O Flamengo entra em campo nesta quarta-feira, no Maracanã, contra o Cruzeiro, em uma decisão que vale muito mais do que uma vaga nas quartas de final da Libertadores. O confronto acontece em meio a um cenário incomum para o futebol brasileiro: existe a possibilidade real de o país repetir seu pior desempenho neste século na competição continental.

Segundo levantamento publicado pelo UOL, todos os clubes brasileiros que disputaram os jogos de ida das oitavas terminaram sem vantagem. Flamengo, Cruzeiro, Palmeiras, Fluminense, Corinthians e Mirassol chegam aos confrontos de volta com suas classificações completamente abertas. No caso de Flamengo e Cruzeiro, ao menos um representante brasileiro já está garantido nas quartas, porque os dois se enfrentam diretamente.

A situação dos demais aumenta o peso dessa semana. Palmeiras, Fluminense e Mirassol terão que buscar suas classificações atuando fora de casa. O Corinthians também chega sem vantagem construída na ida. Isso cria um cenário em que o futebol brasileiro, dominante nas últimas temporadas, pode terminar as oitavas com apenas um clube entre os oito melhores da América.

Uma situação assim não acontece desde 2014. Neste século, as piores campanhas brasileiras na Libertadores aconteceram em 2011 e 2014, quando apenas uma equipe do país conseguiu chegar às quartas de final. Desde 2017, o Brasil sempre colocou pelo menos três representantes nessa fase do torneio.

O contraste com os últimos anos é enorme. Clubes brasileiros venceram todas as edições da Libertadores disputadas desde 2019. Nesse período, o Flamengo conquistou três títulos, o Palmeiras venceu duas vezes e Botafogo e Fluminense também levantaram a taça. O domínio brasileiro transformou o país na principal força do continente durante a década.

A edição de 2026 ainda carrega outro componente histórico. Brasil e Argentina começaram o torneio empatados com 25 títulos de Libertadores cada. Portanto, além da disputa entre clubes, a competição também funciona como um desempate simbólico entre os dois países mais vencedores da América do Sul.

Para o Flamengo, porém, o foco imediato é exclusivamente o Cruzeiro. O empate por 1 a 1 no Mineirão deixou tudo aberto para a volta. Uma vitória de qualquer lado garante a classificação no tempo normal. Se houver novo empate, independentemente do placar, a vaga será decidida nos pênaltis.

A Conmebol confirmou o jogo para quarta-feira, às 21h30, no Maracanã. Gustavo Tejera, do Uruguai, será o árbitro, com Andrés Cunha no VAR. O duelo também traz números importantes para o Flamengo: o Rubro-Negro completou 200 partidas de Libertadores no confronto de ida e chegou a 114 vitórias, o maior número de triunfos entre todos os clubes em seus primeiros 200 jogos no torneio.

O histórico recente como mandante diante de brasileiros também favorece o Flamengo. Segundo dados da própria Conmebol, o clube venceu sete dos últimos oito jogos em casa contra adversários do Brasil na Libertadores neste século. A única derrota aconteceu justamente para o Cruzeiro, por 2 a 0, nas oitavas de final de 2018.

Esse dado funciona ao mesmo tempo como sinal de força e alerta. O Maracanã é um fator importante, mas o Cruzeiro já mostrou que pode competir fora de casa. A equipe mineira está há sete partidas invicta como visitante na Libertadores, com quatro vitórias e três empates, e sofreu apenas um gol nessa sequência.

Por isso, apesar de todo o contexto envolvendo o futebol brasileiro, o Flamengo não pode entrar em campo pensando em qualquer responsabilidade externa. O tamanho da partida já é suficiente por si só. É um confronto eliminatório, diante de um adversário brasileiro forte, em um momento em que a temporada rubro-negra começa a entrar em sua fase decisiva.