O Flamengo de hoje é uma potência.

Isso já não é novidade para ninguém.

O clube cresce em arrecadação, movimenta valores cada vez maiores no mercado, possui um dos elencos mais fortes do continente e entra em praticamente todas as competições com obrigação de disputar títulos.

Dentro de campo, também vem mostrando capacidade para isso.

Nesta quarta-feira, diante do Mirassol, o Flamengo terá mais uma oportunidade importante.

É um jogo atrasado do Campeonato Brasileiro e que pode mexer diretamente com a briga pela liderança.

O Palmeiras está na frente, mas o Flamengo possui uma partida a menos.

Se vencer no Maracanã, reduz a diferença e transforma a perseguição em algo ainda mais concreto.

E é exatamente isso que um time que quer ser campeão precisa fazer.

Quando o rival tropeça, aproveitar.

Quando aparece um jogo a menos, vencer.

Quando surge a oportunidade de colocar pressão, colocar.

O Flamengo já mostrou futebol suficiente nesta temporada para provar que pode disputar o título brasileiro.

Em alguns momentos, apresentou futebol de campeão.

O que ainda precisa mostrar é a regularidade de um campeão.

Não adianta fazer uma partida excelente e depois diminuir o ritmo.

Não adianta ter um elenco superior e deixar escapar pontos que estavam ao alcance.

Se vencer o Mirassol, o Flamengo coloca uma pulga atrás da orelha do Palmeiras.

E talvez mais do que uma pulga.

Mostra que a perseguição é séria.

O campeonato ainda é longo, evidentemente.

Mas título também se constrói nesses jogos.

Dentro de campo, portanto, o cenário é claro.

O Flamengo tem qualidade, elenco e oportunidade.

Agora precisa fazer sua parte.

Mas existe outro Flamengo acontecendo fora das quatro linhas.

E nem mesmo um clube rico, organizado e financeiramente poderoso consegue controlar tudo.

O caso Gonzalo Plata é o melhor exemplo.

O Flamengo negociou o jogador com o Dínamo de Moscou.

Plata viajou, despediu-se dos companheiros, realizou exames e estava muito próximo de concluir a transferência.

Parecia um negócio resolvido.

Não foi.

O jogador foi reprovado nos exames médicos realizados pelo clube russo e está retornando ao Flamengo.

Não é uma situação comum.

Uma transferência chegar praticamente à última etapa e ser cancelada dessa maneira produz consequências esportivas, financeiras e de planejamento.

O Flamengo contava com uma receita importante pela venda.

Esse dinheiro não entrará agora.

Ao mesmo tempo, o clube já havia avançado no mercado e contratado Anthony Valencia e Joaquín Freitas.

Principalmente no caso de Valencia, existe relação direta com a reorganização do ataque que estava sendo feita diante da saída de Plata.

O que seria uma venda, entrada de dinheiro e reposição no elenco virou outra realidade.

Plata retorna.

Valencia chega.

Freitas chega.

E o dinheiro da transferência não entra.

Isso cria um problema?

Claro que cria.

Agora, dizer que isso coloca as finanças do Flamengo em risco seria exagero.

Não vejo dessa maneira.

O Flamengo possui capacidade financeira, arrecadação elevada, outras vendas realizadas durante a temporada e planejamento para investir na janela.

Além disso, as contratações não precisam ser pagas integralmente de uma única vez.

O clube possui condições de seguir com os compromissos assumidos.

Também não acredito em qualquer possibilidade de o Flamengo voltar atrás nas contratações simplesmente porque a venda de Plata caiu.

Um clube do tamanho do Flamengo precisa estar preparado para absorver imprevistos desse tipo.

O problema maior talvez seja outro.

É a situação criada.

Plata volta para um elenco que já começou a ser reorganizado sem ele.

O clube terá mais jogadores disputando espaço no ataque.

Também terá de administrar novamente um ativo que acreditava já ter vendido.

E ainda precisará descobrir se existe outro mercado disposto a negociar pelo jogador depois de toda a repercussão provocada pelos exames realizados na Rússia.

É aí que aparece uma realidade interessante.

Ser gigante não significa viver sem problemas.

O Flamengo pode ter dinheiro.

Pode possuir um elenco milionário.

Pode ter estrutura.

Pode disputar títulos.

Ainda assim, acontecimentos completamente inesperados vão aparecer.

E é justamente nesses momentos que se mede a capacidade de gestão de um clube.

Não é apenas gastar quando há dinheiro.

É saber administrar quando o planejamento muda de uma hora para outra.

Hoje, o Flamengo vive duas histórias ao mesmo tempo.

Dentro de campo, tem a oportunidade de se aproximar do Palmeiras e aumentar a pressão na disputa pelo Campeonato Brasileiro.

Fora dele, precisa reorganizar uma janela que parecia praticamente definida até Gonzalo Plata ser devolvido pelo Dínamo de Moscou.

São problemas de naturezas completamente diferentes.

Mas ambos exigem a mesma coisa:

competência.

Contra o Mirassol, competência para transformar superioridade em três pontos.

Nos bastidores, competência para administrar Plata, os novos reforços e o impacto financeiro de uma venda frustrada.

O Flamengo é gigante.

E justamente por ser gigante, os problemas também ganham tamanho.

A diferença entre um clube organizado e um clube desorganizado não está em nunca ter problemas.

Está em saber resolvê-los.

Agora vamos acompanhar as próximas cenas dessa novela chamada Gonzalo Plata.

E, principalmente, aquilo que realmente interessa ao torcedor nesta quarta-feira:

se o Flamengo vai fazer sua parte dentro de campo e mostrar ao Palmeiras que a perseguição pelo título é para valer.