Flamengo baixou a régua no mercado — mas não o risco
O Flamengo foi ao mercado.
E fez exatamente aquilo que sua diretoria havia avisado que faria: mudou de postura.
Há poucas semanas, o cenário era completamente diferente. O clube discutia nomes como Thiago Almada e Luiz Henrique, jogadores consolidados, conhecidos pelo torcedor brasileiro e capazes de produzir impacto imediato.
Eram negociações caras.
Muito caras.
Almada e Luiz Henrique estavam em uma prateleira de dezenas de milhões de euros. O Flamengo tentou, encontrou resistência e, em determinado momento, deixou claro que não continuaria aumentando propostas simplesmente para mostrar ao mercado que tinha dinheiro.
A régua mudou.
Vieram então dois nomes completamente diferentes.
Anthony Valencia, de 23 anos.
Joaquín Freitas, de 19.
O Flamengo gastará menos do que gastaria para contratar uma estrela já consolidada.
Isso é cautela financeira.
Mas existe uma diferença importante entre gastar menos e correr menos risco.
E talvez essa seja a principal discussão dessas duas contratações.
Anthony Valencia custa menos, mas traz um alerta
Anthony Valencia chegou ao Rio de Janeiro para realizar exames médicos e assinar com o Flamengo.
O Rubro-Negro acertou sua contratação junto ao Royal Antwerp por €5 milhões por 85% dos direitos econômicos. O clube belga permanecerá com os outros 15%.
Para os padrões financeiros atuais do Flamengo, não é uma contratação cara.
Especialmente quando colocada ao lado das cifras discutidas por Almada ou Luiz Henrique.
Valencia tem 23 anos, é equatoriano, atua pelos lados do campo e foi identificado pelo departamento de scout como uma possibilidade de mercado.
Mas existe uma preocupação evidente.
Seu histórico físico.
O Fla Opina já mostrou que Valencia enfrentou períodos longos afastado no futebol belga, incluindo lesões importantes.
Isso não significa que ele não dará certo.
Muito menos que esteja atualmente lesionado.
Ele voltou a jogar, retomou espaço e chega ao Brasil em condições de passar pelos exames do Flamengo.
Mas o histórico existe.
Portanto, é uma contratação financeiramente cautelosa que carrega um risco físico que não pode ser ignorado.
Joaquín Freitas é outra espécie de aposta
No caso de Joaquín Freitas, a dúvida é diferente.
O argentino tem apenas 19 anos.
É considerado uma promessa do River Plate e despertou o interesse do Flamengo justamente pelo potencial identificado pelo scout rubro-negro.
O acordo verbal foi fechado por US$ 15 milhões, entre valores fixos e variáveis, por 80% dos direitos econômicos. O River permanecerá com 20%.
É uma operação significativa.
Especialmente para um jogador que ainda está construindo sua carreira profissional.
Freitas pode se tornar um grande jogador.
Pode valer duas, três ou quatro vezes mais daqui a alguns anos.
Mas ninguém consegue afirmar isso hoje.
O Flamengo está pagando pelo potencial, e não por aquilo que Joaquín já entregou no futebol profissional.
É justamente aí que entra o scout.
O Flamengo mudou o perfil das contratações
A mudança é evidente.
Antes:
Thiago Almada. Luiz Henrique.
Jogadores conhecidos, experimentados e com um preço enorme.
Agora:
Anthony Valencia. Joaquín Freitas.
Jogadores jovens, com possibilidade de crescimento e sem o mesmo peso midiático.
Não considero necessariamente uma estratégia errada.
Pelo contrário.
Um clube não pode construir seu elenco contratando apenas jogadores de €25 milhões, €30 milhões ou €35 milhões.
Mesmo o Flamengo, que possui enorme capacidade financeira, precisa encontrar jogadores antes que eles atinjam seu valor máximo de mercado.
O problema está em outra parte:
se você pretende contratar antes de todo mundo descobrir o jogador, precisa ter um scout melhor do que todo mundo.
O exemplo de Gabriel Jesus chama atenção
Existe uma comparação curiosiosa acontecendo justamente neste mercado.
Gabriel Jesus, brasileiro, jogador de Seleção, com anos de Manchester City e Arsenal, tem negociação avançada para defender o Barcelona por aproximadamente €10 milhões.
Claro que não são operações diretamente comparáveis.
Gabriel Jesus tem 29 anos, contrato próximo da reta final no Arsenal e menor perspectiva de valorização e revenda.
Joaquín tem 19.
Se explodir no Flamengo, pode ser vendido futuramente por uma cifra muito superior.
São projetos completamente diferentes.
Mesmo assim, os valores ajudam a demonstrar como o mercado funciona.
Um jogador absolutamente consolidado pode custar €10 milhões pelas circunstâncias contratuais e pela idade.
Enquanto uma promessa de 19 anos pode custar US$ 15 milhões por apenas 80% dos direitos porque o comprador aposta justamente no que ele poderá representar no futuro.
E é aí que o Flamengo precisa acertar.
Não são contratações ruins. São contratações que precisam ser provadas
Seria irresponsável afirmar hoje que Anthony Valencia e Joaquín Freitas são contratações ruins.
Eles nem vestiram a camisa do Flamengo.
Da mesma maneira, seria precipitado celebrar a diretoria como se tivesse encontrado duas joias antes de elas entrarem em campo.
Nós simplesmente ainda não sabemos.
Anthony precisa mostrar que pode ter continuidade física e transformar suas características em rendimento.
Joaquín precisa mostrar que o potencial visto pelo scout realmente existe no nível exigido pelo Flamengo.
São dois riscos diferentes.
E duas apostas claras do departamento de futebol.




