A ausência de Erick Pulgar da seleção chilena ganhou um novo capítulo. Depois de fazer críticas duras ao volante do Flamengo e receber uma resposta direta do jogador, Esteban Paredes mudou o tom e agora defende não apenas o retorno de Pulgar à Roja, mas também que ele assuma a braçadeira de capitão. A sequência chama atenção porque, poucos dias atrás, Paredes havia relacionado a ausência do jogador às críticas recebidas quando atuava pelo Chile.

Ao comentar o assunto, afirmou que, caso Pulgar não quisesse defender a seleção por causa da pressão, o considerava “frágil de mente” e chegou a dizer que não o convocaria novamente. ADN Radio Pulgar não deixou a declaração sem resposta. Em entrevista concedida no Brasil, o meio-campista do Flamengo ironizou a avaliação feita à distância.

Disse ter achado curioso Paredes conseguir analisar sua força mental sem nunca ter conversado com ele sobre o que realmente aconteceu. O chileno também lembrou a própria trajetória: passou oito anos no futebol europeu, disputou partidas decisivas e uma final de Libertadores. Para Pulgar, portanto, associar sua decisão simplesmente à incapacidade de suportar pressão não correspondia ao que havia ocorrido.

Diario AS A resposta parece ter provocado uma mudança importante no discurso de Paredes. Quem é Esteban Paredes? Para o torcedor brasileiro que acompanha menos o futebol chileno, o peso da declaração pode não ser imediatamente evidente.

Esteban Paredes não faz parte atualmente da comissão técnica da seleção e sua opinião não representa uma decisão da federação chilena. Mas ele está longe de ser uma figura irrelevante no futebol do país. O ex-atacante é um dos maiores ídolos da história do Colo-Colo e entrou para a história do Campeonato Chileno ao se tornar o maior goleador da Primeira Divisão.

Em 2019, alcançou o gol de número 216 e superou o antigo recorde de Francisco “Chamaco” Valdés. A própria Associação Nacional de Futebol Profissional do Chile registrou o feito como um marco histórico. ANFP Paredes também foi seis vezes artilheiro da Primeira Divisão chilena, outro feito de grande peso no futebol local.

La Tercera Pela seleção principal do Chile, disputou 42 partidas e marcou 12 gols, além de ter participado das Copas do Mundo de 2010 e 2014. La Tercera É justamente por esse histórico que declarações suas sobre a Roja costumam ganhar espaço na imprensa chilena. Paredes agora diz que Pulgar deveria ser capitão Depois da resposta de Pulgar, o ex-atacante voltou ao assunto durante participação no programa “Tipsters”, do Juega en Línea.

Desta vez, o discurso foi bem diferente. Paredes reconheceu que o Chile sente falta de um jogador com as características do volante do Flamengo e afirmou que, se estivesse trabalhando dentro da seleção, viajaria para conversar pessoalmente com ele e tentar entender o que está acontecendo. Em seguida, foi ainda mais longe ao defender que Pulgar deveria assumir um papel de liderança na equipe chilena.

“A seleção hoje precisa dele, ele tem que ser o capitão.”

Paredes também destacou o nível apresentado pelo volante no futebol brasileiro e afirmou que atuar bem no Brasil atualmente representa uma exigência comparável à encontrada em grandes mercados. ADN Radio A mudança é significativa. Em poucos dias, Pulgar passou de jogador cuja força mental era questionada pelo ex-atacante a nome considerado por ele necessário para a seleção e digno da braçadeira de capitão.

Paredes admite que pode existir outro motivo Talvez o trecho mais interessante da nova manifestação, porém, esteja na tentativa de compreender o motivo da ausência. Depois de ouvir a resposta de Pulgar, Paredes afirmou acreditar que a decisão do jogador de permanecer afastado da seleção pode envolver questões diferentes das críticas da torcida que inicialmente haviam sido apontadas. O ex-atacante disse conhecer Pulgar como pessoa e jogador, mas admitiu não saber exatamente o que aconteceu.

Segundo ele, a própria resposta do volante o fez acreditar que existe “outra coisa” por trás da situação. ADN Radio Esse ponto mantém aberta uma pergunta que o futebol chileno ainda não conseguiu responder completamente. Pulgar não anunciou aposentadoria da seleção.

Também não fechou definitivamente a porta para um retorno. O jogador decidiu, neste momento, permanecer concentrado no Flamengo e já havia criticado interpretações públicas sobre os motivos que o levaram a ficar fora das convocações. No Flamengo, reconhecimento segue crescendo A situação ganha um contraste ainda maior quando se observa o momento vivido por Pulgar no Rio de Janeiro.

Enquanto sua ausência gera debate no Chile, o volante acumula elogios de personagens importantes da história do Flamengo e do futebol brasileiro. Recentemente, Zico destacou o profissionalismo, a entrega e a identificação que Pulgar criou com a camisa rubro-negra. Diario AS Junior Baiano, titular da Seleção Brasileira na final da Copa do Mundo de 1998, também fez grandes elogios ao chileno e chegou a afirmar que Pulgar teria condições de ser titular até mesmo na atual Seleção Brasileira.

Diario AS Nesta semana, Jorginho, campeão mundial pelo Brasil em 1994, entrou na lista de admiradores. O ex-lateral destacou a capacidade de Pulgar de se juntar aos zagueiros na construção do jogo e classificou o chileno como um dos melhores jogadores do atual elenco do Flamengo. Diario AS O paradoxo fica evidente.

No Flamengo, Pulgar vive um período de valorização esportiva e reconhecimento público. No Chile, o debate ainda gira em torno de quando — e em quais condições — ele voltará a vestir a camisa da seleção. E agora até um dos personagens que mais o criticaram passou a defender que essa volta deveria ocorrer com Pulgar ocupando uma posição central de liderança.