O Flamengo teve nas mãos uma proposta capaz de praticamente resolver uma das principais pendências de seu orçamento para 2026. Mesmo assim, preferiu dizer não.

Durante a última janela de transferências, o clube recebeu uma oferta de 25 milhões de euros por Samuel Lino, valor próximo de R$ 140 milhões na cotação utilizada na negociação. A diretoria rubro-negra recusou.

A informação veio a público neste domingo (5). Segundo apuração do jornalista Rock Hudson, do Coluna do Fla, feita também com pessoas próximas e familiares do jogador, clubes do exterior procuraram Samuel Lino durante a janela e uma das investidas chegou aos 25 milhões de euros.

A decisão chama ainda mais atenção quando colocada ao lado dos números do orçamento rubro-negro.

O Flamengo estabeleceu para 2026 uma meta de aproximadamente R$ 250 milhões em receitas com vendas de jogadores. Até agora, arrecadou cerca de R$ 171,6 milhões.

Isso significa que faltam aproximadamente R$ 78,4 milhões para atingir a previsão estabelecida para o ano.

Se tivesse aceitado a proposta por Samuel Lino, o Flamengo não apenas alcançaria a meta como poderia ultrapassar R$ 300 milhões em vendas na temporada.

Mas havia outro lado da conta.

O esportivo.

Flamengo escolheu manter Samuel Lino

Quando a proposta chegou, o Flamengo ainda tinha pela frente a parte mais importante da temporada. Hoje, essa escolha pode ser observada com ainda mais clareza.

O Rubro-Negro lidera o Campeonato Brasileiro com 60 pontos, três de vantagem sobre o Palmeiras, e está classificado para a semifinal da Libertadores, na qual enfrentará o Estudiantes.

Samuel Lino tornou-se uma das peças mais importantes desse time.

O atacante atravessa em 2026 a temporada mais produtiva de sua carreira. Em setembro, quando recebeu da CBF o prêmio de melhor jogador do mês de agosto do Brasileirão, já acumulava 49 partidas pelo Flamengo, com 14 gols e 16 assistências.

Mais do que números, porém, Lino ganhou protagonismo.

Sua velocidade, capacidade de atuar em diferentes zonas do ataque e participação cada vez maior na construção ofensiva fizeram dele um jogador difícil de substituir justamente no momento em que Brasileiro e Libertadores entram na fase decisiva.

A diretoria, portanto, estava diante de uma escolha clara: aproximar o clube imediatamente da meta financeira ou preservar uma peça fundamental para buscar títulos.

Escolheu o campo.

Seleção aumenta valorização de Samuel Lino

E existe um detalhe que torna a história ainda mais interessante quando observada algumas semanas depois.

Samuel Lino voltou da Data Fifa ainda mais valorizado.

Na vitória do Brasil por 4 a 0 sobre a Índia, em Calcutá, o atacante entrou no intervalo no lugar de Vinícius Júnior e marcou duas vezes. Foram seus primeiros gols pela Seleção Brasileira principal.

No primeiro, recebeu assistência de Pedro, companheiro de Flamengo. No último lance da partida, partiu pela esquerda, venceu a marcação e marcou novamente.

Lino terminou o amistoso como um dos grandes destaques da Seleção e reforçou sua candidatura a novas convocações de Carlo Ancelotti.

É impossível determinar hoje qual seria exatamente o preço de uma eventual nova proposta. Valor de mercado depende de negociação, interesse dos clubes e contexto da janela.

Mas o cenário esportivo mudou.

O jogador que já havia despertado uma proposta de 25 milhões de euros agora chega à reta final do ano como protagonista do Flamengo, líder do Brasileirão, semifinalista da Libertadores e depois de marcar duas vezes com a camisa da Seleção Brasileira.

Tudo isso aumenta o poder de negociação do Flamengo para qualquer conversa futura.

Uma decisão que pode valer mais que €25 milhões

A janela dos principais mercados já está fechada. Neste momento, portanto, a prioridade do Flamengo está dentro de campo.

E talvez seja exatamente aí que a diretoria espere recuperar parte do dinheiro que decidiu não receber por Samuel Lino.

A classificação para a semifinal da Libertadores já garantiu uma premiação importante. Uma eventual vaga na decisão aumenta consideravelmente esse valor, enquanto a conquista do torneio oferece uma premiação ainda maior.

O mesmo raciocínio vale para o Campeonato Brasileiro.

Não existe garantia de título. Mas existe uma escolha estratégica bastante evidente: em vez de transformar Samuel Lino em receita durante a janela, o Flamengo preferiu mantê-lo como ativo esportivo na tentativa de transformar desempenho em taças e premiações.

Há pouco tempo, 25 milhões de euros pareciam uma proposta enorme.

Depois do que Samuel Lino vem fazendo pelo Flamengo e mostrou também com a Seleção Brasileira, talvez a pergunta tenha mudado.

Não é mais apenas por que o Flamengo recusou tanto dinheiro.

É quanto seria necessário oferecer na próxima janela para convencer o clube a abrir mão dele.