Flamengo e Estudiantes resolveram um dos últimos problemas antes da semifinal da Libertadores.
O jogo de ida será disputado no Estádio Jorge Luis Hirschi, o UNO, em La Plata, no dia 15 de outubro, às 21h30 de Brasília. A confirmação, porém, não foi apenas uma escolha do clube argentino: foi necessário um acordo entre as duas equipes para adequar o estádio às exigências da Conmebol.
O setor normalmente destinado aos visitantes comporta cerca de dois mil torcedores, enquanto o regulamento da semifinal exige quatro mil ingressos para a torcida adversária.
A solução encontrada foi liberar ao Flamengo uma área atrás de um dos gols, tradicionalmente utilizada pelos torcedores do Estudiantes. O espaço tem capacidade aproximada para seis mil pessoas, mas quatro mil entradas serão destinadas aos rubro-negros.
O acordo permitiu ao Estudiantes continuar jogando em sua própria casa.
E há um detalhe importante: o Flamengo também viu vantagem na solução.
Gramado do UNO pesou para o Flamengo
Além da relação entre os clubes, a qualidade do gramado do Estádio UNO foi considerada pelo Flamengo durante as conversas.
A possibilidade de o Estudiantes precisar levar o jogo para outro estádio existia justamente porque sua área visitante original não atendia ao regulamento.
Para o Rubro-Negro, mudar de palco poderia significar jogar em um campo de qualidade inferior.
Em uma semifinal de Libertadores, esse detalhe pesa.
O time de Leonardo Jardim depende de circulação rápida da bola e possui jogadores técnicos no meio e no ataque. Jogar em um gramado conhecido e em boas condições oferece mais previsibilidade do que chegar a um estádio alternativo escolhido apenas para cumprir uma exigência de capacidade.
O Flamengo já conhece bem o UNO.
Em abril, ainda pela fase de grupos desta Libertadores, empatou por 1 a 1 com o Estudiantes em La Plata. Luiz Araújo abriu o placar para o Rubro-Negro, enquanto Guido Carrillo marcou para os argentinos.
No segundo encontro do grupo, no Maracanã, o Flamengo venceu por 1 a 0, com gol de Pedro.
Estudiantes ainda não perdeu em casa nesta Libertadores
Se o gramado agrada ao Flamengo, o estádio também é uma das forças do Estudiantes.
O time argentino terminou a fase de grupos sem perder no UNO e seguiu competitivo em casa durante o mata-mata.
Na primeira fase, venceu o Cusco por 2 a 1, empatou em 1 a 1 com o Flamengo e derrotou o Independiente Medellín por 1 a 0.
Depois, empatou com a Universidad Católica nas oitavas e com o Corinthians nas quartas.
O Estudiantes chegou às semifinais construindo uma campanha baseada muito mais em organização e resistência do que em grandes goleadas.
Terminou a fase de grupos atrás justamente do Flamengo e sofreu apenas uma derrota naquela etapa: o 1 a 0 no Maracanã.
Nas quartas de final, empatou com o Corinthians por 1 a 1 em La Plata e venceu por 1 a 0 em São Paulo, com gol de Alexis Castro aos 42 minutos do segundo tempo.
Ou seja: o Flamengo encontrará um adversário que se acostumou a levar confrontos equilibrados até o limite.
Virou quase um clássico continental recente
A semifinal também chama atenção pela frequência dos confrontos.
Flamengo e Estudiantes se enfrentaram nas quartas de final da Libertadores de 2025.
O Rubro-Negro venceu por 2 a 1 no Maracanã, perdeu por 1 a 0 na Argentina e avançou nos pênaltis.
Em 2026, o sorteio colocou os dois novamente frente a frente, agora na fase de grupos.
Foram empate por 1 a 1 em La Plata e vitória flamenguista por 1 a 0 no Rio.
Agora serão mais duas partidas.
Quando terminar a semifinal, Flamengo e Estudiantes terão feito seis jogos em pouco mais de um ano.
No histórico completo, são 12 confrontos oficiais até aqui, com cinco vitórias do Flamengo, cinco empates e duas vitórias do Estudiantes.
É um adversário conhecido.
E talvez justamente por isso o Flamengo saiba que não encontrará facilidade.
Bap e Verón participam da reta final fora de campo
Enquanto os departamentos de futebol começam a preparar a semifinal, os presidentes também entraram em cena.
Luiz Eduardo Baptista, o Bap, pelo Flamengo, e Juan Sebastián Verón, presidente do Estudiantes, participaram da agenda organizada pela Conmebol com representantes dos clubes semifinalistas da Libertadores e da Sul-Americana.
O encontro na sede da entidade, no Paraguai, foi convocado para alinhar questões operacionais e logísticas da fase decisiva.
Entram nesse pacote temas como estádio, organização das partidas, deslocamento das delegações, operação para torcedores visitantes, segurança e preparação para os jogos que definirão os finalistas.
Não foi nessa reunião que a Conmebol escolheu o local da final.
Essa decisão já estava tomada.
Caminho termina novamente no Centenário
A final da Libertadores será realizada em 28 de novembro, no Estádio Centenário, em Montevidéu.
A Conmebol confirmou a capital uruguaia ainda em março.
Para o Flamengo, o endereço inevitavelmente traz uma memória que nenhum torcedor precisa procurar muito longe.
Foi no Centenário que o clube perdeu a final de 2021 para o Palmeiras, por 2 a 1, na prorrogação.
A Libertadores agora coloca uma possibilidade curiosa diante do Rubro-Negro: cinco anos depois, existe a chance de retornar exatamente ao estádio onde ficou uma das derrotas mais dolorosas de sua história recente.
Mas Montevidéu ainda está longe.
Antes dela existem 180 minutos contra um Estudiantes que conhece o Flamengo, não perdeu no UNO nesta competição e já mostrou capacidade de sobreviver a confrontos apertados.
A ida será em 15 de outubro.
A volta, no Maracanã, acontece no dia 22, também às 21h30.




