O cenário por Luiz Henrique mudou novamente.
Depois de o Botafogo avançar na tentativa de repatriar um dos grandes nomes de sua histórica temporada de 2024, a negociação encontrou obstáculos justamente onde o clube apostava que poderia fazer a diferença: no pacote oferecido ao jogador e na complexa operação com o Zenit.
O Botafogo apresentou uma proposta salarial considerada extraordinária para seus padrões. Informações divulgadas nesta quinta-feira apontam para valores entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões mensais, considerando salários e luvas.
Mesmo assim, o estafe de Luiz Henrique busca condições superiores.
Segundo informações obtidas pelo Fla Opina, a proposta salarial apresentada pelo Botafogo não agradou ao jogador nos termos atuais.
Isso não encerra a negociação.
Mas cria um novo cenário.
E, inevitavelmente, faz o Flamengo voltar à conversa.
Botafogo foi forte, mas ainda não convenceu
Luiz Henrique possui uma ligação esportiva enorme com o Botafogo.
Foi protagonista dos títulos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro de 2024 e mantém forte identificação com o clube.
Por isso, uma tentativa de retorno sempre teria um componente emocional importante.
Só que futebol de alto nível também passa por números.
O Botafogo colocou na mesa aquilo que é tratado como o maior esforço salarial de sua história para um jogador. Ainda assim, há negociação entre as partes.
Além da questão salarial, existe um problema talvez ainda maior: convencer o Zenit.
O clube russo não demonstra disposição para facilitar a saída do atacante e uma compra direta exigiria valores que hoje estão muito acima da realidade financeira do Botafogo.
Zenit também dificulta o negócio
Uma das alternativas analisadas envolve jogadores do Botafogo desejados pelo Zenit.
Danilo apareceu como a principal possibilidade para fazer parte de uma composição.
O problema é que o volante não demonstra interesse em atuar no futebol russo, complicando justamente a estrutura que poderia reduzir a necessidade de dinheiro na operação.
Existe ainda outra questão.
O Botafogo possui uma dívida milionária com o próprio Zenit relacionada à negociação de Artur, situação inserida no processo de recuperação judicial da SAF.
São obstáculos que ajudam a explicar por que, mesmo com a forte movimentação dos últimos dias, pessoas dentro do próprio Botafogo passaram a tratar a contratação de Luiz Henrique como difícil.
E onde entra o Flamengo?
O Flamengo esteve muito mais próximo de Luiz Henrique do que o Botafogo está agora.
No início de agosto, o clube avançou nas negociações com o Zenit e chegou a trabalhar com uma operação de aproximadamente €30 milhões fixos mais €5 milhões em bônus.
O jogador também havia sinalizado positivamente para uma transferência ao Flamengo.
O negócio, porém, encontrou uma barreira interna.
A presidência rubro-negra considerou os números altos demais e estabeleceu um limite financeiro inferior ao necessário para fechar a contratação.
Foi ali que a negociação esfriou.
Portanto, é importante deixar claro:
o Flamengo não possui neste momento um acordo para contratar Luiz Henrique.
Mas mercado da bola é feito de mudanças de cenário.
E duas delas aconteceram praticamente ao mesmo tempo.
Plata pode mudar a necessidade do elenco
A primeira é Gonzalo Plata.
Como o Fla Opina revelou, o Flamengo acertou as bases financeiras para negociar o equatoriano com o Dínamo de Moscou por €12 milhões, sendo €10 milhões fixos e €2 milhões em bônus.
Ainda faltam detalhes relacionados ao pagamento e às garantias financeiras, mas a saída está encaminhada.
Isso significa que o Flamengo pode perder uma opção importante de velocidade e força física pelo lado direito do ataque.
Everton Cebolinha também teve seu nome envolvido em negociações nesta janela.
A configuração do setor ofensivo, portanto, começa a mudar.
E aquilo que há poucas semanas poderia ser tratado como uma contratação de luxo pode passar a ser analisado como uma necessidade esportiva.
A segunda mudança está no Botafogo
Quando o Botafogo apareceu forte na negociação, criou-se a sensação de que Luiz Henrique poderia rapidamente voltar ao clube onde viveu seu melhor momento no futebol brasileiro.
Hoje, essa certeza já não existe.
O clube precisa resolver simultaneamente a situação salarial do jogador, encontrar uma engenharia possível com o Zenit e superar as próprias limitações financeiras.
Existe interesse.
Existe negociação.
Mas ainda existe uma distância considerável entre desejar Luiz Henrique e conseguir contratá-lo.
É justamente essa distância que mantém outros interessados vivos.
Flamengo precisaria mudar de posição
A grande questão é que uma brecha no mercado não significa automaticamente uma nova investida rubro-negra.
Para voltar efetivamente à disputa, o Flamengo teria que rever uma decisão tomada por sua própria presidência.
Bap colocou um limite para o investimento.
O Zenit queria mais.
Se os russos mantiverem os mesmos números, a saída de Plata não será suficiente, sozinha, para ressuscitar o negócio.
Por outro lado, o mercado está chegando às últimas semanas da janela.
Se o Zenit decidir negociar em condições diferentes, se o Botafogo não conseguir avançar e se o Flamengo entender que precisa substituir Plata com um jogador de impacto, a situação pode mudar rapidamente.
Luiz Henrique já demonstrou abertura para jogar no Flamengo.
Esse talvez seja o detalhe mais importante de todos.




