Jorge Carrascal começou agosto como uma alternativa importante no elenco do Flamengo. Termina o mês colocando uma pergunta diferente para Leonardo Jardim: ainda dá para tratá-lo apenas como opção?

Os números recentes ajudam a explicar a mudança.

Em 2 de agosto, quando completou um ano de Flamengo, o colombiano acumulava 29 partidas na temporada de 2026, com três gols e quatro assistências.

Desde então, duas atuações chamaram especialmente a atenção.

Na goleada por 5 a 1 sobre o Mirassol, Carrascal marcou um gol e distribuiu duas assistências. Contra o Botafogo, entrou apenas aos 29 minutos do segundo tempo e precisou de pouco tempo para novamente influenciar diretamente o placar: deu o passe para o segundo gol de Samuel Lino e depois marcou o terceiro.

Somando os números confirmados nesse período, Carrascal chegou a pelo menos cinco gols e sete assistências na temporada.

Mais importante do que a quantidade é o momento em que essa produção começou a aparecer.

Carrascal começou a transformar minutos em produção

A concorrência ofensiva do Flamengo é pesada.

Samuel Lino vive uma das melhores fases da temporada. Pedro continua sendo a referência no comando do ataque. O elenco ainda conta com nomes capazes de atuar em diferentes posições do último terço.

Por isso, simplesmente jogar bem já não é suficiente.

É preciso produzir.

Carrascal começou a fazer exatamente isso.

Contra o Mirassol, participou diretamente de três dos cinco gols do Flamengo. Foi eleito pelo ge como o melhor jogador da equipe e terminou a rodada também como destaque do Cartola, com gol, duas assistências, três desarmes e três faltas sofridas.

Duas semanas depois, contra o Botafogo, o cenário foi diferente.

Desta vez ele não começou jogando.

Entrou aos 29 minutos do segundo tempo, justamente quando o Flamengo vinha tendo dificuldades para controlar a partida.

E decidiu.

Primeiro encontrou Samuel Lino atacando o espaço e deu a assistência para o segundo gol. Depois apareceu na área para concluir a jogada que fechou o clássico em 3 a 0.

Foi uma demonstração importante porque mostrou duas versões do mesmo jogador.

Carrascal consegue produzir começando uma partida e também pode mudar um jogo vindo do banco.

A saída de Plata abriu uma porta

A negociação de Gonzalo Plata com o Dínamo de Moscou também modifica a disputa interna.

O equatoriano oferecia características específicas ao Flamengo, principalmente intensidade, capacidade de jogar pelos lados e participação sem a bola.

Sua saída elimina uma peça da rotação ofensiva.

E Carrascal aparece naturalmente entre os jogadores capazes de absorver parte desse espaço.

Não necessariamente reproduzindo as mesmas funções.

O colombiano tem características diferentes. Gosta mais da bola, circula por regiões centrais e possui capacidade de encontrar passes entre as linhas.

Essa diferença pode, inclusive, tornar o Flamengo mais criativo em determinados jogos.

O problema bom de Leonardo Jardim

O crescimento de Carrascal cria um problema que todo treinador gostaria de ter.

Samuel Lino dificilmente sai do time neste momento.

Pedro continua sendo a principal referência ofensiva.

No meio, jogadores como Jorginho têm funções estruturais importantes.

Isso significa que colocar Carrascal entre os titulares exige mexer em outra peça ou alterar o desenho da equipe.

E talvez essa seja justamente a discussão mais interessante.

Carrascal não precisa disputar exclusivamente uma posição.

Sua capacidade de atuar centralizado, partindo de um lado ou próximo dos atacantes permite a Leonardo Jardim diferentes soluções de acordo com o adversário.

Quanto mais o colombiano produz, porém, mais difícil fica justificar sua ausência.

Não é mais apenas uma boa opção

Quando Carrascal completou um ano de Flamengo, os números mostravam um jogador útil: 29 partidas, três gols e quatro assistências em 2026.

Agosto acrescentou algo diferente.

Protagonismo.

Uma atuação com gol e duas assistências contra o Mirassol seguida, poucas semanas depois, por participação decisiva mesmo entrando durante o segundo tempo contra o Botafogo.

É uma amostra pequena demais para transformar o colombiano automaticamente em titular absoluto.

Mas já é grande o suficiente para mudar a discussão.

A pergunta deixou de ser se Carrascal pode ajudar o Flamengo.

Agora é outra:

quanto tempo Leonardo Jardim conseguirá mantê-lo fora do time?