Anthony Valencia chegou ao Flamengo no início de setembro como uma aposta para o presente e, principalmente, para o futuro. Mas quase um mês depois, a participação do equatoriano ainda é mínima: apenas seis minutos em campo com a camisa rubro-negra. A pergunta, então, começou a surgir naturalmente entre os torcedores: por que Anthony Valencia praticamente não joga?
A resposta passa por três pontos principais: adaptação ao futebol brasileiro, forte concorrência no setor ofensivo e uma situação que mudou completamente depois da contratação — o retorno inesperado de Gonzalo Plata. Valencia foi contratado junto ao Royal Antwerp, da Bélgica, por cerca de € 5 milhões. Aos 23 anos, assinou contrato com o Flamengo até 2031 e chegou com o aval da diretoria.
O próprio clube destacou sua velocidade, criatividade e capacidade de atuar pelos lados do ataque. Flamengo Valencia chegou para ocupar um espaço que deixou de existir Quando o Flamengo avançou pela contratação de Anthony Valencia, Gonzalo Plata estava praticamente fora do clube. O equatoriano havia sido negociado com o Dínamo Moscou, e a diretoria rubro-negra buscava uma reposição para o setor.
Foi nesse contexto que Valencia chegou. O problema é que a transferência de Plata para a Rússia acabou não acontecendo. O Dínamo desistiu do negócio após exames médicos, decisão contestada pelo Flamengo, e o atacante retornou ao elenco de Leonardo Jardim.
UOL Na prática, Valencia desembarcou para ocupar um espaço que deixou de estar disponível. Com Plata novamente no grupo, o Flamengo passou a ter dois equatorianos disputando uma faixa semelhante do campo, além de outros nomes já estabelecidos no elenco. Apenas seis minutos até agora Anthony Valencia estreou no dia 6 de setembro, contra o Remo, pelo Campeonato Brasileiro.
Entrou no lugar de Samuel Lino nos minutos finais da vitória por 1 a 0. Foram apenas seis minutos em campo. Desde então, não voltou a atuar pelo Flamengo.
Flamengo O contraste com Joaquín Freitas chama atenção. Contratados na mesma janela e tratados como apostas para o futuro, os dois receberam oportunidades diferentes neste primeiro mês. Freitas já entrou contra Remo, Corinthians e Red Bull Bragantino, somando 19 minutos e uma assistência.
Valencia permaneceu limitado àquela única aparição. UOL Leonardo Jardim pede paciência Leonardo Jardim já explicou que a utilização reduzida dos dois jovens faz parte de um processo de adaptação. O treinador afirmou que tanto Valencia quanto Freitas são jogadores em quem a comissão técnica acredita, mas deixou claro que pretende inseri-los gradualmente.
“São dois meninos, seja o Valencia ou o Freitas, dois jogadores jovens em que acreditamos, com muitas competências. Vamos inserindo aos poucos.”
Jardim também mencionou dificuldades específicas que jogadores jovens enfrentam quando chegam a uma equipe que exige participação ofensiva e defensiva em alto nível. Segundo o treinador, não basta ter qualidade com a bola. É preciso compreender ocupação de espaço, pressão, recomposição e comportamento coletivo antes de receber uma sequência maior.
UOL Concorrência virou obstáculo Hoje, Valencia encontra um dos setores mais congestionados do elenco. Além de Plata, o Flamengo possui opções como Carrascal, Luiz Araújo, Samuel Lino, Bruno Henrique e até Lucas Paquetá em determinadas formações. Isso reduz a margem para testes.
Leonardo Jardim trabalha em uma reta final de temporada com Brasileiro e Libertadores em disputa. Nesse cenário, jogadores já adaptados e com maior conhecimento do modelo tendem a sair na frente. Valencia, por outro lado, ainda está em processo de assimilação.
Não se trata necessariamente de falta de confiança. O próprio treinador já afirmou que acredita na evolução do equatoriano e que ele ainda poderá ajudar o Flamengo nesta temporada. UOL Contratação foi pensada também para o futuro Outro ponto importante é o perfil da contratação.
Valencia assinou até 2031. Isso mostra que o Flamengo não fez uma operação pensando exclusivamente em impacto imediato. O atacante tem 23 anos e vinha de quatro temporadas no futebol belga, onde marcou 13 gols e deu quatro assistências pelo Royal Antwerp.
Flamengo A diretoria enxergou margem de crescimento técnico e também potencial de valorização. Esse planejamento ajuda a explicar por que o clube não demonstra preocupação pública com a pouca minutagem no primeiro mês. O investimento é relevante, mas o contrato longo permite uma adaptação sem a necessidade de exposição imediata.
Data Fifa também atrapalha sequência Justamente no momento em que o Flamengo poderia aproveitar a pausa para trabalhar melhor a adaptação de Valencia, o atacante foi convocado pela seleção do Equador. Ele está na Ásia para os compromissos contra Coreia do Sul e Japão. Ou seja, enquanto Leonardo Jardim utiliza a Data Fifa para ajustar jogadores com pouca minutagem, Valencia novamente está longe do Ninho.
Isso pode atrasar ainda mais o processo de integração ao modelo do treinador. A oportunidade terá que aparecer O Flamengo não contratou Anthony Valencia para seis minutos. Mas o contexto encontrado pelo jogador foi diferente daquele existente quando a negociação foi fechada.
Plata voltou. A concorrência aumentou. O time entrou na fase decisiva da temporada.
E Leonardo Jardim decidiu trabalhar o equatoriano sem acelerar etapas. Por enquanto, essa combinação explica por que Anthony Valencia praticamente não aparece. A questão, daqui para frente, será descobrir quando surgirá a primeira oportunidade real para o atacante mostrar se pode transformar o investimento e a expectativa em rendimento dentro de campo.




