O Flamengo viveu nas últimas semanas um processo de revisão interna depois de atuações que aumentaram a pressão dentro do clube. Segundo apuração do colunista Rodrigo Mattos, do UOL, o Rubro-Negro identificou erros em diferentes áreas e promoveu conversas de bastidores para corrigir o rumo.
A avaliação interna não teria apontado um único responsável. Houve reconhecimento de equívocos da direção comandada por Luiz Eduardo Baptista e José Boto, do técnico Leonardo Jardim e também do elenco. O período sem partidas após a eliminação na Copa do Brasil abriu espaço para ajustes envolvendo mercado, comunicação, vazamentos e a maneira de jogar.
Um dos pontos mais sensíveis foi a estratégia na janela de transferências. O Flamengo tentou contratações de grande repercussão, como Thiago Almada e Luiz Henrique, mesmo trabalhando inicialmente com um cenário financeiro mais restrito para 2026. As negociações não avançaram, e a busca pública por jogadores para posições já ocupadas produziu efeitos dentro do grupo.
De acordo com a apuração, Gonzalo Plata, Luiz Araújo e Jorge Carrascal teriam se sentido colocados sob questionamento enquanto o clube buscava nomes de peso justamente para setores em que eles atuam. A situação ganhou outro componente quando Leonardo Jardim declarou publicamente a necessidade de uma alternativa para Arrascaeta.
Internamente, a fala foi vista como um movimento que poderia desvalorizar opções existentes. Além de Carrascal, o elenco conta com Lucas Paquetá e Samuel Lino como jogadores capazes de atuar em funções de criação.
O mercado, porém, não foi o único ponto analisado. Antes da reação recente, o Flamengo vinha sendo criticado pelo estilo mais direto e pela dificuldade de controlar partidas com a bola. O período de dez dias sem compromissos oficiais foi usado por Jardim para trabalhar conceitos coletivos e aproximar jogadores que retornaram de diferentes contextos após a Copa do Mundo.
A preocupação com a forma de jogar já havia sido reconhecida pelo elenco. Depois do empate com o Internacional, Varela afirmou que o Flamengo precisava voltar às suas bases e recuperar a capacidade de pressionar os adversários. Danilo também falou em autocrítica e na necessidade de aproveitar o intervalo para reorganizar a equipe.
Os efeitos começaram a aparecer nos resultados seguintes. O Flamengo venceu o Vitória por 2 a 0, empatou por 1 a 1 com o Cruzeiro no Mineirão pela Libertadores e goleou o Mirassol por 5 a 1 fora de casa. Contra o Mirassol, o time mostrou maior participação coletiva, circulação de bola e diferentes jogadores contribuindo para os gols.
Outro aspecto tratado internamente foi o excesso de informações que saíam do clube. Segundo Rodrigo Mattos, jogadores mais experientes, como Jorginho e Danilo, participaram do processo de organização do grupo e da tentativa de reduzir vazamentos. Não houve, porém, uma reunião específica entre elenco e Leonardo Jardim para uma “lavagem de roupa suja”. Os ajustes ocorreram por meio de diferentes conversas e mudanças de comportamento.
Jardim também passou a ser avaliado positivamente pela capacidade de ouvir e adaptar ideias. O Flamengo, que vinha apresentando um futebol mais vertical, voltou a mostrar nos jogos recentes uma tentativa de dominar melhor os diferentes momentos das partidas.
Após a goleada sobre o Mirassol, o treinador destacou a importância de ter o grupo reunido durante algumas semanas para transmitir suas ideias. O desafio agora é transformar essa reação em estabilidade. O Flamengo entra em uma semana decisiva, com a volta das oitavas da Libertadores contra o Cruzeiro no Maracanã.
A mudança de rota também altera o comportamento no mercado. A tendência, segundo a apuração, é de que o clube concentre as atenções no elenco atual e, caso volte a contratar nesta janela, procure apenas ajustes pontuais depois do confronto com o Cruzeiro.




