O Flamengo teve aquilo que raramente encontra no calendário brasileiro: tempo.
Foram dias importantes para Leonardo Jardim recuperar jogadores, corrigir erros, ajustar o time e preparar o Flamengo para um dos grandes clássicos do futebol brasileiro.
E esse período precisava ser bem aproveitado.
O Rubro-Negro chega para enfrentar o Botafogo depois de uma derrota dolorosa para o Cruzeiro. Não apenas pela perda dos três pontos, mas pela forma como aconteceu: com o gol decisivo sofrido nos minutos finais.
Perder já é ruim. Perder uma partida que parecia caminhar para outro desfecho nos instantes finais deixa um peso ainda maior.
Agora é hora de responder.
Flamengo não pode deixar Palmeiras escapar
O clássico não vale somente pela rivalidade.
O Flamengo está numa disputa pelo Campeonato Brasileiro e precisa continuar pressionando o Palmeiras.
Cada rodada começa a ganhar peso maior. Cada ponto perdido pode custar caro mais adiante.
Por isso, esse período sem jogos precisava servir não apenas para recuperar fisicamente o elenco, mas para fazer ajustes em um time que também passou por mudanças importantes.
Gonçalo Plata deixou o clube. Wallace Yan também saiu.
E a saída de Plata cria uma questão imediata para Leonardo Jardim: quem ocupa aquele espaço no ataque?
Carrascal, Lucas Paquetá e Luiz Araújo aparecem como alternativas.
São jogadores de características diferentes.
Carrascal oferece mobilidade e capacidade de construção. Luiz Araújo é um atacante mais acostumado a partir pelo lado. Paquetá permite uma formação diferente, com um meia ocupando espaços mais avançados e participando da construção.
A escolha de Jardim pode dizer bastante sobre como ele pretende montar o Flamengo daqui para frente.
Do outro lado existe um Botafogo pressionado
Se o Flamengo entra pressionado pela obrigação de continuar na briga pelo título, o Botafogo chega pressionado por outro motivo.
O rival vive um período complicado.
Há mudanças na estrutura da SAF, alterações importantes no elenco, instabilidade no comando técnico e resultados que aumentaram a cobrança sobre o clube.
São contextos completamente diferentes.
O Flamengo olha para cima da tabela.
O Botafogo tenta encontrar estabilidade.
O Flamengo quer uma vitória para continuar perseguindo o Palmeiras.
O Botafogo precisa de um resultado que alivie a pressão e dê alguma tranquilidade em meio a uma reconstrução.
Mas existe uma coisa capaz de colocar tudo isso em segundo plano durante 90 minutos:
é clássico.
Clássico não aceita salto alto
Como diz o velho bordão, clássico é clássico e vice-versa.
Pode parecer uma frase simples, quase uma brincadeira, mas o futebol brasileiro já mostrou inúmeras vezes como partidas desse tamanho ignoram momento, tabela e favoritismo.
Por isso, seria um erro imaginar que o Flamengo encontrará alguma facilidade simplesmente porque o Botafogo atravessa uma fase turbulenta.
Não encontrará.
Do outro lado existe uma equipe com bons jogadores, camisa pesada e a motivação de enfrentar justamente o Flamengo em um momento no qual precisa desesperadamente de uma resposta.
Para o Botafogo, vencer o Flamengo pode mudar o ambiente.
E é justamente por isso que o Flamengo precisa entrar em campo compreendendo o tamanho da partida desde o primeiro minuto.
São duas pressões completamente diferentes
Talvez essa seja a característica mais interessante do clássico deste domingo.
Os dois estão pressionados.
Mas são pressões diferentes.
O Botafogo entra pressionado pelo momento que vive.
O Flamengo entra pressionado pelo tamanho daquilo que pretende conquistar.
Quem deseja ser campeão brasileiro precisa ganhar partidas como essa, especialmente quando teve tempo para recuperar o elenco, estudar o adversário e preparar soluções.
Depois da derrota para o Cruzeiro, o torcedor também espera uma reação.
Não precisa ser futebol perfeito.
Não precisa ser goleada.
Precisa ser um Flamengo consciente da importância do momento, agressivo quando tiver a bola e, principalmente, concentrado até o último segundo — algo que faltou justamente na rodada anterior.




