Flamengo tem 10 estrangeiros para nove vagas

Em levantamento exclusivo, o Fla Opina analisou a composição atual do elenco do Flamengo e a hierarquia dos jogadores estrangeiros para entender um problema que Leonardo Jardim terá de administrar no Campeonato Brasileiro: são dez atletas de fora do país para apenas nove vagas permitidas por partida.

O cenário nasceu de uma combinação que o clube não planejava ter neste momento.

Gonzalo Plata chegou a deixar o Flamengo para acertar com o Dínamo Moscou, mas a transferência não foi concluída. O equatoriano voltou ao Brasil, se reapresentou em Belém e já trabalha novamente com o grupo.

Enquanto Plata negociava sua saída, o Flamengo contratou outros dois estrangeiros: o equatoriano Anthony Valencia, de 23 anos, e o argentino Joaquín Freitas, de 19. Ambos assinaram até 2031 e foram incorporados ao elenco principal.

A conta, então, chegou a dez.

Quem são os dez estrangeiros?

Atualmente, o Flamengo tem:

Rossi — Argentina Varela — Uruguai Erick Pulgar — Chile De la Cruz — Uruguai Saúl Ñíguez — Espanha Arrascaeta — Uruguai Jorge Carrascal — Colômbia Gonzalo Plata — Equador Anthony Valencia — Equador Joaquín Freitas — Argentina

Jorginho não entra nessa relação. Apesar de também possuir cidadania italiana e ter construído praticamente toda a carreira profissional na Europa, ele nasceu no Brasil e é brasileiro.

O regulamento do Campeonato Brasileiro permite que cada clube relacione no máximo nove jogadores estrangeiros por partida. Portanto, sempre que os dez estiverem disponíveis, pelo menos um deles terá de assistir ao jogo fora da relação.

A questão não é quantitativa apenas.

Ela mexe diretamente com a montagem do banco e com a gestão do elenco de Leonardo Jardim.

O problema deixou de ser apenas teórico

Durante alguns dias, a situação parecia administrável porque De la Cruz estava afastado por problema muscular.

Isso mudou.

O uruguaio se recuperou e voltou à lista de relacionados do Flamengo contra o Remo. Plata, por sua vez, também retornou ao elenco depois do fracasso da transferência para a Rússia.

Com os novos atacantes também incorporados, a escolha passa a fazer parte do planejamento das próximas rodadas.

Na Libertadores, a situação é diferente. A competição segue suas próprias regras de inscrição e elegibilidade e não reproduz o teto de nove estrangeiros aplicado pelo Campeonato Brasileiro.

É, portanto, especialmente no Brasileirão que Jardim terá de fazer a conta.

Alguns nomes parecem praticamente protegidos

A análise do Fla Opina mostra que a lista não começa do zero.

Rossi é o goleiro titular. Em situação normal, imaginar o argentino fora simplesmente para liberar uma vaga de estrangeiro parece improvável.

O mesmo vale para Arrascaeta, um dos principais jogadores do elenco.

Pulgar, quando fisicamente disponível, também possui peso esportivo significativo e renovou recentemente o contrato até 2029.

Carrascal ganhou importância no grupo e De la Cruz, apesar das questões físicas que têm limitado sua continuidade, continua sendo uma alternativa de alto nível para o meio-campo.

Isso vai diminuindo o espaço disponível para escolhas puramente administrativas.

Plata voltou e Jardim quer utilizá-lo

Talvez a situação mais curiosa seja justamente a de Gonzalo Plata.

Há poucos dias, o equatoriano estava praticamente fora do clube. Flamengo e jogador já trabalhavam com a transferência para o futebol russo.

O negócio desmoronou.

Leonardo Jardim, porém, deixou claro publicamente que não pretende tratar o atacante como um jogador descartado. O treinador afirmou que Plata volta a ser uma solução para um elenco que enfrentará uma sequência pesada de partidas.

Existe ainda uma questão tática.

Antes mesmo da negociação com o Dínamo, Jardim já havia identificado falta de equilíbrio entre as opções pelos lados do campo. Plata atua justamente em um setor no qual o treinador queria mais alternativas.

Ou seja: o jogador que poderia resolver o excesso de estrangeiros agora também resolve uma carência esportiva.

Valencia, Freitas e Saúl entram na disputa

É aqui que a escolha fica mais interessante.

Anthony Valencia e Joaquín Freitas chegaram como investimentos para o presente, mas também com visão de médio e longo prazo.

Valencia tem 23 anos, experiência no futebol europeu e participou da Copa do Mundo pelo Equador. Freitas tem apenas 19 e ainda passa por processo natural de adaptação ao futebol brasileiro.

Nenhum dos dois foi contratado para ser descartado da relação permanentemente.

Mas, pela própria condição de recém-chegados e pela necessidade de adaptação, são nomes que podem entrar em um sistema de rodízio inicialmente.

Saúl também merece atenção.

O espanhol voltou a jogar recentemente depois de 95 dias sem atuar e havia perdido espaço com Leonardo Jardim. Sua experiência e capacidade de exercer diferentes funções continuam importantes, mas o momento esportivo torna sua presença menos automática do que a de alguns companheiros.

Isso não significa que Jardim tenha definido quem ficará fora.

É apenas o retrato atual da hierarquia.

Rossi não oferece solução imediata

Durante meses, uma possível cidadania brasileira de Rossi apareceu como solução para o excesso de estrangeiros.

Mas o próprio goleiro atualizou essa situação.

Após a partida contra o Mirassol, Rossi afirmou que não possui atualmente nenhum processo de cidadania em andamento e lembrou que está há três anos no Brasil.

Portanto, pelo menos no curto prazo, Leonardo Jardim não pode montar o planejamento contando com a transformação de Rossi em jogador brasileiro.

A solução terá de ser esportiva.

E jogo a jogo.