelo futebol europeu ampliou seu repertório tático e sua capacidade de atuar em diferentes funções no meio-campo.

Essa versatilidade oferece possibilidades importantes ao técnico Leonardo Jardim, que pode utilizar o jogador tanto na construção das jogadas quanto em posições mais adiantadas.

Os 12 gols marcados desde o retorno sugerem que essa liberdade para chegar à área pode representar uma das principais contribuições do meia na temporada.

EFICIÊNCIA OFENSIVA NÃO SIGNIFICA DEPENDER APENAS DOS GOLS

Apesar da evolução goleadora, seria precipitado avaliar toda a temporada de Paquetá apenas pela quantidade de bolas na rede.

O desempenho de um meio-campista envolve outros elementos, como participação na circulação da bola, pressão sobre o adversário, movimentação sem a posse e capacidade de acelerar as transições ofensivas.

Além disso, existe uma diferença entre marcar gols e assumir integralmente a organização da equipe.

Paquetá apresenta características que permitem contribuir nas duas funções, mas o equilíbrio coletivo depende da maneira como Leonardo Jardim organiza o setor.

Com Arrascaeta afastado por lesão, essa discussão ganha importância.

O Flamengo perde um jogador que costuma participar diretamente da criação de oportunidades e precisa distribuir essa responsabilidade entre outras peças do elenco.

Carrascal aparece como uma alternativa para oferecer passes decisivos, enquanto Paquetá pode contribuir com movimentação, presença ofensiva e finalizações.

O desafio é fazer essas características funcionarem de maneira complementar.

RETA FINAL PODE TRANSFORMAR MARCA EM RECORDE

Com 12 gols marcados em 2026, Paquetá já igualou sua melhor temporada goleadora pelo Flamengo e também da carreira, segundo o levantamento consultado.

Um novo gol estabelecerá uma marca pessoal inédita em uma única temporada.

O calendário ainda reserva compromissos importantes pelo Campeonato Brasileiro e pela Libertadores.

O próximo desafio será o clássico contra o Fluminense, no domingo (11), no Maracanã.

Para Paquetá, a reta final representa a oportunidade de transformar uma boa marca individual em um desempenho ainda mais expressivo.

Aos 30 gols acumulados pelo Flamengo, o meia acrescentou um dado que diferencia sua segunda passagem da primeira: agora, consegue chegar ao mesmo número de gols em menos partidas.

O desafio, entretanto, não será apenas superar os 12 gols de 2018. Será manter essa contribuição ofensiva justamente nos confrontos que podem definir o destino do Flamengo nas competições de 2026.