Uma grande vitória que deixou muitos sinais positivos

O Flamengo fez uma grande apresentação diante do Mirassol. A vitória por 5 a 1 foi convincente, construída com domínio, movimentação, boas atuações individuais e, principalmente, uma evolução coletiva que merece ser destacada.

Pedro marcou duas vezes. Luiz Araújo retornou e voltou a mostrar o quanto pode ser importante para a equipe. Jorge Carrascal, que vinha sendo muito criticado, respondeu dentro de campo com uma grande partida e também deixou sua marca na goleada. O Flamengo terminou a noite com cinco gols e reduziu para três pontos a diferença para o Palmeiras na liderança do Campeonato Brasileiro.

Mas, para mim, talvez o principal aspecto positivo tenha sido outro.

O Flamengo parece cada vez mais disposto a jogar como equipe.

Em vários momentos da partida, jogadores que poderiam tentar uma finalização preferiram procurar um companheiro mais bem colocado. É um detalhe que pode parecer pequeno, mas diz muito sobre a construção de um grupo.

Quando o jogador deixa de pensar apenas na sua estatística individual e escolhe a melhor solução para a jogada, existe um sinal de confiança coletiva.

Esse Flamengo parece começar a compreender que existe algo maior em disputa: os títulos, a temporada e o próprio clube.

Leonardo Jardim também destacou exatamente a evolução da performance coletiva depois da partida. Para o treinador, mais importante até do que o tamanho da vitória foi a forma como o Flamengo conseguiu construir o resultado.

Só que existe um assunto que, na minha visão, não pode desaparecer porque o Flamengo venceu por 5 a 1.

Rafael Klein volta a deixar dúvidas

A arbitragem de Rafael Rodrigo Klein voltou a ser protagonista em uma partida do Flamengo.

No fim do primeiro tempo, Carrascal arrancou em velocidade, superou Denilson e seguia em direção ao gol quando foi puxado pelo jogador do Mirassol. Klein marcou a falta, mas apresentou apenas o cartão amarelo.

E aí começa o questionamento.

No futebol costumamos dizer que uma falta do “último homem” significa automaticamente expulsão. Tecnicamente, a regra é um pouco mais específica.

A IFAB determina que, para caracterizar uma oportunidade clara de gol, o árbitro deve considerar elementos como a distância para o gol, a direção da jogada, a possibilidade de o atacante manter o controle da bola e a quantidade e posição dos defensores. Quando uma infração fora da área impede uma oportunidade clara de gol, o jogador deve ser expulso.

E é exatamente aí que surgem as dúvidas sobre a decisão tomada em Mirassol.

Carrascal já havia superado o marcador e avançava em direção ao gol. O próprio Leonardo Jardim questionou publicamente por que aquele lance não terminou com cartão vermelho.

Jardim também não conseguiu entender o critério

Depois da partida, Jardim não usou a arbitragem como desculpa. Seria até impossível fazer isso depois de vencer por 5 a 1.

Ainda assim, decidiu falar.

O treinador afirmou conhecer as regras e disse que situações como aquela envolvendo o último defensor normalmente resultam em expulsão. Jardim também lembrou outros episódios recentes, incluindo a entrada sofrida por Bruno Henrique contra o Cruzeiro, e admitiu estar encontrando dificuldades para compreender o padrão utilizado pelos árbitros.

Talvez aí esteja a questão mais preocupante.

Não estamos falando simplesmente de um torcedor irritado na arquibancada.

Estamos falando de um treinador profissional dizendo que encontra dificuldade para explicar aos próprios jogadores quais critérios serão aplicados durante uma partida.

Quando chegamos a esse ponto, o futebol brasileiro precisa parar e discutir sua arbitragem.

E não é a primeira polêmica envolvendo Klein e o Flamengo

Rafael Klein já esteve no centro de outro episódio extremamente controverso envolvendo Flamengo e Carrascal.

Na Supercopa do Brasil contra o Corinthians, um lance ocorrido nos instantes finais do primeiro tempo só foi revisado depois que as equipes já haviam ido aos vestiários.

Quando os jogadores retornaram para a segunda etapa, Klein foi chamado ao monitor, reviu a jogada e expulsou Carrascal antes de a bola voltar a rolar.

A CBF explicou posteriormente que uma queda de energia havia provocado problemas no sistema do VAR. O episódio, porém, foi tão incomum que ganhou repercussão até fora do Brasil.

Agora encontramos novamente Carrascal, novamente Rafael Klein e novamente uma decisão que provoca questionamentos.

É legítimo perguntar: qual é o critério?

O placar não pode esconder o problema

As consequências do lance contra o Mirassol acabaram sendo pequenas porque o Flamengo foi muito superior e construiu uma goleada.

Mas futebol não pode funcionar dessa maneira.

Uma decisão não passa a ser correta simplesmente porque o time eventualmente venceu por 5 a 1.

Imagine o mesmo lance em uma semifinal, em uma final ou em uma partida equilibrada que termina 1 a 0.

A consequência poderia ser enorme.

Por isso, na minha visão, a discussão não deve ser sobre perseguição ou qualquer teoria que não possa ser comprovada. Ela deve ser sobre critério, coerência e aplicação da regra.

Se um lance reúne os elementos necessários para ser considerado uma oportunidade clara de gol, a punição prevista precisa ser aplicada.

Caso contrário, a arbitragem precisa explicar por que entendeu que aqueles elementos não estavam presentes.

O que não pode continuar acontecendo é jogador, treinador e torcedor saírem de cada rodada tentando descobrir qual interpretação será usada na próxima partida.