O Flamengo chegou à pausa da Data Fifa na liderança do Campeonato Brasileiro, mas Leonardo Jardim ganhou algo que pode ser tão importante quanto os três pontos de vantagem sobre o Palmeiras: tempo.
Serão 16 dias sem partida oficial. Em uma temporada marcada por jogos a cada três ou quatro dias, viagens e pouco espaço para treinamentos completos, o período representa uma oportunidade rara para o treinador olhar menos para o próximo adversário e mais para o próprio Flamengo.
A pausa também acontece em condições melhores do que outras interrupções da temporada.
Cinco jogadores deixaram o clube para defender suas seleções: Pedro e Samuel Lino estão com o Brasil, Arrascaeta e Varela com o Uruguai e Anthony Valencia com o Equador.
Mesmo assim, Jardim terá boa parte do elenco disponível no Ninho do Urubu.
E o trabalho não será igual para todos.
Uns precisam descansar. Outros precisam jogar
Uma das principais tarefas da comissão técnica será equilibrar o elenco.
Jogadores que acumularam muitos minutos poderão diminuir a carga e recuperar a parte física. Ao mesmo tempo, atletas menos utilizados terão justamente o caminho contrário: aumentar intensidade, ganhar ritmo e mostrar que podem ser opções quando o campeonato voltar.
Vitão está nesse grupo.
O zagueiro ainda precisa de sequência para entrar de vez na rotação do Flamengo. Luiz Araújo também terá uma oportunidade importante para recuperar espaço.
De la Cruz é outro caso que merece atenção. O uruguaio sofreu com problemas físicos durante a temporada e uma sequência maior de treinamentos pode ser importante para recuperar ritmo e confiança.
Saúl, que voltou a aparecer bem diante do Red Bull Bragantino, também terá espaço para tentar consolidar sua presença entre as opções de Jardim.
A comissão técnica pretende ainda utilizar jogadores da base e realizar jogos-treinos durante a pausa.
O adversário dessas atividades não foi divulgado até agora.
Mas esse nem é o ponto principal.
O objetivo é permitir que jogadores que normalmente recebem poucos minutos tenham contato com situações mais próximas de uma partida sem que Jardim precise utilizar um jogo oficial para fazer experiências.
A reta final exige mais do que um bom time titular
Quando faltam dez rodadas para o fim do Brasileiro, o elenco começa a pesar tanto quanto a escalação principal.
Suspensões, desgaste físico e lesões aparecem naturalmente durante uma sequência decisiva.
Por isso, a pausa pode servir para aumentar o número de jogadores que Jardim realmente considera prontos para entrar.
O Flamengo não precisa apenas encontrar onze titulares.
Precisa chegar às últimas rodadas com 15, 16 ou 17 jogadores capazes de manter o nível da equipe.
Se Vitão ganhar ritmo, o treinador aumenta as alternativas na defesa.
Se De la Cruz conseguir uma sequência física melhor, cresce a concorrência no meio-campo.
Se Luiz Araújo voltar a pressionar por espaço e Saúl mantiver a evolução recente, Jardim passa a ter mais caminhos para modificar uma partida.
É esse tipo de ganho que dificilmente aparece em uma tabela, mas pode decidir um campeonato.
Liderança não significa trabalho concluído
O Flamengo entra na pausa com 60 pontos, enquanto o Palmeiras soma 57.
A vantagem existe, mas está longe de permitir relaxamento.
Uma derrota rubro-negra combinada com uma vitória do rival pode mudar rapidamente o cenário da disputa.
Além disso, os últimos jogos mostraram pontos que Jardim ainda precisa melhorar.
O Flamengo vem produzindo bastante ofensivamente, mas nem sempre transforma esse domínio em gols na mesma proporção.
Em alguns momentos, o time controla a posse, acumula finalizações e passa bastante tempo no campo adversário, mas encontra dificuldade para transformar essa superioridade em tranquilidade no placar.
Esse tipo de ajuste exige repetição.
E repetição exige treino.
É justamente isso que normalmente falta durante o calendário brasileiro.
Jardim finalmente poderá trabalhar sem olhar o relógio
Grande parte do trabalho de um treinador durante a temporada acontece comprimida.
Depois de uma partida, normalmente existe recuperação física. No dia seguinte começa a preparação para outro adversário. Em seguida vem viagem, concentração e novo jogo.
Pouco sobra para desenvolver alternativas.
Durante esta pausa, Jardim poderá testar posicionamentos, trabalhar movimentações ofensivas, ajustar a pressão após a perda da bola e experimentar diferentes combinações de jogadores.
Também terá tempo para observar jovens da base com mais calma.
E existe uma diferença importante entre testar algo durante um treino e precisar testar durante uma partida valendo três pontos.
Agora Jardim terá esse espaço.




