O Campeonato Brasileiro entra em pausa por causa da Data Fifa, e o Flamengo atravessa esse período na liderança, com 60 pontos e três de vantagem sobre o Palmeiras. A vitória por 2 a 1 sobre o Red Bull Bragantino, no Maracanã, confirmou mais uma vez a força de um time que cresceu ao longo da temporada, mas também expôs um problema que ainda insiste em aparecer: o Flamengo domina muito, cria muito, mas nem sempre transforma essa superioridade em gols.

Desde a Copa do Mundo, o Rubro-Negro vem mostrando uma evolução clara. O time aprendeu a competir em cenários diferentes, suportou altitude, gramados ruins, chuva, viagens complicadas e partidas em que precisou sofrer para sobreviver. Contra o Independiente del Valle, por exemplo, conseguiu avançar na Libertadores mesmo atuando com um jogador a menos durante boa parte do segundo tempo no Maracanã.

Esse crescimento competitivo também aparece no Brasileiro.

Contra o Bragantino, o Flamengo fez mais uma partida de amplo domínio. Durante boa parte do jogo, o adversário teve enorme dificuldade para sair do próprio campo, trocar passes e escapar da pressão pós-perda rubro-negra.

O Flamengo ocupou o campo ofensivo, recuperou a bola rapidamente e construiu oportunidades em sequência.

No primeiro tempo, só não saiu com uma vantagem muito maior porque Tiago Volpi fez intervenções importantes. A dificuldade na conclusão voltou a aparecer como um dos poucos pontos negativos de uma atuação coletiva muito forte.

Domínio que precisa virar gol

É exatamente aí que mora a principal ressalva.

O Flamengo cria.

Chega.

Pressiona.

Empurra o adversário para trás.

Mas ainda desperdiça oportunidades demais.

Contra o Bragantino, o time teve chances suficientes para construir uma vantagem confortável muito antes do fim. Não conseguiu.

Varela marcou o primeiro gol, Pedro fez o segundo na etapa final, mas o adversário permaneceu vivo.

E enquanto o jogo continua aberto, qualquer lance muda tudo.

Foi exatamente o que aconteceu.

O Bragantino conseguiu descontar na reta final, com desvio em Bruno Henrique, e uma partida que havia sido controlada durante quase todo o tempo voltou a ganhar tensão.

Essa não é uma situação isolada.

Ao longo da temporada, o Flamengo já viveu outros jogos em que dominou, perdeu oportunidades e acabou sofrendo além do necessário.

É um risco perigoso para um time que entra agora na fase decisiva do ano.

Pedro marca, mas atuação não convence

Pedro voltou a marcar e encerrou seu jejum contra o Bragantino.

O gol foi importante.

Mas a atuação, no geral, ficou abaixo daquilo que ele pode entregar.

Logo depois de marcar, o atacante foi substituído por Bruno Henrique. A troca já estava preparada antes do gol, mas Pedro demonstrou irritação e reclamou ao deixar o campo. Leonardo Jardim se aproximou, abraçou o jogador e manteve a decisão.

O centroavante tem direito de querer permanecer.

Mas a hierarquia precisa ser preservada.

Leonardo Jardim é o treinador e responsável pelas decisões da equipe.

Pedro não vinha fazendo uma grande partida e, mesmo tendo marcado, a substituição já estava definida.

Depois do jogo, os dois voltaram a se abraçar no gramado, o que ajuda a colocar o episódio no contexto correto: houve irritação no calor da partida, mas nenhuma evidência pública de ruptura.

Saúl volta a mostrar força

Entre os destaques da noite, Saúl Ñíguez merece uma menção especial.

O espanhol fez uma partida muito forte, ajudando na circulação, ocupação do meio e intensidade sem a bola.

Ao lado de Jorginho, reviveu uma parceria que já havia funcionado muito bem em outro momento do Flamengo.

Jorginho novamente foi o jogador que ditou o ritmo, deu organização e ajudou a manter o time instalado no campo adversário.

É um encaixe interessante porque oferece ao Flamengo uma alternativa importante justamente num momento em que o calendário exige profundidade de elenco.

Varela vai além do gol

Guillermo Varela também fez uma grande partida.

O lateral marcou o primeiro gol e apareceu constantemente como opção ofensiva.

Sua atuação não ficou restrita ao lance decisivo.

Participou bem da construção, foi agressivo quando encontrou espaço e mostrou novamente que pode ser mais do que apenas um defensor do lado direito.

Foi uma atuação completa.

Carrascal e Plata participam, mas precisam decidir mais

Jorge Carrascal e Gonzalo Plata também tiveram participação importante.

Carrascal criou, deu assistência e apareceu várias vezes em zonas perigosas, mas novamente desperdiçou oportunidades.

Plata foi intenso, ajudou na pressão e participou do jogo, mas também esbarrou na falta de eficiência.

Os dois são jogadores importantes para o funcionamento coletivo.

Mas precisam transformar participação em produção direta.

Gol.

Assistência.

Decisão.

Porque o Flamengo ainda permanece muito dependente de Pedro e Arrascaeta quando precisa transformar domínio em resultado.

Quando os dois não estão em boa noite, o time sofre mais para definir partidas que controla.

Rossi aparece quando precisa

Agustín Rossi também teve participação importante.

Mesmo em um jogo de domínio rubro-negro, apareceu quando foi acionado e fez defesas importantes.

É exatamente o tipo de atuação que se espera de um goleiro de time grande: pode passar longos períodos sem ser exigido, mas precisa estar pronto quando o adversário consegue chegar.

Pausa chega em bom momento

A Data Fifa chega em um momento interessante para Leonardo Jardim.

O Flamengo vai passar todo esse período na liderança.

Terá tempo para recuperar jogadores, organizar a equipe e corrigir detalhes, embora perca alguns atletas convocados por suas seleções.

Depois da pausa, a temporada entra definitivamente em sua parte mais pesada.

Brasileirão.

Libertadores.

Jogos decisivos.

E praticamente nenhuma margem para erro.

O Flamengo já mostrou que consegue dominar qualquer adversário.

Agora precisa transformar esse domínio em placares mais seguros.