Lucas Paquetá viveu nesta quinta-feira uma situação que ajuda a mostrar uma mudança importante dentro do Flamengo.

Antes de jogar na Europa, defender a Seleção Brasileira e retornar ao clube como jogador consolidado, Paquetá foi apenas mais um garoto tentando transformar o Ninho do Urubu em caminho para o futebol profissional.

Agora ele voltou à base ocupando o outro lado dessa história.

O meia participou da quarta edição do Papo de Campeão, projeto criado para aproximar atletas das categorias de base de jogadores que já percorreram o caminho até o profissional. Desta vez, Paquetá conversou com garotos das gerações de 2013 e 2015, atualmente no Sub-13 e Sub-11 do Flamengo. Flamengo

E uma das falas dele ajuda a entender por que a iniciativa pode ser mais importante do que parece.

“Nós víamos os profissionais de longe”

Paquetá contou aos jovens que, quando estava nas categorias de base, a relação com o elenco principal era bastante diferente.

Os meninos observavam os profissionais, queriam conversar, apertar a mão e entender melhor aquele ambiente, mas esse contato não era tão comum.

Hoje, segundo ele, o Flamengo criou uma proximidade maior.

Para Paquetá, isso faz com que o futebol profissional deixe de parecer algo tão distante para quem ainda está começando.

A ideia transmitida aos garotos foi simples: olhar para alguém que passou pelos mesmos campos e perceber que aquele caminho é possível.

E existe uma diferença enorme entre ouvir isso de um dirigente e escutar de alguém que realmente viveu a trajetória.

Paquetá conhece exatamente o caminho daqueles meninos

A história dele dentro do Flamengo começou muito antes da Europa.

Paquetá foi titular do time campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2016 e terminou a competição como vice-artilheiro rubro-negro. Ainda naquele ano foi promovido ao elenco profissional. Flamengo

Em 2017, já começou a ganhar espaço importante e marcou nas finais da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana.

No ano seguinte, tornou-se um dos protagonistas do Flamengo e terminou 2018 como artilheiro do clube no Campeonato Brasileiro. Flamengo

Depois vieram sete anos de futebol europeu.

Até que, em janeiro de 2026, Paquetá voltou ao Flamengo e assinou contrato até dezembro de 2030. Flamengo

Por isso a conversa com os jovens ganha outro significado.

Não é apenas um jogador famoso visitando a base.

É um ex-integrante da própria base mostrando o que aconteceu depois que conseguiu atravessar aquela porta.

Escola, preparação física e até mudança de país entraram na conversa

O encontro não ficou limitado ao futebol dentro de campo.

Paquetá falou sobre preparação física desde o início da carreira, escola, educação, religião, mudança de país, conquistas e pessoas que tiveram influência na formação dele.

Também relembrou a conquista da Copinha de 2016, um dos momentos que considera mais importantes de sua passagem pelas categorias de base. Flamengo

Esse tipo de conversa toca em uma parte da formação que muitas vezes fica escondida.

Um jogador de 11 ou 13 anos ainda está muito distante de decisões como atuar em outro país, lidar com pressão de torcida ou administrar uma carreira profissional.

Mas alguns deles poderão enfrentar exatamente essas situações dentro de poucos anos.

A intenção do Flamengo é permitir que essas experiências sejam transmitidas antes que os problemas apareçam.

Projeto tenta diminuir distância entre base e profissional

O Papo de Campeão começou em 2025.

Entre os jogadores que já participaram estão Danilo e Jorginho.

No encontro com Danilo, por exemplo, o próprio Flamengo explicou que um dos objetivos do projeto é fortalecer o sentimento de pertencimento dos jogadores da base através do contato com referências e atletas profissionais. Flamengo

Jorginho também participou do projeto conversando com jogadores do Sub-17 sobre uma carreira que inclui títulos como Champions League, Mundial de Clubes e Eurocopa. Flamengo

A presença de Paquetá acrescenta outra característica.

Danilo e Jorginho carregam experiências enormes do futebol mundial.

Paquetá carrega isso também, mas possui algo diferente para aqueles garotos:

ele foi formado ali.

Um camisa 10 da base encontrou uma referência

Um dos jovens presentes no encontro foi Bernardo Aiex.

O meia-atacante do Sub-13 chegou ao Flamengo aos seis anos e atualmente veste a camisa 10 de sua geração.

Bernardo explicou que acompanha Paquetá também pela posição em campo e tenta observar movimentos e características do jogador profissional que podem ser levados ao próprio jogo. Flamengo

É um detalhe pequeno, mas que resume bem a intenção da iniciativa.

Um garoto da base deixa de observar um jogador apenas pela televisão e passa a conversar diretamente com ele.

Pode perguntar.

Pode ouvir dificuldades.

Pode perceber que aquela carreira não começou pronta.

Paquetá deixou um último conselho

No fim da conversa, Paquetá falou sobre dedicação, trabalho e a importância de continuar se divertindo enquanto busca espaço no futebol.

A mensagem principal foi para que os meninos continuem tentando porque, segundo ele, quando o objetivo finalmente é alcançado, todo o esforço vale a pena. Flamengo

É impossível saber quantos daqueles jovens chegarão ao profissional.

A formação de atletas é um processo duro e extremamente competitivo.

Mas o Flamengo está tentando acrescentar algo que vai além do treinamento técnico.

Está usando jogadores que já chegaram lá para mostrar aos mais jovens como foi o caminho.

E talvez a fala mais importante de Paquetá nem tenha sido sobre um gol, título ou jogo decisivo.

Foi perceber que o Flamengo de hoje permite aos Garotos do Ninho uma proximidade com o profissional que ele próprio gostaria de ter tido quando estava começando.