A negociação frustrada de Gonzalo Plata com o Dínamo de Moscou criou para o Flamengo um problema que vai além dos cerca de R$ 60 milhões que deixaram de entrar nos cofres do clube.

Com a volta do equatoriano e as contratações de Anthony Valencia e Joaquín Freitas, o elenco rubro-negro passa a contar com 10 jogadores estrangeiros.

O Campeonato Brasileiro permite que cada equipe relacione no máximo nove estrangeiros por partida.

Isso significa que, quando todos estiverem disponíveis, Leonardo Jardim terá obrigatoriamente de deixar pelo menos um jogador de fora da relação.

Flamengo chegou a 10 estrangeiros

Atualmente, o Flamengo conta com:

Rossi, da Argentina; Varela, do Uruguai; Pulgar, do Chile; De la Cruz, do Uruguai; Saúl, da Espanha; Arrascaeta, do Uruguai; Carrascal, da Colômbia; Gonzalo Plata, do Equador; Anthony Valencia, do Equador; e Joaquín Freitas, da Argentina.

Jorginho não entra nesta contagem. Apesar de ter defendido a seleção italiana, o volante nasceu no Brasil e é considerado brasileiro para os critérios da competição.

A situação não impede o Flamengo de manter os 10 atletas no elenco.

A restrição existe apenas para a relação de cada partida do Brasileirão.

Problema ainda não é imediato

Leonardo Jardim não deverá enfrentar essa dificuldade já nas próximas partidas.

De la Cruz está afastado por uma lesão muscular na coxa esquerda. Com o uruguaio indisponível, o Flamengo fica exatamente com nove estrangeiros em condições de serem relacionados.

O cenário muda quando o meio-campista retornar.

Se todos os jogadores estiverem disponíveis simultaneamente, a comissão técnica terá de escolher quem ficará fora de cada jogo.

Isso adiciona uma nova variável à gestão de um elenco que já conta com forte concorrência por posições.

Plata já estava fora do planejamento

É justamente neste ponto que a negociação frustrada ganha uma dimensão esportiva diferente.

Plata já havia se despedido dos companheiros, viajado para Moscou e chegado à Rússia para concluir sua transferência.

Paralelamente, o Flamengo avançou pela contratação de Anthony Valencia e Joaquín Freitas.

Ou seja, a montagem do elenco caminhava para uma realidade na qual Plata não faria mais parte do grupo.

A reprovação nos exames médicos do Dínamo alterou esse cenário de forma inesperada.

O Flamengo não apenas volta a ter o atacante equatoriano sob contrato como passa a administrar um elenco com um estrangeiro acima do limite permitido por partida no Campeonato Brasileiro.

Rossi pode resolver a situação

Existe uma saída em andamento.

O goleiro Agustín Rossi iniciou ainda em 2025 o processo para obtenção da cidadania brasileira.

Caso a naturalização seja concluída e reconhecida para efeito das competições nacionais, Rossi deixará de ocupar uma das vagas destinadas aos estrangeiros.

Nesse cenário, o Flamengo voltaria a ter nove estrangeiros contabilizados e o problema seria resolvido sem necessidade de afastar nenhum atleta por causa da regra.

Não existe, porém, uma garantia de que todo o processo estará concluído antes do retorno dos jogadores atualmente lesionados.

Leonardo Jardim terá nova decisão

Para Leonardo Jardim, a situação cria um problema que não existia enquanto a transferência de Plata estava encaminhada.

O treinador ganha mais uma opção ofensiva, mas também passa a ter de administrar uma regra objetiva do Brasileirão.

Em um elenco com nomes importantes entre os estrangeiros, qualquer escolha pode atingir diretamente a formação da equipe.

Rossi é titular no gol.

Varela disputa espaço na lateral.

Pulgar, De la Cruz, Saúl, Arrascaeta e Carrascal estão entre as alternativas importantes do meio-campo.

No ataque, Plata agora concorrerá também com os recém-chegados Valencia e Freitas.

Por isso, caso o Flamengo chegue a uma rodada com todos disponíveis e Rossi ainda sem a cidadania brasileira concluída, a decisão deixará de ser apenas técnica.

Alguém ficará fora porque o regulamento exige.