A contratação de Joaquín Freitas pelo Flamengo pode parecer, à primeira vista, apenas mais uma reposição ofensiva para um elenco que perdeu peças nesta janela.
Mas o perfil do argentino sugere algo diferente.
Joaquín não chega ao Flamengo como um centroavante clássico.
Aos 19 anos, o jogador pode atuar pelos lados, aproximar-se da área, trabalhar como segundo atacante e ocupar diferentes zonas do ataque.
Essa característica pode ser justamente o que Leonardo Jardim procurava.
Em vez de contratar outro jogador para reproduzir exatamente o papel de Pedro, o Flamengo parece estar adicionando uma peça capaz de oferecer uma maneira diferente de atacar.
Pedro continua sendo a referência
Pedro permanece como o principal centroavante do elenco.
Sua capacidade de jogar dentro da área, proteger a bola e finalizar faz dele uma referência ofensiva difícil de reproduzir.
Buscar no mercado outro jogador com exatamente as mesmas características significaria encontrar um atleta disposto a disputar espaço com um dos nomes mais importantes do time.
Também significaria investir em uma função que o Flamengo já possui em alto nível.
Por isso, a alternativa pode ter sido outra.
Em vez de procurar um “novo Pedro”, o Flamengo foi atrás de um atacante capaz de modificar o comportamento ofensivo da equipe.
Joaquín oferece mais mobilidade
Joaquín é um atacante de movimentação.
Ele pode partir dos lados, atacar espaços entre zagueiro e lateral e se aproximar de outro atacante.
Esse comportamento é diferente do de um centroavante de referência.
Em determinadas partidas, o Flamengo poderia utilizar Pedro como homem mais avançado e Joaquín circulando ao seu redor.
Em outras situações, Jardim poderia utilizar uma formação mais móvel, sem depender de um jogador fixo entre os zagueiros.
Isso dá ao treinador alternativas que o elenco nem sempre apresentou com naturalidade.
Jardim já indicou que procura características
Leonardo Jardim deixou claro em declarações recentes que não pediu simplesmente jogadores para determinadas posições.
O treinador indicou características que gostaria de acrescentar ao elenco.
Essa diferença ajuda a compreender a contratação de Joaquín.
O Flamengo não necessariamente precisava de outro “camisa 9”.
Precisava de um atacante capaz de alterar o desenho ofensivo.
Joaquín pode ser justamente essa peça.
Bruno Henrique também entra na equação
Bruno Henrique já foi utilizado em diferentes momentos como atacante centralizado.
No entanto, seu jogo também possui características próprias.
Ele explora profundidade, velocidade e espaço nas costas da defesa.
Joaquín acrescenta outra possibilidade.
Com isso, Leonardo Jardim passa a ter opções ofensivas que não obrigam o Flamengo a jogar sempre da mesma maneira quando Pedro não estiver disponível.
Essa variedade pode ser particularmente importante em jogos eliminatórios.
A contratação faz mais sentido pelo perfil
Segundo apuração do Fla Opina, o Flamengo acertou a compra de 80% dos direitos econômicos de Joaquín por US$ 9 milhões, com pagamentos parcelados a cada seis meses.
O River Plate permanecerá com 20% dos direitos econômicos e também terá participação sobre a mais-valia em uma eventual venda futura.
O investimento é relevante para um jogador de 19 anos.
Por isso, seria estranho imaginar que o clube esteja pagando esse valor simplesmente para contratar um reserva convencional.
A aposta parece ser maior.
O Flamengo está adquirindo um jogador que pode disputar espaço, oferecer novas características e ainda se desenvolver dentro do clube.
Valencia amplia ainda mais as possibilidades
Anthony Valencia também entra nessa transformação.
Canhoto, rápido e capaz de atuar pelo lado direito, o equatoriano acrescenta aceleração e drible.
A combinação dos dois novos jogadores oferece a Jardim alternativas diferentes.
Valencia pode abrir o campo.
Joaquín pode atacar espaços e se movimentar por dentro.
Pedro continua como referência.
Bruno Henrique pode atacar profundidade.
O setor ofensivo passa, portanto, a possuir jogadores com funções menos repetidas entre si.
Flamengo pode mudar dentro do próprio jogo
Esse talvez seja o maior ganho potencial.
Um elenco com características variadas permite ao treinador alterar o comportamento da equipe sem precisar necessariamente fazer mudanças estruturais profundas.
Se o adversário fecha a área, Pedro oferece presença.
Se existe espaço nas costas da defesa, jogadores mais móveis podem explorar essas zonas.
Se o Flamengo precisa de mais velocidade pelos lados, Valencia aparece como alternativa.
Joaquín pode funcionar justamente como a peça intermediária entre essas estruturas.




