Quando Erick Pulgar chegou ao Flamengo, em agosto de 2022, seria difícil imaginar que quatro anos depois o volante chileno estaria prestes a ganhar uma linha própria de produtos, possibilidade de boneco e um espaço entre os jogadores de maior força comercial do elenco.

O cenário mudou completamente.

Depois de conquistar espaço dentro de campo, renovar contrato até dezembro de 2029 e estabelecer uma relação cada vez mais forte com a torcida, Pulgar passou a chamar a atenção também das áreas comercial e de marketing do Flamengo.

Segundo informação publicada originalmente pelo jornal O Globo, o clube já discute a criação de uma linha de produtos relacionada ao camisa 5. Entre as possibilidades está um boneco do jogador, seguindo uma estratégia anteriormente utilizada com nomes como Arrascaeta e Gabigol.

O projeto também pode envolver outros itens para comercialização nas lojas oficiais e no Maracanã. As conversas ainda estão em estágio inicial, sem definição de produtos, preços ou data de lançamento. A eventual receita será dividida entre Flamengo e jogador.

Mas o que chama mais atenção não é o boneco.

É o caminho que fez Pulgar chegar até ele.

De início difícil a peça fundamental

Pulgar foi contratado pelo Flamengo em 2022, depois de passagem pela Fiorentina, da Itália.

A estreia aconteceu em 28 de agosto daquele ano, na vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo pelo Campeonato Brasileiro.

O começo não foi simples.

O chileno demorou para conquistar espaço, atravessou períodos de pouca utilização e não chegou ao Flamengo cercado pelo mesmo entusiasmo reservado a outras contratações estrangeiras.

A mudança começou a acontecer principalmente com a sequência recebida nas temporadas seguintes.

Pulgar passou a ganhar importância pela capacidade de proteger a defesa, organizar a saída de bola e permitir que jogadores mais ofensivos tivessem liberdade à frente.

A evolução foi tão grande que, durante a apresentação de reforços no início deste mês, José Boto utilizou justamente o caso do chileno para mostrar como a percepção sobre um jogador pode mudar dentro do Flamengo.

Hoje, o volante deixou de ser simplesmente uma opção para o meio-campo.

Virou uma das peças mais estáveis do elenco.

Mais de 170 jogos e nove títulos

Os números ajudam a explicar essa transformação.

Quando o Flamengo anunciou oficialmente sua renovação, em 2 de setembro, Pulgar acumulava 172 partidas pelo clube, com 107 vitórias, 39 empates e 26 derrotas. Também havia marcado seis gols e distribuído nove assistências.

Desde então, o chileno continuou atuando e já ultrapassou essa marca.

Mais importante que os números individuais são as conquistas.

Pulgar participou de nove títulos com o Flamengo: Libertadores de 2022 e 2025, Copas do Brasil de 2022 e 2024, Campeonatos Cariocas de 2024, 2025 e 2026, Supercopa do Brasil de 2025 e Campeonato Brasileiro de 2025.

Em quatro anos, o jogador que chegou praticamente sem status se transformou em um dos estrangeiros mais vitoriosos da história recente do clube.

Flamengo precisou agir para mantê-lo

A renovação até 2029 também diz muito sobre o novo tamanho de Pulgar dentro do Flamengo.

A negociação não foi simples.

O antigo contrato havia colocado o clube diante do risco real de perder o volante. A multa rescisória caiu para US$ 4 milhões, valor que despertou interesse de equipes dos Estados Unidos e principalmente do Oriente Médio.

Clubes dos Emirados Árabes apresentaram condições financeiras superiores às oferecidas pelo Flamengo.

Mesmo assim, Pulgar priorizou permanecer no Rio de Janeiro.

Segundo informações dos bastidores da renovação, pesaram a adaptação da família, a identificação construída com o Flamengo e o desejo do jogador de ampliar sua história no clube.

Para conseguir fechar o acordo, a diretoria estendeu o novo vínculo até dezembro de 2029, um ano além da proposta inicialmente apresentada.

O resultado é que Flamengo e Pulgar agora têm mais três temporadas pela frente.

E o clube percebeu que pode aproveitar esse período também fora das quatro linhas.

Um jogador discreto que explodiu em engajamento

Aqui está talvez a parte mais curiosa da história.

Pulgar não construiu essa popularidade seguindo o caminho habitual de uma estrela das redes sociais.

O chileno tem perfil reservado, aparece pouco, não é conhecido por grandes campanhas pessoais e raramente busca protagonismo fora do campo.

Mesmo assim, o engajamento em conteúdos relacionados ao jogador cresceu a ponto de surpreender internamente o próprio Flamengo.

Segundo levantamento do ge nos bastidores da renovação, a área de marketing passou a tratar Pulgar como o jogador número 1 em engajamento entre os atletas rubro-negros naquele momento.

É um dado relevante porque mostra que o clube não está simplesmente criando produtos de um jogador titular.

Está respondendo a um comportamento que já existe entre os torcedores.

Pulgar virou personagem de memes, vídeos, homenagens e publicações que circulam com força nas redes sociais.

A identificação também saiu da internet.

O chileno já ganhou até bandeirão nas arquibancadas, um tipo de homenagem normalmente reservado aos jogadores que alcançam um vínculo mais forte com a torcida.

Flamengo quer transformar identificação em receita

A criação de uma linha própria de Pulgar também conversa com uma transformação maior dentro do clube.

Em agosto, o Flamengo apresentou oficialmente sua nova estratégia de Sportainment, um modelo que pretende ampliar a relação com a torcida para além dos 90 minutos.

A ideia é trabalhar esporte, conteúdo, entretenimento, produtos, serviços e experiências dentro de um mesmo ecossistema comercial.

Na apresentação do projeto, o Flamengo deixou clara a intenção de transformar sua enorme base de torcedores em uma relação permanente com a marca, e não apenas durante partidas.

Pulgar encaixa perfeitamente nesse modelo.

O jogador tem desempenho esportivo, contrato longo, identificação crescente e, principalmente, uma torcida que demonstra interesse espontâneo em conteúdos relacionados a ele.

O boneco, portanto, é apenas uma das possibilidades.

A verdadeira notícia está na transformação de Erick Pulgar jogador em Erick Pulgar marca.

Um caminho já utilizado pelo Flamengo

Não seria a primeira vez que o clube explora comercialmente a identificação de um jogador.

Flamengo já utilizou personagens importantes de seus elencos em produtos licenciados, colecionáveis e ações específicas para aproximar atleta e torcedor.

Arrascaeta e Gabigol são exemplos recentes de jogadores cuja imagem ultrapassou o campo e se transformou em ativo comercial.

A diferença é justamente o perfil de Pulgar.

Ele não chegou como grande estrela midiática, não é atacante, não costuma protagonizar campanhas e não construiu sua relação com a torcida pela exposição.

Construiu jogando.

A intensidade nas disputas, o estilo competitivo e a regularidade fizeram o restante.

Agora o departamento de marketing percebeu que existe mercado em torno dessa identificação.