O Flamengo acertou a saída de Alan Santos, de 19 anos, para o Benfica em um negócio que chama atenção menos pelo destino e mais pelo formato. O clube português não pagará valor de transferência agora, enquanto o Rubro-Negro manterá 50% dos direitos econômicos do atacante para tentar lucrar em uma venda futura.

A operação pode dar muito certo daqui a dois ou três anos. Mas, hoje, a pergunta do Fla Opina é outra: o Flamengo fez realmente um bom negócio ou assumiu um risco grande demais depois de formar o jogador durante anos?

Alan Santos passou toda a formação no clube e chegou a atuar três vezes pelo profissional em 2026. Também marcou três gols na Libertadores Sub-20. Agora, aos 19 anos, segue para um clube europeu conhecido por desenvolver e valorizar jovens.

O Flamengo fez o trabalho mais caro

Formar um jogador não começa quando ele aparece na televisão. Existe investimento em captação, alimentação, alojamento, profissionais, estrutura, preparação física e desenvolvimento técnico. O Flamengo assumiu esse processo até Alan Santos chegar a uma idade em que pode começar a gerar retorno esportivo ou financeiro.

O Benfica, por outro lado, recebe um atleta já formado, com experiência em uma das maiores bases do Brasil e passagem pelo profissional, sem colocar dinheiro imediato na transferência.

É verdade que o Flamengo mantém 50% dos direitos econômicos. Se Alan Santos se desenvolver em Portugal e futuramente for vendido por um valor elevado, o clube poderá receber uma quantia importante. Essa é a aposta.

Mas aposta não é garantia.

Se o jogador não se valorizar, o Flamengo terá cedido metade dos direitos sem receber nada agora. Se ele explodir, o Benfica terá metade de um ativo que recebeu sem pagar pela transferência e poderá lucrar de forma relevante numa venda futura.

Na visão do Fla Opina, é difícil enxergar o Flamengo como o lado mais protegido da operação.

A vitrine do Benfica tem valor, mas não é pagamento

Existe um argumento favorável: o Benfica tem forte reputação na valorização de jovens, e Portugal pode servir de porta de entrada para as principais ligas europeias.

Para um jogador sem espaço imediato no elenco profissional do Flamengo, atuar no Benfica B, adaptar-se ao futebol europeu e tentar chegar à equipe principal pode acelerar sua valorização.

Isso tem valor. Mas uma boa vitrine não deveria necessariamente significar abrir mão de 50% dos direitos sem qualquer compensação financeira imediata.

O Flamengo poderia receber um valor inicial, ainda que menor, e manter percentual relevante para uma venda futura. Dessa maneira, seria remunerado pelo trabalho já realizado e continuaria participando de uma possível valorização.

No formato divulgado, o risco parece ficar mais do lado rubro-negro, enquanto o Benfica recebe uma oportunidade de baixo custo.

E se Alan Santos virar um jogador de alto nível?

Ninguém pode afirmar hoje que Alan Santos será um grande jogador na Europa. Também seria injusto dizer que o Flamengo está entregando um futuro craque, porque futebol não oferece esse tipo de certeza.

Mas esse é justamente o motivo para questionar o modelo.

Se existe dúvida sobre o teto do atleta, por que entregar metade dos direitos sem receber agora? Se existe confiança em sua valorização, por que não exigir alguma compensação?

O Benfica aceita o negócio porque identifica potencial. E, caso esteja certo, poderá transformar um jogador recebido sem custo de transferência em milhões de euros.

O Flamengo continuará ganhando metade, é verdade. Mas terá feito toda a etapa de formação e ainda dividido igualmente o principal retorno financeiro futuro.