O Flamengo voltará a La Plata para disputar uma vaga na final da Libertadores carregando uma lembrança que vai muito além do empate por 1 a 1 registrado no placar.
Na última vez em que entrou no Estádio Jorge Luis Hirschi, em 29 de abril, o Rubro-Negro deixou o gramado com Arrascaeta fraturado, Emerson Royal com o nariz quebrado, Bruno Henrique sentindo dores após um trauma no pé e vários jogadores apresentando hematomas.
O nível de contato físico e as reclamações contra a arbitragem foram tão grandes que José Boto, diretor de futebol do Flamengo, utilizou uma frase que resumiu a sensação da delegação naquela noite.
Segundo o dirigente, os jogadores pareciam ter “saído de uma guerra”.
Pouco mais de cinco meses depois, Flamengo e Estudiantes voltam ao mesmo estádio.
Desta vez, porém, não será uma partida de fase de grupos.
Será o jogo de ida da semifinal da Libertadores.
Arrascaeta deixou o campo e terminou a noite no hospital
O episódio mais grave daquela partida aconteceu ainda no primeiro tempo.
Aos 16 minutos, Arrascaeta disputou uma bola com Piovi, caiu sobre o ombro direito e imediatamente demonstrou fortes dores.
O camisa 10 não conseguiu continuar.
Ainda em La Plata, foi encaminhado para um hospital e realizou exames que confirmaram uma fratura na clavícula direita.
No dia seguinte, já no Rio de Janeiro, passou por cirurgia para fixação do osso com placa e parafusos.
A lesão tirou o uruguaio dos gramados por aproximadamente três meses e colocou em risco até sua participação na Copa do Mundo.
O impacto daquela noite, portanto, não terminou com o apito final.
O Flamengo perdeu um de seus principais jogadores por uma parcela importante da temporada.
Royal também voltou fraturado
Arrascaeta não foi o único jogador a sair fisicamente marcado.
Emerson Royal sofreu uma fratura no nariz.
O problema não chegou a afastá-lo por longo período, mas obrigou o departamento médico do Flamengo a providenciar uma máscara de proteção para que o lateral pudesse continuar atuando.
Royal também sofreu uma entrada forte de Farías ainda no primeiro tempo.
O jogador do Estudiantes acertou o lateral por trás em uma jogada que gerou grande revolta entre os rubro-negros.
Após a partida, Royal criticou o comportamento dos adversários e afirmou que houve atitudes que, em sua avaliação, ultrapassaram a agressividade normal de uma partida de futebol.
Aquele lance recebeu apenas cartão amarelo.
Bruno Henrique também terminou machucado
No segundo tempo, outro episódio aumentou a tensão.
Tomás Palacios, que já havia recebido cartão amarelo, cometeu uma falta dura sobre Bruno Henrique fora da disputa normal da bola.
O árbitro marcou a infração, mas não mostrou o segundo cartão.
A decisão provocou nova reação dos jogadores do Flamengo.
Bruno Henrique terminou a partida com um trauma no pé direito e precisou ser reavaliado pelo departamento médico na reapresentação do elenco.
O ex-árbitro Paulo César de Oliveira, ao analisar posteriormente os principais lances, considerou que tanto a entrada sobre Royal quanto a cometida contra Bruno Henrique eram passíveis de expulsão.
Dentro de campo, porém, o Estudiantes terminou com onze jogadores.
Danilo demonstrou irritação após o jogo
A temperatura não caiu nem depois do apito final.
Danilo procurou a equipe de arbitragem para reclamar e protagonizou outra cena que mostrou o tamanho da irritação rubro-negra.
Ao encontrar Tomás Palacios depois da partida, o zagueiro do Flamengo evitou cumprimentá-lo.
Era uma reação direta ao lance envolvendo Bruno Henrique.
O jogo terminou em 1 a 1, mas o resultado acabou quase em segundo plano diante das consequências físicas e das discussões sobre o nível de contato permitido pela arbitragem.
Boto fez o alerta ainda em La Plata
José Boto foi um dos mais duros nas críticas depois da partida.
O dirigente afirmou que havia jogadores do Flamengo com hematomas nas pernas e em outras regiões do corpo.
Para Boto, existia uma diferença entre um jogo agressivo e situações de violência que precisavam ser controladas pela arbitragem.
A principal reclamação era justamente essa: o Flamengo esperava um confronto físico, mas entendia que alguns limites não haviam sido impostos.
O auxiliar José Barros, que concedeu a coletiva porque Leonardo Jardim havia sido expulso durante a partida, também destacou a quantidade de jogadores com hematomas.
Segundo ele, o Flamengo precisou demonstrar força mental para não entrar no clima de confusão e conseguir terminar a partida sem perder o controle emocional.
Cinco meses depois, o Flamengo volta ao mesmo cenário
Agora o contexto mudou completamente.
Em abril, havia pontos da fase de grupos em disputa.
No dia 15 de outubro, Flamengo e Estudiantes começarão a decidir quem estará na final da Libertadores.
E o jogo acontecerá exatamente no Jorge Luis Hirschi.
O Flamengo conhece o estádio, conhece o adversário e, principalmente, conhece o tipo de partida que pode encontrar.
Isso coloca um elemento adicional na preparação de Leonardo Jardim.
O desafio não será apenas técnico.
O Rubro-Negro terá que controlar emocionalmente um confronto que tende novamente a ser intenso, evitar entrar em provocações e, ao mesmo tempo, proteger seus jogadores sem deixar de competir fisicamente.
A experiência de abril funciona como alerta.
Naquela noite, o Flamengo conseguiu sair da Argentina com um ponto.
Mas pagou um preço físico muito maior do que imaginava.
Sem Arrascaeta novamente
Há ainda uma coincidência difícil de ignorar.
Arrascaeta sofreu em La Plata a grave fratura na clavícula que marcou sua temporada.
Agora, justamente antes do retorno ao mesmo estádio, o uruguaio voltou ao departamento médico após sofrer uma fratura no punho esquerdo defendendo a seleção do Uruguai.
O Flamengo trabalha inicialmente sem contar com o camisa 10 para os jogos da semifinal.
Ou seja: cinco meses depois de deixar o campo argentino lesionado, Arrascaeta pode sequer estar disponível para o reencontro.
Flamengo precisa lembrar de abril sem jogar abril novamente
A semifinal terá características próprias.
Não existe garantia de que o novo confronto repetirá o nível de tensão da fase de grupos.
Mas o Flamengo possui informações concretas sobre aquilo que encontrou em sua última passagem por La Plata.
Arrascaeta sofreu uma fratura na clavícula.
Royal terminou com o nariz quebrado.
Bruno Henrique precisou de avaliação médica.
Jogadores apresentaram hematomas.
Leonardo Jardim foi expulso.
Danilo deixou clara sua irritação.
E José Boto resumiu a noite comparando o estado físico do elenco ao de quem havia acabado de sair de uma guerra.
Tudo isso aconteceu no mesmo estádio onde começará a semifinal.
O Flamengo retorna a La Plata sabendo que precisa sobreviver primeiro ao ambiente e ao jogo para depois tentar impor sua superioridade técnica.
Porque desta vez não haverá apenas três pontos em disputa.
Do outro lado daqueles 90 minutos estará metade do caminho para uma final de Libertadores.




