Flamengo fecha a defesa e chega a 12 jogos sem sofrer gols
O gol de Samuel Lino decidiu a vitória sobre o Remo no Mangueirão, mas outro número produzido pelo Flamengo em Belém pode ter enorme importância na disputa pelo Campeonato Brasileiro.
Pela terceira rodada consecutiva, o Rubro-Negro terminou uma partida sem sofrer gols.
Primeiro veio a vitória por 3 a 0 sobre o Botafogo. Depois, 2 a 0 diante do Mirassol. Agora, mais uma vez, Rossi deixou o campo sem buscar a bola dentro da própria rede na vitória por 1 a 0 sobre o Remo.
O resultado levou o Flamengo a 12 partidas sem sofrer gols em 26 jogos disputados no Brasileirão de 2026.
Isso significa que o time saiu sem ser vazado em aproximadamente 46% das partidas da competição.
Nenhuma equipe possui atualmente mais jogos sem sofrer gols no Campeonato Brasileiro. O Flamengo lidera esse levantamento, à frente de Corinthians e Palmeiras.
Mas o dado mais importante talvez seja outro.
O time sofreu somente 21 gols no campeonato inteiro.
São apenas 0,81 gol sofrido por partida.
Em uma competição de pontos corridos, em que um empate ou uma vitória apertada pode definir o campeão depois de 38 rodadas, essa capacidade de proteger a própria área começa a se tornar uma das principais armas do Flamengo.
Três jogos, seis gols marcados e nenhum sofrido
O recorte das últimas três rodadas chama ainda mais atenção.
Flamengo 3 x 0 Botafogo Flamengo 2 x 0 Mirassol Remo 0 x 1 Flamengo
Foram seis gols marcados.
Nenhum sofrido.
E as três partidas tiveram características diferentes.
Contra o Botafogo, o Flamengo conseguiu controlar o clássico e construir uma vitória confortável.
Diante do Mirassol, confirmou o favoritismo no Maracanã e aproveitou a oportunidade para reduzir a diferença na parte de cima da tabela.
Já contra o Remo, o cenário foi completamente diferente.
O adversário precisava desesperadamente do resultado, o Mangueirão estava cheio e uma forte chuva deixou o gramado extremamente pesado durante a segunda etapa.
Não havia espaço para simplesmente controlar a partida com posse de bola até o final.
O Flamengo precisou defender.
E conseguiu.
Samuel Lino marcou aos 19 minutos do segundo tempo e, mesmo com as dificuldades impostas pelo campo nos minutos finais, o Rubro-Negro sustentou o 1 a 0.
Uma transformação durante a temporada
O número ganha ainda mais peso quando lembramos como começou 2026.
Nos primeiros meses do ano, a defesa foi um dos principais problemas do Flamengo.
O time chegou a atravessar sequências em que praticamente toda partida terminava com gol do adversário. Houve preocupação com o espaço entre os setores, erros individuais e dificuldade para controlar determinados momentos dos jogos.
O cenário atual é completamente diferente.
Hoje, olhando apenas o Campeonato Brasileiro, o Flamengo possui uma das defesas mais eficientes da competição.
E isso não depende somente dos zagueiros.
O sistema começa mais à frente.
Quando o time consegue pressionar corretamente, reduz o número de ataques organizados que chegam até Léo Ortiz, Léo Pereira e Rossi.
Quando perde a bola, a capacidade de reorganização passou a ter peso cada vez maior.
O resultado aparece na estatística.
Em praticamente uma de cada duas partidas do Brasileiro, o Flamengo não sofreu nenhum gol.
Rossi também ganha importância
Naturalmente, o goleiro participa diretamente dessa construção.
Rossi nem sempre precisa terminar uma partida realizando dez grandes defesas. Em equipes que possuem muita posse de bola, o desafio do goleiro muitas vezes é diferente.
Ele pode passar vários minutos praticamente sem participar do jogo e, de repente, precisar decidir em uma única oportunidade.
Contra o Remo aconteceu exatamente isso.
O Flamengo controlava boa parte das ações quando Gabriel Taliari apareceu com uma oportunidade clara no primeiro tempo.
Rossi respondeu.
São defesas desse tipo que ajudam a transformar domínio territorial em resultado.
Um gol sofrido naquele momento poderia mudar completamente a partida.
Defesa dá margem para o ataque resolver
Existe também uma consequência matemática muito simples.
Quanto menos gols uma equipe sofre, menos precisa produzir ofensivamente para vencer.
Contra o Botafogo, o ataque marcou três.
Contra o Mirassol, dois.
Em Belém, bastou um.
Essa última situação pode se repetir muitas vezes na reta final.
Nem todas as partidas serão goleadas. Nem sempre Pedro, Arrascaeta, Samuel Lino, Carrascal ou Paquetá encontrarão espaço para construir três ou quatro gols.
Existirão partidas travadas.
Existirão gramados ruins.
Existirá desgaste provocado pela Libertadores.
E existirão adversários jogando fechados.
Nesses dias, conseguir terminar a partida sem sofrer gol aumenta drasticamente a possibilidade de conquistar três pontos.
Foi exatamente o que aconteceu contra o Remo.
Um número com cara de campeonato
Depois de 26 partidas, o Flamengo já possui 12 jogos sem sofrer gols.
Isso representa quase metade da campanha.
Ainda mais importante: o número voltou a crescer justamente quando a disputa pelo título começou a apertar.
Três rodadas.
Três vitórias.
Três jogos sem sofrer gol.
Agora o desafio será transportar essa consistência para a Libertadores e, depois, novamente para o Campeonato Brasileiro.
Porque atacar bem pode ganhar muitas partidas.
Mas quando uma equipe que possui um dos ataques mais produtivos do país consegue também impedir o adversário de marcar, a margem de erro fica muito menor.
E essa combinação pode decidir um campeonato.




