A Fifa chama de Super Data Fifa. Na prática, para muitos clubes, o que existe é uma super interrupção no momento mais importante da temporada.
Durante 16 dias, o futebol de clubes praticamente entrega parte de seus principais jogadores às seleções. O objetivo declarado da nova janela é concentrar compromissos internacionais que antes estavam distribuídos entre setembro e outubro. Nesta edição, as seleções podem disputar até quatro partidas. Para os clubes europeus, que têm calendário mais organizado e retomam suas competições somente depois do encerramento da janela, há pelo menos uma lógica de planejamento. No Brasil, a realidade é outra. UOL
O Campeonato Brasileiro para, o calendário é empurrado, treinadores perdem jogadores durante dias de trabalho e, quando a bola volta a rolar, começa uma corrida contra o relógio.
E quem assume o risco?
O clube.
O jogador vai. A conta fica
É o clube que contrata o atleta.
É o clube que paga seu salário.
É o clube que mantém departamento médico, fisiologia, fisioterapia, preparação física e toda a estrutura necessária para colocar aquele jogador em campo.
Mas, quando chega uma Data Fifa, existe a obrigação de liberação para as seleções dentro das regras internacionais.
O problema começa quando o jogador sai saudável e volta lesionado.
O Flamengo conhece essa história muito bem.
Pedro sofreu uma das lesões mais graves da carreira enquanto treinava com a Seleção Brasileira em 2024. Outros atletas rubro-negros também já retornaram de períodos internacionais com problemas físicos.
E Arrascaeta tornou-se talvez o exemplo mais recorrente.
Arrascaeta outra vez
O camisa 10 estava com o Uruguai nesta Super Data Fifa quando sofreu uma fratura no punho esquerdo.
Vai precisar de cirurgia.
O Flamengo ainda não estabeleceu oficialmente um prazo definitivo para a volta, embora especialistas consultados após o diagnóstico trabalhem com uma recuperação em torno de seis semanas e, em alguns cenários, aproximadamente 60 dias. LANCE!
O problema não é apenas perder um jogador.
É quando o Flamengo perde esse jogador.
Arrascaeta vinha sendo decisivo. Foi dele o gol que confirmou a classificação rubro-negra para a semifinal da Libertadores contra o Independiente del Valle. Agora, justamente quando chega a fase que pode levar o Flamengo à final continental, Leonardo Jardim terá que montar o meio-campo sem seu camisa 10. Flamengo
E tem mais.
Jorginho também não estará no primeiro confronto contra o Estudiantes, mas por outro motivo: foi expulso no jogo de volta das quartas de final e cumprirá suspensão.
Ou seja, em uma semifinal de Libertadores, o Flamengo poderá começar sem dois jogadores fundamentais do setor justamente em um período imediatamente posterior à paralisação internacional.
E nem treinar o elenco completo é possível
Existe outro prejuízo da Data Fifa que muitas vezes passa despercebido.
O campeonato para, mas isso não significa que o treinador ganha duas semanas completas para trabalhar.
Ele ganha duas semanas sem parte do time.
Nesta Super Data Fifa, 40 jogadores que atuam no Campeonato Brasileiro foram convocados por 11 seleções diferentes. O Flamengo cedeu seis atletas. UOL
Então que benefício técnico existe para o treinador?
Leonardo Jardim pode corrigir movimentos, preparar alternativas, recuperar fisicamente quem ficou e observar jogadores. Mas não consegue treinar normalmente com todo o grupo que utilizará quando a competição retornar.
Quando os convocados voltarem, haverá atletas chegando de países diferentes, fusos diferentes, jogos diferentes e cargas físicas diferentes.
Alguns podem voltar cansados.
Outros podem voltar com dores.
E, como estamos vendo novamente com Arrascaeta, alguns podem nem voltar em condições de jogar.
E o calendário brasileiro começa a correr de novo
Aqui existe uma diferença importante para o futebol europeu.
Nas principais ligas da Europa, a competição normalmente retorna no fim de semana seguinte ao encerramento da Data Fifa. Existe uma margem de reorganização do calendário.
No Brasil, o calendário já vive permanentemente comprimido.
Quando uma janela internacional ocupa mais de duas semanas, as partidas que deixaram de acontecer não desaparecem.
Elas são empurradas.
O Campeonato Brasileiro precisa terminar. A Libertadores continua. A Copa do Brasil precisa encontrar espaço. Clubes ainda convivem com viagens continentais enormes.
A conta aparece depois, com jogos acumulados e intervalos cada vez menores.
Mas para a seleção sempre haverá espaço.
E para quê?
Aqui entra também uma discussão esportiva.
A Seleção Brasileira iniciou o novo ciclo depois da Copa do Mundo empatando em 1 a 1 com a Austrália. A própria CBF descreveu um primeiro tempo em que os australianos tiveram maior posse de bola e controlaram boa parte das ações. O Brasil ainda enfrentará novamente a Austrália e depois a Índia. CBF
Não se trata de defender o fim das seleções.
Seleções fazem parte da história do futebol e continuarão fazendo.
Mas é legítimo perguntar se toda essa estrutura internacional precisa produzir tamanho impacto sobre os clubes.
Principalmente quando falamos de amistosos.
O Flamengo está entrando na fase mais importante da temporada. Está na semifinal da Libertadores e disputa posições decisivas no Campeonato Brasileiro.
Entrega seus jogadores.
Interrompe seu trabalho.
Recebe Arrascaeta lesionado.
E agora terá que administrar cirurgia, recuperação e reconstrução do time para os jogos mais importantes do ano.




