A lesão de Arrascaeta abriu um problema enorme para o Flamengo. Mas também criou uma oportunidade que pode definir a reta final da temporada de Lucas Paquetá.
Sem o uruguaio, Leonardo Jardim terá de reorganizar o setor mais criativo da equipe justamente quando o calendário aperta e as decisões começam.
E Paquetá aparece naturalmente como um dos jogadores mais cobrados para assumir essa responsabilidade.
A questão não passa apenas por substituir Arrascaeta posição por posição.
O Flamengo perde um jogador que organiza o ataque, encontra espaços entre as linhas, participa das bolas paradas e costuma decidir partidas grandes.
Paquetá tem características diferentes.
Mas também tem qualidade, investimento e peso suficientes para ser muito mais do que apenas uma peça complementar.
A partir de agora, o camisa 10 terá uma oportunidade clara para ocupar um espaço que ainda não conseguiu assumir de forma definitiva desde que voltou ao clube.
Retorno ainda busca afirmação
Lucas Paquetá retornou ao Flamengo cercado por enorme expectativa.
O investimento de cerca de 42 milhões de euros colocou o meia entre as contratações mais caras da história do futebol brasileiro.
O tamanho da operação aumentou também o tamanho da cobrança.
Até agora, porém, Paquetá ainda alternou bons momentos com atuações em que participou menos do jogo do que se esperava de um jogador com seu perfil.
A ausência de Arrascaeta muda esse cenário.
Com o uruguaio em campo, Paquetá pode dividir protagonismo.
Sem ele, a necessidade de assumir mais responsabilidade cresce naturalmente.
Segundo o Lance!, o momento passa a ser visto internamente e externamente como uma oportunidade para Paquetá responder às expectativas criadas desde o retorno ao Flamengo. LANCE!
Não basta simplesmente ocupar o lugar
O desafio de Leonardo Jardim será evitar uma solução simplista.
Paquetá não precisa necessariamente jogar exatamente onde Arrascaeta atuava.
O treinador pode mudar a estrutura do meio-campo, aproximar Carrascal, utilizar Samuel Lino por dentro ou até dividir a criação entre diferentes jogadores.
Mas, independentemente do desenho, Paquetá tende a receber mais responsabilidade.
Ele tem capacidade para atuar entre as linhas, carregar a bola, chegar à área e acelerar a circulação.
Também pode ajudar o Flamengo a pressionar mais alto e aumentar a intensidade sem a bola.
O problema é transformar essas características em influência constante durante os 90 minutos.
É justamente essa regularidade que o Flamengo precisará encontrar.
Jorginho também será ausência na Libertadores
O problema fica ainda maior quando se olha para a semifinal da Libertadores.
Além de Arrascaeta, Leonardo Jardim também não terá Jorginho no primeiro confronto contra o Estudiantes.
O volante está suspenso.
Isso significa que o treinador poderá entrar em uma das partidas mais importantes da temporada sem duas referências importantes do meio-campo titular.
Paquetá, Carrascal e outros nomes passam então a disputar não apenas uma vaga, mas a responsabilidade de reorganizar completamente o setor.
Há ainda a possibilidade de Jardim mudar a estrutura e usar um meio-campo mais físico ou com maior mobilidade.
O que parece pouco provável é manter exatamente o mesmo funcionamento do time sem Arrascaeta.
Calendário não oferece tempo para experiências
O Flamengo volta a campo contra o Santos, na Vila Belmiro.
Depois, a sequência aperta rapidamente.
Três dias mais tarde, enfrenta o Fluminense.
Na sequência, encara o Estudiantes pela semifinal da Libertadores.
Depois vêm Bahia, novamente Estudiantes, Atlético-MG e Vasco.
Não haverá espaço para uma adaptação lenta.
O Flamengo terá de encontrar rapidamente uma nova forma de criar oportunidades sem seu principal articulador.
É nesse cenário que a importância de Paquetá cresce.
Investimento também gera responsabilidade
O Flamengo não trouxe Lucas Paquetá apenas para aumentar o número de opções do elenco.
O clube fez um investimento enorme justamente porque enxergava no meia capacidade para decidir partidas grandes.
Esse momento chegou.
E chegou talvez antes do que o próprio clube imaginava.
A ausência de Arrascaeta coloca Paquetá diante da necessidade de assumir protagonismo não apenas tecnicamente, mas também dentro da dinâmica ofensiva.
Ele não precisa virar uma cópia do uruguaio.
Precisa encontrar uma forma própria de fazer o Flamengo continuar criando.
Jardim terá algumas alternativas
Carrascal é provavelmente o jogador com características mais próximas de criação entre linhas.
Samuel Lino pode aparecer em funções mais centrais.
Plata voltou aos treinamentos e aumenta as opções ofensivas.
Também existe a possibilidade de Jardim reforçar o meio-campo e distribuir a criação entre mais jogadores.
Nenhuma dessas alternativas, porém, elimina o peso de Paquetá.
Quanto maior a ausência, maior passa a ser a responsabilidade dos jogadores considerados decisivos.
E Paquetá chegou ao Flamengo exatamente com esse estatuto.
Outubro pode mudar a temporada do camisa 10
O futebol costuma oferecer oportunidades nos momentos menos esperados.
A lesão de Arrascaeta é péssima para o Flamengo.
Mas para Paquetá ela cria um espaço enorme.
Se conseguir comandar o meio-campo durante esse período, o camisa 10 pode transformar completamente a percepção sobre seu retorno.
Se não conseguir, a cobrança inevitavelmente aumentará.
Entre Brasileirão e Libertadores, outubro pode ser o mês em que Lucas Paquetá deixa de ser apenas uma grande contratação e passa efetivamente a ser protagonista do Flamengo.




