Santos discute SAF hoje; grupo quer 80% do futebol
O futuro administrativo do Santos entra em uma etapa importante nesta segunda-feira.
Representantes da SDC Sports, empresa interessada na transformação do futebol santista em SAF, apresentam o projeto ao Conselho Deliberativo do clube em reunião extraordinária convocada para esta noite, na Vila Belmiro.
O encontro está marcado para começar às 19h, com segunda convocação às 19h30, e terá como principal ponto da pauta justamente a apresentação da empresa aos conselheiros.
Mas a discussão está longe de significar que a venda do futebol do Santos esteja encaminhada.
Existe um obstáculo fundamental.
A SDC pretende adquirir uma participação majoritária na futura SAF, enquanto o estatuto atual do Santos permite que o clube negocie no máximo 49% do futebol. Reportagens sobre a negociação apontam interesse do grupo em aproximadamente 80% da operação.
Para uma operação nesses moldes avançar, o Santos precisaria primeiro alterar seu estatuto.
Santos já assinou termo com investidor
A negociação não começou agora.
No início de agosto, Santos e SDC Sports assinaram um term sheet, documento que estabelece condições iniciais para uma eventual negociação.
O acordo, porém, é não vinculante.
Na prática, isso significa que a assinatura não representa a venda da SAF nem obriga definitivamente nenhuma das partes a concluir a operação.
Antes de qualquer transferência do controle do futebol, ainda serão necessárias diversas etapas.
Entre elas estão a conclusão do processo de diligência, mudanças estatutárias, aprovação pelo Conselho Deliberativo e posteriormente uma votação na Assembleia Geral dos associados.
Portanto, a reunião desta segunda representa mais um passo do processo — e não sua conclusão.
Grupo quer controlar o futebol
A principal questão política está justamente no percentual que seria entregue ao investidor.
A SDC Sports trabalha com a possibilidade de assumir cerca de 80% da futura SAF, ficando o Santos associativo com uma participação minoritária.
O estatuto atual, entretanto, impede essa estrutura.
Hoje, o clube só poderia negociar participação de até 49%.
Isso significa que uma SAF controlada pelo investidor exigiria uma mudança importante na estrutura institucional do Santos.
E essa decisão não depende apenas da diretoria.
O Conselho precisa aprovar a alteração e os próprios associados terão participação no processo.
Negócio pode envolver cifras bilionárias
A dimensão financeira explica por que o tema ganhou tanta importância dentro do Santos.
Informações divulgadas por A Tribuna apontam que o projeto discutido chegou a prever aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos, além de recursos destinados ao equacionamento de uma dívida que já supera R$ 1 bilhão.
Os valores finais, entretanto, ainda dependem da conclusão da diligência e de uma eventual proposta definitiva.
Por isso, neste momento, não é correto tratar essas cifras como um negócio já fechado.
A própria proposta da SDC engloba mais do que apenas o elenco profissional.
O grupo já manifestou intenção de investir na base, nos centros de treinamento, na exploração comercial da marca e na estrutura do futebol profissional.
Projeto também encontra resistência política
Existe ainda outro complicador.
O mandato do presidente Marcelo Teixeira termina em dezembro, e parte da oposição do Santos questiona se uma mudança dessa dimensão deveria ser conduzida nos últimos meses da atual gestão.
Um grupo de 37 conselheiros já manifestou preocupação com o processo e defendeu que uma eventual transformação em SAF seja debatida de maneira ampla com associados e torcedores.
Isso não significa necessariamente rejeição à SAF.
Parte da resistência está relacionada ao momento e à forma como o processo está sendo conduzido.
A discussão, portanto, deverá ultrapassar a questão econômica.
Também será política.
Reunião pode definir próximos passos
O encontro desta segunda permitirá que os conselheiros conheçam diretamente quem está por trás da SDC Sports e quais são as linhas gerais do projeto.
Depois disso, o Santos ainda terá um caminho considerável antes de qualquer decisão definitiva.
A pergunta deixou de ser apenas se existe investidor interessado.
Existe.
Agora o clube terá que decidir quanto do seu futebol está disposto a entregar e quem terá poder para controlar a futura SAF.




